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Emoções ao Rubro em Alcochete

Lides emocionantes e pegas duras marcaram a última noite de toiros das festas de Alcochete
19 de Agosto de 2011 - 13:15h Crónica por: - Fonte: - Visto: 1598
Emoções ao Rubro em Alcochete

        Foi com as bancadas a 3/4 que a praça de toiros de Alcochete assistiu à última corrida integrada nas festas do barrete verde e das salinas. Uma corrida agradável, onde houve interesse do inicio ao fim. Saiu à praça um curro de toiros de Ortigão Costa bastante homogéneo e bem apresentado mas de comportamento desigual. De excelente bravura o 1º, colaborador mas pouco mais que isso o 6º, de menos a mais o 3º, manso encastado o 4º, deixaram-se lidar o 2º e o 5º. Nos cavalos actuou Luís Rouxinol, que desenhou a melhor lide da noite frente ao primeiro da corrida e esteve valente e esforçado frente ao seu segundo, Manuel Lupi, que esteve empenhado frente a dois toiros que pouco lhe ofereceram e João Telles Jr., que esboçou uma lide de menos a mais no seu primeiro e uma excelente actuação frente ao segundo do seu lote. Nos forcados actuou o Aposento do Barrete Verde de Alcochete, com três pegas ao primeiro intento e o Aposento da Moita, com uma pega à primeira, uma à segunda e uma à terceira tentativa.

        A noite não podia começar de melhor forma para Luís Rouxinol, já que lhe saiu dos toriles um excelente exemplar de bravura. Este primeiro da corrida apresentou-se de pelagem negra, com 550Kg e com o nº 7 nas espáduas e o 26 nos lombos. Prontidão, mobilidade, fijeza na montada, fundo, nobreza e transmissão são, todas elas, aptidões que se podem apontar a este Ortigão Costa. Perante esta “matéria prima”, Rouxinol fez tudo aquilo a que nos tem habituado ao longo dos anos e desenhou a melhor lide da noite. Cravou dois excelentes compridos deixando o toiro tomar a iniciativa, nos curtos apostou nas curtas distâncias e cravou ferros bastante emotivos que rematou com piruetas e bregas ajustadas, pôs o ponto final na actuação com o habitual violino seguido do par de bandarilhas, deixando as bancadas de Alcochete em pé. Para a cara deste 1º da noite partiu Pedro Bicho, pelo Aposento do Barrete Verde de Alcochete, que consumou ao primeiro intento. 

        Bastante menos sorte teve Luís Rouxinol no segundo do seu lote, um negro bragado, nascido em 2007 e com 560Kg de peso. Se de trapio muito de positivo se podia apontar a este exemplar de Ortigão Costa, de comportamento pouco há de bom para dizer. Até revelar a sua mansidão, este 4º da noite possibilitou a Rouxinol a cravagem de ferros emotivos e carregados de transmissão mas quando a mansidão veio ao de cima, o toiro “fechou-se em tábuas” e quando de lá saía cortava terrenos e “arreava” depois dos ferros. Tarefa complicada para o toureiro de Pegões, que teve de "puxar do livro" para terminar de cravar a ferragem curta. Pelo Aposento da Moita, Diogo Gomes consumou à segunda tentativa numa pega rija, onde o forcado conseguiu aguentar a violenta reunião e a viagem “pelo grupo a dentro”.

        Manuel Lupi foi o que teve menos possibilidades de se luzir. Frente ao seu primeiro (2º da corrida), um negro, nascido em 2007 e de 590Kg bastante se esforçou, “arrancando” do toiro tudo o que este tinha para dar. Este Ortigão Costa era distraído, cortava terrenos e movimentava-se num trote descomposto, obrigando Lupi a encurtar distâncias e a arriscar bastante no momento da reunião. Desenhou uma lide de mérito mas que não chegou a “aquecer” as bancadas. Francisco Baltazar, pelo Aposento da Moita, consumou ao primeiro intento, numa pega exímia, entendendo-se com o toiro na perfeição no momento da reunião e em que teve braços para aguentar a dura viagem cheia de derrotes.

        Frente ao 5º da corrida, um negro listón, nascido em 2007 e que deu na balança 550Kg, Manuel Lupi ainda teve menos possibilidades de chegar aos tendidos. Este Ortigão Costa para além de ser distraído, não facilitava nada o desenhar das sortes. Umas vezes esperava pela montada até ao último momento, outras arrancava-se pronto mas “pregava travagens” justo antes da reunião. Frente a isto, Lupi andou correcto, sem cometer erros mas também sem nunca emocionar a afición de Alcochete. Pelo Aposento do Barrete Verde de Alcochete, partiu para a cara deste Ortigão Costa João Salvação Barreto, que efectuou uma pega fácil à primeira tentativa.

        Frente ao 3º da noite, um jabonero, nascido em 2007 e de 540kg de peso, João Telles Jr. desenhou uma lide que foi de menos a mais. Da ferragem comprida pouco há para contar e dos três primeiros curtos, apenas dizer que o toiro não punha emoção nas sortes e, como tal, a lide até aqui estava a ser bastante fria. Foi no 4º ferro comprido que, depois da reunião, o toiro começou a soltar a bravura que tinha dentro. Telles Jr. deu-se conta disso e decidiu cravar mais dois ferros, que resultaram bastante emotivos, com o cavaleiro a carregar as sortes e a cravar ao estribo. Diogo Timóteo, pelo Aposento do Barreto Verde de Alcochete, efectuou uma pega onde a reunião não foi a mais feliz mas em que o grupo ajudou bastante bem, permitindo que a sorte se consumasse ao primeiro intento.  

        Mas foi no 6º da noite que João Telles Jr. teve a sua melhor actuação. Este Ortigão Costa, um negro listón, nascido em 2007 e de 580Kg, mostrou-se colaborador, pronto e com grande fijeza na montada o que permitiu ao cavaleiro desenhar uma lide ao seu estilo. Não é que o toiro fosse excelente mas tomava a iniciativa no desenhar das sortes o que permitiu a João Telles Jr. cravar emocionantes ferros ao quiebro o que deixou as bancadas de Alcochete ao rubro. Terminou a excelente actuação com um ferro de palmo seguido de um violino no ressalto que deixou os tendidos loucos, pedindo com força outro ferro, que foi acertadamente concedido pela presidência. Mais um violino e mais uma vez as bancadas de Alcochete em pé a aplaudir. Para a cara deste último da noite partiu Nuno Inácio, pelo Aposento da Moita, mas após a dura primeira tentativa foi levado para a enfermaria. À dobra foi chamado José Maria Bettencourt, que depois de mais uma tentativa sem sucesso, consumou à 3ª numa excelente pega, composta por uma reunião violentíssima, onde o forcado se fechou na perfeição.

        Em bom plano esteve também Rouxinol Jr., que lidou um óptimo novilho de José Lupi antes de se dar inicio à corrida de toiros. O jovem mostrou que lhe corre nas veias sangue toureiro e desenhou uma excelente lide, colocando sempre o novilho em sorte sem a ajuda dos bandarilheiros, arrancando-se de frente, cravando “en todo lo alto” e adornando as sortes com maestria. Terminou a actuação como está habituado a ver o seu pai fazer, cravando um violino que o público aplaudiu com força. De tirar o chapéu a este jovem, esperamos que a sorte o acompanhe porque tem tudo para ser uma figura do toureio a cavalo. Numa pega em que participaram elementos dos dois grupos de forcados em praça, consumou à primeira tentativa Marcelo Loia, do Aposento do Barrete Verde de Alcochete.   

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