Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
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Ora toiro, ora toureio na mista de Lisboa

A corrida Vidas / Correio da Manhã foi teimosamente frustrante, sobram toiros e sobraram toureiros ontem em Lisboa!
04 de Maio de 2012 - 23:59h Crónica por: - Fonte: - Visto: 4854
Ora toiro, ora toureio na mista de Lisboa

A quinta-feira lisboeta foi acima de tudo uma noite de frustração. Quando houve toiro não houve toureio e vice-versa, quase sem excepção. Sem abusar da severidade, podemos dizer que a noite foi sóbria porque ainda teve os seus momentos a tirá-la do insonso. Foi tudo uma questão de sorte e de azar (digamos assim só para repartir as culpas).

Nem vale a pena dizer que “no mundo não tem boa sorte senão quem tem por boa a que tem”, citando Camões. Aqui se viu que nem por sombras a arte chega para fazer obra sem matéria-prima e que nem a melhor matéria-prima faz uma obra de arte.

O curro de São Torcato foi de estampa – toiros com trapio e a encher o olho mas que saíram teimosamente irregulares de comportamento, quase de proposito e só para contrariar...

Os indesejáveis mano-a-mano deixam-nos sempre de pé atrás. Foi assim que começou a noite com Sónia Matias e Ana Baptista. Aqui, porém, houve surpresa porque não foi assim tão mau.

Ao invés das sortes coladas a teias de aranha, notou-se uma certa empatia entre as duas. Coadjuvaram-se na escolha dos terrenos e andaram ambas absorvidas no conjunto estético (apesar de no início da lide que veio de menos a mais, não terem acertado logo o compasso). É verdade que pareceu ligeiramente forçada a trama de cada ferro mas o certo é que o conjunto não resultou mal. Ana Baptista esteve bem sem excepção em toda a lide e Sónia Matias sobressaiu em dois bons ferros. O toiro sim - um desperdício para lidar a duo, porque se arrancava pronto, com som e nobre (ora toiro, ora toureio).

Em singelo, Sónia Matias não esteve tão bem como prometeu na lide a duo. Da ferragem comprida resultou bem o segundo de praça a praça, após uma precipitação da cavaleira que a obrigou a cravar mal o primeiro que não ficou no sítio. Nos curtos, apesar das sortes frontais Sónia Matias não rompeu como podia frente ao colaborante São Torcado e quase todos os ferros tiveram uma reunião aliviada ou a cilhas passadas, à excepção do segundo que resultou bonito e sonante. Valeu-lhe a alegria que apôs na lide e a vibração da sua personalidade e aparência de boneca, para compensar a ortodoxia que, desta feita, não alcançou.

Ana Baptista, teve realmente o azar de lhe ter caído em sorte a “maçã podre” do curro. Começou de forma sonante com a ferragem comprida, mas dali nada podia fazer apesar dos esforços nítidos. Contudo, frente a um toiro que esperava muito, ficou por entender por que motivo optou pelas batidas ao piton contrário, comprometendo-se em demasia para obter reunião (o que lhe chegou a valer, um sonoro toque à garupa). A cavaleira não encolheu os ombros, isso é certo – tentou ao máximo entrar nos terrenos, mas frente ao comportamento deste toiro complicado (quem diz o contrário, não viu bem!), que ora foi andarilho ora se arrancava a castigar pouco ou nada mais podia ser feito.

Andou tranquila e empenhada mas os cinco ferros assim cravados não lhe valeram música nem a volta, que muito de acordo com o que lhe conhecemos, dignamente recusou.

Os Amadores do Ramo Grande tiveram uma noite plena. Pegaram três irmãos, os três toiros à primeira e foram os mais ovacionados ao atravessar o ruedo no fim da corrida. Não pôde deixar de ver-se que o grupo é muito unido, coeso e de muito treino, em cada pega surgiu o grupo como um todo.

A primeira pega esteve a cargo de Manuel Pires que cresceu perante a investida pronta do exemplar, aguentando para receber com decisão à córnea. Quer a primeira quer as segundas ajudas foram fulcrais e exemplarmente executadas.

Miguel Pires pegou o segundo toiro com igual desempenho exemplar. Com um cite sereno, o forcado carregou a sorte no momento certo e soube compensar os terrenos perante a investida hesitante do toiro. Fechou à barbela com decisão aguentando sem dificuldade o derrote por alto, voltando a ser notória a boa ajuda do grupo.

Por fim, na pega mais impressionante da noite foi à cara Nuno Pires. O toiro arrancou com pata para o forcado que ainda não tinha chegado aos médios no cite. Recuou e fechou-se à córnea e, desta vez sem a ajuda do grupo, ficou até tábuas na cara do exemplar.

 

O toureio apeado manteve a frustração (ora toiro, ora toureio). Foi primeiro Luís Procuna para o exemplar de 444kg, que tinha  qualidades para esta função: tinha força e som embora pouco recorrido. Mas o jovem moitense, além de umum quite de capote por verónicas e navarras e de um grande tércio de bandarilhas, não esteve superior na muleta. Ao espada não faltou raça ou cometimento. Faltou-lhe tranquilidade – assim como quem age por paixão mas sem amar. Deixou passar pelos muletazos um êxito que o temple lhe traria embalado na flanela. Não obstante, dir-se-á que Procuna cumpriu, zelou em rodar o toiro por ambos os pitons, com três séries pela mão direita e outras tantas por naturais e que acabou por resolver a investida nada suave deste exemplar.

No segundo exemplar que lhe coube a nobreza não era tão sonora e a prestação de Luís Procuna pôde sobressair mais. Por verónicas e chicuelinas, o diestro cumpriu com o capote. Nas espectaculares bandarilhas, ainda num momento escorregou, valendo-lhe oportuno quite de Maurício do Vale mas nem assim com desprestígio para a sorte em que o espada é, de facto, exímio.

Na muleta as tandas surtiram algum efeito. Encontrando pelo lado esquerdo o piton mais suave, Procuna fez por aproveitar logrando cumprir. Escutou música e deu a volta ao ruedo, ao contrário do que se havia passado com o primeiro. 

Ainda bem que o lote que coube a David Mora foi difícil. Tenho para mim, que Lisboa tem por hábito ser ingrata e perante as facilidades nunca é unânime em atribuir triunfos. Assim foi melhor: David Mora não triunfou, não senhor – mas adquiriu em direito irrevogável a regressar porque esteve muito consistente. No primeiro toiro, encantou-nos com o capote. As verónicas surgiram bordadas de tal maneira que cada investida pareceu o fluir de um licor doce. Foi neste seu primeiro tércio que pôde expor-nos a sua estética – sublime! 

Depois acabou a estética. Sobrou imenso toureio face à escassez da investida, pouca profundidade e pouca nobreza deste e do seguinte exemplar. Mora andou poderoso ao tourear com absoluta verdade, sem que uma única vez se tivesse tapado. Parecia, a cada passagem pela flanela que perdoava ambos os oponentes por não terem mais para dar. Deu-lhes o que pediam, ensinou-os o mais que pôde e não abreviou, em momento nenhum o que muitos outros teriam abreviado.

Mesmo depois de já ter mostrado muito no primeiro toiro, David Mora voltou a por tudo em jogo e iniciou a muleta de joelhos. Tranquilo, conduziu-se aos médios e encetou não longas mas várias séries em que andou arrimado sempre entre os pitons do toiro, que era bonito mas sem classe. Não esqueçamos, que o diestro veio a Lisboa antes de um importante compromisso, e, nem por isso, ousou defraudar-nos...

De notar ainda esta noite, o desempenho do director de corrida Agostinho Borges que, sem pecado, permitiu música a quem tinha que atribuir e a recusou quando devia... Numa noite em que três dos estagiários em concurso para a função o acompanharam, não podiamos ter visto melhor exemplo!!!

A noite passou. Sentido minuto de silêncio aos falecidos, sentida congratulação ao 80º aniversário do Grupo Tauromáquico Sector 1, sentidos brindes oferecidos a quem teve perdas recentes ou algo a comemorar, são gestos não despiciendos. A gente da festa é boa gente, às vezes, quase parecemos uma grande família.

 

Fotos da corrida Vidas / Correio da Manhã

Reportagem fotográfica da Corrida Vidas / Correio da manhã, no Campo Pequeno com Sónia Matias, Ana Batista, Luis Procuna e David Mora. Forcados do Ramo Grande e Toiros São Torcato
04 de Maio de 2012 - 21:00h Galeria fotográfica por: Flávio Oliveira
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