A bronca da segunda corrida da Feira da Moita! Prémios apresentação e bravura para a ganadaria Manuel Veiga. Amadores da Moita (1ª, 2ª e 4ª tenativa) Amadores de Alcochete (3ª, 2ª" /> A bronca da segunda corrida da Feira da Moita! Prémios apresentação e bravura para a ganadaria Manuel Veiga. Amadores da Moita (1ª, 2ª e 4ª tenativa) Amadores de Alcochete (3ª, 2ª" /> A bronca da segunda corrida da Feira da Moita! Prémios apresentação e bravura para a ganadaria Manuel Veiga. Amadores da Moita (1ª, 2ª e 4ª tenativa) Amadores de Alcochete (3ª, 2ª" />
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
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Ventura vaiado na Moita - 14 e Setembro 2010

A bronca da segunda corrida da Feira da Moita! Prémios apresentação e bravura para a ganadaria Manuel Veiga. Amadores da Moita (1ª, 2ª e 4ª tenativa) Amadores de Alcochete (3ª, 2ª

16 de Setembro de 2010 - 08:03h Crónica por: - Fonte: - Visto: 1606
Ventura vaiado na Moita - 14 e Setembro 2010

Ficará para a longa história da Feira da Moita (daquelas que se contarão anos a fio entre tertúlias) a estória do toureiro espanhol (Curro Diaz) que rumou a Espanha com medo dos toiros que lhe cabiam lidar.

Mas se a estória do primeiro dia de feira tem certo encanto de gracejo, da estória do desaire do segundo festejo já se não poderá dizer o mesmo. A verdade é que o início desta que é uma das mais importantes feiras taurinas do país ficou marcado pelo pasmo dos inopinados incidentes, que muito entristecem a quem ama a festa, por mais engraçados ou desengraçados que se reputem.

Pois bem, depois de Curro Díaz rumar a Espanha temerato dos José Luís Pereda que o esperavam, foi a vez de Ventura defraudar o público e terminar a lide – imagine-se a afronta! – sem executar o seu importante  truque do cavalo que morde o toiro.

Bom, esta é daquelas histórias que convém começar pelo princípio…

Foi a segunda corrida da feira de 2010, décima corrida do município da Moita, muitíssimo aguardado concurso de ganadarias e a comemoração de 35 anos de existência do Grupo de Forcados Amadores da Moita.

Tantos atractivos, atrevo-me a dizer, foram meros complementos daquele que era o verdadeiro aliciante desta tarde/noite de toiros. O que os factos tristemente apontam sem margem para dúvida é que a praça encheu para ver o furacão Ventura e o seu extraordinário cavalo que morde nos toiros.

Rui Salvador começou muito bem a tarde, com ganas de triunfo e apondo vistosos ferros um após outro, em terrenos de verdade, ao estribo, nos médios com bonito quarteio e terrenos rigorosos. O público esteve caloroso e aplaudiu sem relutância o bom empenho do cavaleiro de Tomar, que trouxe a mais as qualidades do toiro de Branco Núncio, o qual não lhe deu muito bom jogo.

Veio Ventura, e sentia-a a vibração nas bancadas. Aqui e ali ouviam-se, “agora é que é! Vamos a isto”. Perdoou-se a ferragem comprida, ligeiramente descaída e muito pouco ortodoxa (porque digamos que isso é coisa que acontece a qualquer um) e aplaudiram-se os curtos. Até aqui nada de extraordinário. Pouco importou ao público que o rejoneador tenha desenhado excelentes ferros de caras com temple e suavidade, não! O toiro de Conde Cabral, bonito e com alguma mobilidade, franco e com apontamentos de boa nota, passou também despercebido. Ouvia-se isso sim, aqui e ali dizer “ele está-se a guardar para o fim, para sair em grande”. O que toda a gente via bem, era que o que não se via, o número adornado da adorada montada.

Sem que o cavalo viesse, seguiu-se Manuel Lupi, mais jovem ginete da tarde, que foi buscar à porta gaiola um bonito exemplar da Herdade de Rio Frio, de pelagem flava, bonitas hechuras, e, rasgos de bravura entrecortados. Não permitiu ao cavaleiro mostrar-se num patamar de excelência e a lide foi insonsa, desligada entre cada cravagem, com alguns destaques de boa montaria e classicismo sem exuberância – terminada com um ferro de palmo de bom efeito.

No intervalo, homenagem ao grupo de forcados aniversariante, que recebeu lembranças no centro da arena e ouviu a Banda  Musical do Rosário tocar o pasodoble homónimo “Amadores da Moita”.

Na segunda parte Rui Salvador esteve em plano inferior face à primeira lide, com alguns bons ferros mas sem grande lustro face à total ausência de bravura do exemplar de Fernandes Castro, que não permitia mais do que alguns ferros de nota desgarrados entre si.

Seguir-se-ia Ventura e caber-lhe-ia lidar o que parecia ser um típico imponente Murteira Grave, que porém, saiu dos curros completamente impossibilitado de se locomover. Começou aqui uma fervorosa discussão entre os aficcionados e marcado o início da desordem que acompanhou a corrida.

Trocada a ordem de lide foi a vez de Manuel Lupi lidar o último toiro a concurso, da ganadaria de Manuel Veiga, de belíssima morfologia e aquele que melhor e mais homogéneo comportamento apresentou. O cavaleiro de Rio Frio soube aproveitar a matéria prima e concretizou uma faena ligada e bonita, embora em sentido decrescente, começando com equilibrados quarteios e ferros ao píton contrário com a mais valia da colocação ao estribo, para terminar mais aliviado sem que se tenha entendido o motivo.

Cumpre aqui fazer nova pausa. Ora então, os nossos cavaleiros, ressalvando raras excepções, não perdem uma oportunidade de cravar o palmo, a rosa, o violino, o par, o palmo seguido do violino e tantas outras sortes de adorno – e depois quando cá vêm os furacões luso-espanhóis omitem-se daquile que já um “quase obrigatório”? […]

Porém, onde o tropel estalou foi mesmo com Ventura. O primeiro imponente assobio foi para a empresa, que anunciou um toiro sobrero da ganadaria de Luís Pereda e que afinal fez sair um Conde Cabral, que já não esteve a concurso por já ter sido lidada uma rês da mesma ganadaria. Aqui confesso a minha concordância com o protesto - Primeiro porque não estava anunciado e depois porque, com a galhardia com que o toiro saiu à arena logo deixou antever que seria provavelmente o melhor exemplar em escrutínio.

O segundo grande assobio foi para Ventura, que voltou a executar muito desgraçadamente a ferragem comprida (que duas vezes na mesma corrida já começava a ser demais para o exigente público !?)

Depois dos primeiros compridos, seguiram-se momentos de pura aflição. Diego Ventura cravou um excelente ferro nos médios e optou trazer o toiro bregado a ladear. Vendo porém que o toiro vinha muito adiantado, recuou para rematar o ferro à volta. No entretanto, deixou colher violentamente a montada (o russo de nome “Revuelto”) contra tábuas, chegando mesmo a parecer que viriam cavalo e cavaleiro cair dentro da trincheira.

No terceiro unânime grande assobio não houve unanimidade. Uns assobiavam porque queriam música que teimava em não soar, outros assobiavam porque queriam que Ventura trocasse a montada colhida, e, julgo, outros ainda, assobiavam porque os outros assobiavam, enquanto apesar do assobio uníssono se iam aplaudindo os ferros bastante consentidos que Ventura cravava nos médios.

Ventura vai trocar de cavalo e, ingloriamente, traz o “Gines” de pelagem palomina mas que se assemelha (perdoem-me a ironia) àquele que vem nos cartazes afixados nos muros à frente dos semáforos movimentados das cidades limítrofes, onde se deixa ver “um cavalinho branco a morder num toiro”. Ouvem-se exclamações “olha, é agora! É agora!”. O “Gines” exibe-se frente ao toiro, dança a lambada e dobra-se deleitoso nas sortes mas …. Morder nada… Desilusão.

Assobios - “ Tocááá a múuusica!!”, aplausos, e alguns levantam-se a agraciar o cavaleiro. Por fim Ventura dirige-se ao pátio de quadrilhas – será a apoteose??!! É agora o tão aguardado momento?! A banda musical do Rosário continua a tocar…. Mas Diego Ventura sai do pátio de quadrilhas apeado, bebendo de uma garrafa de água, a descansar da lide.

Imagine o caro leitor a tremenda desilusão que sofre todo um público que deixou de assistir a um importantíssimo jogo da Liga dos Campões, que se sujeitou a ouvir o relato pela Antena 1, dividindo os auriculares com o parceiro do lado, pagando uma exorbitância pelo bilhete (a duas horas da corrida os bilhetes mais baratos custavam já 38€), para… isto!? “É uma fraude” gritam uns “vendem gato por lebre” outros.

Se até aqui, e como sempre, nutro profundo respeito público que será sempre quem em última instância alimenta a festa – sejam quais forem as suas preferências, desta feita, terei que afirmar que foi ignóbil, vergonhoso e para mais não dizer, verdadeiramente obscena a atitude das bancadas moitenses.

Soou o toque para a pega e saltam à arena os Amadores de Alcochete, Vasco Pinto consumou a mais correcta pega da noite, ante o mais imponente toiro  – todo o grupo coeso e eficaz nas ajudas; o rabejador termina com donaire nos médios – tudo isto, sob um profundo, sonoro e desprestigiante assobio. Uma verdadeira vergonha para todos os que se afirmam aficionados dos toiros - toda a correcção de um grupo em antítese com toda a incorrecção de centenas de pessoas.

Retomando a factualidade, cumpre referir que o capítulo das pegas não foi tarefa fácil.

Amadores da Moita:

- O cabo Pedro Raposo, à 1ª tentativa – Ante a investida ensarilhada o forcado recebeu o toiro no peito mas a decisão com que fechou à córnea permitiu que as ajudas fossem eficazes a compô-lo na cara depois de um forte derrote, consumando-se uma vistosa pega.

 - Hélio Roma que saiu lesionado depois de uma muito valorosa e dura tentativa em que  parecia vir bem fechado à córnea mas da qual foi despejado mercê da ineficácia da ajuda. Foi dobrado por Fernando Grilo, que consumou à barbela em boa técnica.

- Tiago Bernardo concretizou a pega à 4ª tentativa e de sesgo. Ao 1º intento faltou mandar na investida hesitante para obter reunião; ao 2º não tendo conseguido recuar suficientemente recebeu um derrote alto que o tirou da cara; ao 3º voltou a entrar demasiado no terreno e a receber violentos derrotes e, por fim, ao 4º intento, consumou de sesgo mas com valentia, face aos sérios derrotes.

Os Amadores de Alcochete:

- José Vinagre ao 3º intento, depois de duas tentativas sem que o toiro humilhasse para armar o derrote e o forcado pudesse obter reunião, consumou à córnea ao 3º intento sem dificuldade, entrando mais nos terrenos de jurisdição e impondo o mando na investida.

- Nuno Santana esteve correcto na 1ª tentativa mas acabou por escorregar da córnea ante a investida dura a passar pelo grupo. Consumou uma emocionante pega ao 2º intento aguentando a hesitação do toiro em sair das tábuas, fechou-se com decisão e fez uma viagem de praça a praça apenas com eficazes ajudas laterais.

- O cabo Vasco Pinto, consumou à primeira tentativa, numa pega tecnicamente perfeita em que o toiro investiu com pata assim que viu o forcado, que soube consentir e mandar na investida para se fechar com decisão recebendo uma ajuda coesa de todo o grupo.

O júri seleccionado pela empresa da Moita, atribuiu o prémio à ganadaria de Manuel Veiga, no bonito toiro de 540kg que saiu em 5º lugar para Manuel Lupi.

Pergunta-se: Ventura está moralmente obrigado a apresentar o "cavalo espectáculo"? Porquê?! 

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