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No Concurso de Ganadarias de Arruda, Triunfo para António Telles e Troféus para Pinto

Praça quase cheia para assistir ao concurso de ganadarias, na segunda corrida de toirosem Arruda dos Vinhos, integrada nas festas em honra de Nossa Senhora da Salvação.
18 de Agosto de 2011 - 09:52h Crónica por: - Fonte: - Visto: 1388
No Concurso de Ganadarias de Arruda, Triunfo para António Telles e Troféus para Pinto

Praça quase cheia para assistir ao concurso de ganadarias, na segunda corrida de toiros em Arruda dos Vinhos, integrada nas festas em honra de Nossa Senhora da Salvação. Seis ganadarias para outros tantos cavaleiros de alternativa e três grupos de forcados com um troféu em disputa a atribuir à melhor pega da noite.

Estas corridas de Arruda possuem um ambiente festivo ao redor da praça, que concentra muita gente nas imediações. Escutam-se comentários e as expectativas dos populares, aficionados e curiosos, perante a presença dos maiorais das ganadarias, vestidos a preceito e com muita juventude a adornar todo este rico colorido.

Faltou apenas a cor da bravura aos seis toiros negros que entraram em praça. O chamariz de um concurso de ganadarias exige comportamento diferente daquele que regra geral não existiu ontem à noite. Se em comportamento ficaram aquém, salvaram-se em apresentação, que apesar de não ser irrepreensível, foi bastante agradável, em especial o sexto da noite da ganadaria de Pégoras, que apresentou um exemplar musculado, bom de cara e com uma lista castanha sobre a coluna. O troféu de toiro mais bravo, cujo júri era composto pelos próprios ganadeiros, foi entregue com justiça, ao exemplar de Pinto Barreiros lidado por Ana Batista.

As corridas estão organizadas com eliminação de formalidades que poupam tempo e beneficiam o correr do espectáculo. De casaca “bordeaux” e com a formalidade da entrega do ferro de abrir praça cumprida, António Telles recebeu o Veiga Teixeira de 475Kg. Um toiro que foi de mais a menos durante a lide e que substituiu o exemplar de Manuel Coimbra que se inutilizou no transporte. Colocou três compridos à tira e sofreu um empurrão, após cravar o
segundo, de um hastado que se empregava nos remates das sortes. Nos curtos, o cavaleiro da torrinha efectuou uma lide isenta de defeitos, com um público que não esperou para aquecer e com a banda a soar logo no primeiro ferro cravado, em espaço reduzido e de cite frontal. O toiro reservava-se nas tábuas junto ao sector 3. A brega de Telles era o suficiente para preparar os ferros, sem rodriguinhos de estilo nem de esforço, a abrir o quarteio, cravar com
asseio e em sortes frontais, colocações exactas e nenhuns tempos mortos. Foi o triunfador da noite.

O toiro premiado de Pinto Barreiros de 520Kg, entrou em praça a perseguir com codícia Ana Batista, que vestia uma casaca pérola, obrigando a cavaleira a efectuar três voltas completas à arena. Nem mesmo os peões de brega da cavaleira de Salvaterra conseguiram distrair um exemplar que só tinha olhos no cavalo, para perseguir e bater. As bancadas regozijavam com a exposição de bravura e esperavam por isso uma lide de encher o olho. Puro engano. Ana Batista este mal nos compridos. Se para colocar o primeiro passou em falso, o segundo nem sequer ficou no toiro. Nos curtos, Ana deu sempre o mesmo tratamento a um oponente que após o primeiro ferro percebeu a viagem, adiantou-se e como consequência, bateu na montada e obrigou a cavaleira a passar demasiadas vezes em falso. O director mandou inexplicavelmente a banda tocar com Ana Batista a incitar as bancadas a cada ferro e pediu ela mesma mais um, na esperança de amenizar o estrago. Sem sucesso, foi mais do mesmo e uma volta à arena nada merecida.

O exemplar Vinhas de 550Kg teve um comportamento de manso. Marcos Bastinhas de casaca verde garrafa vestida, colocou o primeiro comprido que fez o toiro pedir contas no remate. O segundo foi à tira e pecou pela descaída colocação. Nos curtos, o toiro perdeu-se em definitivo. Primeiro perseguiu mas não empurrava, perdeu as mãos, deu um toque na montada, fez o cavaleiro de Elvas falhar o ferro e ir ao pátio de cavalos trocar de montada. Bastinhas tinha de entrar pelos terrenos do toiro dentro e concedeu mais um toque. Coloca o segundo no dorso e o terceiro à garupa. O público pediu mais um e Bastinhas colocou uma rosa num oponente passivo. Quando saía, as bancadas voltaram a pedir novo ferro e Marcos colocou um bom par de bandarilhas sem nunca ouvir uma única nota da banda Santa Casa de Misericórdia de Arruda dos Vinhos.

De casaca azul escura, entrou em praça Duarte Pinto, para lidar o exemplar dos Herdeiros de Ruy Gonçalves, com 535Kg e uma imponente cara. Os compridos serviram somente para espevitar um toiro que pouca vontade e interesse demonstrou. Nos curtos, o toiro começou por melhorar a sua disposição e o cavaleiro fez soar a banda quando colocou o segundo curto, que foi citado de largo e colocado com distinção. A lide foi subindo de produção, o toiro fixava-se na montada e o cavaleiro terminou a sua prestação com um curto em terrenos apertados que resultaram num toque. Recebeu do público fortes aplausos durante a volta.

Tiago Carreiras vestia também uma casaca verde garrafa, para lidar o toiro proveniente da ganadaria de Jorge de Carvalho com 480Kg. O exemplar foi o pior da corrida e desde os compridos mostrou que de luta nada queria. Nos curtos, a lide é toda ela igual de início ao fim. O toiro deu trabalho que se fartou ao cavaleiro que tentou o mais que pode para tirá-lo de tábuas. Sem o conseguir, Carreiras efectua todos os ferros junto às tábuas e em terrenos muito
apertados. O público entendia a frustação do cavaleiro, que teve de adaptar-se a uma lide esteticamente nada bonita mas de muito labor, e pediu durante toda a lide para a banda tocar.

Marcelo Mendes, também de casaca verde garrafa, teve uma noite para esquecer. Tudo correu mal ao cavaleiro. Sucintamente, Marcelo Mendes nunca entendeu as distâncias que teriam de ter sido dadas ao exemplar de Pégoras com 545Kg. A cada ferro, seguiram-se toques ou empurrões. Como se não bastasse, o par de bandarilhas que lhe foi concedido pelo director, apenas uma ficou. Ao querer emendar, foi-lhe indicado que abandonasse a arena. Marcelo Mendes saiu sem brilho, sem música e sem volta à praça.

A noite do Grupo de Forcados Amadores da Azambuja não foi das melhores e só mesmo o rabejador Luís Amador empolgou praça. David Gonçalves pegou à terceira tentativa, com as ajudas carregadas e com o toiro a empurrar o forcado para o chão.

Daniel Reis pegou à quarta tentativa depois de na primeira, sair da cara após sofrer imensos derrotes, de na segunda não ter sido capaz de se agarrar e na terceira ter ficado agarrado mas fora da cara. Recusou-se a dar a volta a arena.

Pelo Grupo de Forcados Amadores de Alenquer, duas pegas à primeira tentativa. António Pedro citou seguro, mandou partir o toiro que acelerou logo no arranque. Ao sentir o forcado, levantou-o o mais que pôde e António Pedro aguentou sozinho uma viagem que só terminou nas tábuas e com o grupo a chegar tarde.

Ricardo Silva, teve de desfazer a primeira tentativa pois o toiro não partia, nem mesmo com a ajuda dos capotes. A história quase que se repetia mas o toiro lá partiu a velocidade máxima e fechou-se à córnea com o grupo a consumar a pega.

O Grupo de forcados Amadores de Arruda dos Vinhos levou o troféu para casa graças à segunda pega do grupo executada por Fábio Correia. Na primeira tentativa fez o cite mais bonito da noite, reuniu à barbela, o toiro derrotou uma barbaridade e o forcado passou para a córnea. Mais uma barbaridade de derrotes e Fábio Correia aguentou tudo sozinho sem que o grupo aparecesse para consumar. Por fim o forcado perdeu a cara e lá se foi um “pegão”.
À segunda o filme é idêntico do cite aos derrotes mas com um final feliz. O grupo tarde apareceu, o “pegão” com todo o mérito aconteceu e levantou a praça que aplaudiu com orgulho.

A primeira pelos Amadores de Arruda dos Vinhos foi Rodolfo Costa com uma pega à primeira, em que o toiro partiu franco e empurrou a direito o forcado para o grupo que consumou sem problemas.

Uma nota final de regozijo para o público de Arruda dos Vinhos que não arredou pé da praça enquanto os troféus não foram entregues.

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