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Uma Noite de Sonho de António Telles na Palha Blanco

O cavaleiro da Torrinha teve uma noite em que dominou todos os momentos de cada lide, com a perfeição em cada pormenor, houve toureio sério e a sério na Palha Blanco... de António Ribeiro Telles. Um triunfo inesquecível!
10 de Outubro de 2012 - 16:12h Crónica por: - Fonte: - Visto: 1917
Uma Noite de Sonho de António Telles na Palha Blanco

Ontem a Palha Blanco teimou em não defraudar quem a visita. E foram ¾ de casa quem o fizeram, para assistir a um “corridão”, com um curro Palha cumpridor e exigente, que apesar de carecer em apresentação, transmitiu que se fartou e proporcionou grandes momentos de toureio.

E esses grandes momentos são exclusivos da noite de sonho com que António Ribeiro Telles deleitou as bancadas. Deveria ser obrigatório que o país assistisse ao que se passou em Vila Franca. É entristecedor constatar que não poderemos rever a corrida de várias câmaras e ângulos, em contraste com outras tantas que banhadas pela vulgaridade, tiveram direito a transmissões e que nada deixaram para lembrar.

A noite de 9 de Outubro de 2012 eterniza na memória uma passagem de absoluta classe, de toureio puro e sem defeito algum, do cavaleiro da Torrinha pela Palha Blanco. Telles esgotou a paciência do Tejo, que de tantos aplausos que ouvira, quis galgar as margens para também ele poder espreitar o momento.

E como tudo correu na perfeição ao cavaleiro da Torrinha…toureou a gosto, mostrou um entrosamento irrepreensível com a quadrilha, uma ligação permanente com os oponentes, enorme emoção nas sortes, quer nos compridos, quer nos curtos. Foi uma noite de uma elegante perfeição, em que bastaria a brega empregue nas três reses para valer cada cêntimo do preço do bilhete, pautada por uma criterioso e de aparente facilidade na escolha dos terrenos. Não satisfeito, as actuações foram sempre em crescendo, mesmo quando parecia que daquele patamar não se podia subir mais, António Telles fez o favor a quem assistiu, de suplantar cada actuação anterior. Se houvesse quarto…

Recebeu à porta gaiola o primeiro da noite, com 490Kg e de péssima apresentação, mas que cumpriu, apesar de se querer esgueirar à primeira oportunidade. O cavaleiro da Torrinha não lhe deu nunca essa chance. Encurtou distâncias e selecionou os terrenos, e sempre ligado ao astado moldou-lhe o carácter, cravando milimetricamente ao estribo e rematando com o oponente envolvido.
Com 510Kg de peso surgiu o terceiro da corrida, de uma apresentação a rondar o razoável e com menos génio que o anterior, mas de comportamento a menos no decorrer da lide. Logo nos compridos merecia banda, tal era o acoplamento com o oponente e a sobreposição das cravagens na cruz. Nos curtos citou de frente e cravou sem mácula a ferragem, sempre no centro da sorte, tirando partido da disponibilidade do astado.
E quando tudo parecia já não ser suplantável, o quinto surgiu em praça com 525Kg de peso, de uma entrega ao confronto permanente, com prontidão na viagem, humilhando a reunir e carregando a rematar. António Ribeiro Telles deu-lhe a primazia do arranque, o oponente nunca rejeitou, e as sortes foram todas centradas e vibrantes, colocações exactas e nos médios, com a Palha Blanco de pé, pois acabara de presenciar a perfeição.
Em nenhuma das actuações houve ferros extra que causassem um prolongamento desnecessário das lides. O cavaleiro da Torrinha teve uma noite em que dominou todos os momentos de cada lide. Houve toureio sério e a sério na Palha Blanco… de António Ribeiro Telles. Um triunfo inesquecível!

João Salgueiro teve uma noite incompreensivelmente desastrada. A noite queria-se de competição e Salgueiro apenas encheu cartel. No primeiro da ordem, teve por diante um oponente de 500Kg de peso que lhe causou dificuldades e que colheu com violência e enorme risco o cavaleiro de Valada.
O quarto apresentou-se também ele com 500kg mas Salgueiro nunca se encontrou. Sofreu toques, ferros falhados e outros tantos que não fixaram. É de igual descrição a actuação ao sexto da noite com 485kg de peso, com muito fundo, daqueles que permitem triunfos, mas que foi desperdiçado por Salgueiro.

Os Amadores de Vila Franca comemoraram os 80 anos de vida com uma noite dura. O rabejador Carlos Silva voltou mais uma vez a destacar-se, recebendo apalusos pela à vontade, qualidade e espectacularidade com que se apresenta em praça.
Rui Graça foi para a cara do primeiro da corrida e fechou-se à barbela ao segundo intento.
Pedro Castelo tinha por diante o segundo da corrida cheio de maldade. Na primeira tentativa o oponente abalroou todo o grupo, pegando de forma rija e à córnea na segunda tentativa.
Ricardo Patusco citou com o grupo a dar vantagens e fechou-se à córnea ao segundo intento.
Márcio Francisco também ele pegou ao segundo intento e à córnea, perante um astado que arrancava com prontidão, com pata e que embateu com violência.
O cernelheiro João Maria Santos e o rabejador Carlos Silva efectuaram uma boa pega de cernelha à segunda tentativa, diante um oponente sempre com sentido na dupla, impedindo que se deixasse encabrestar.
Fechou a noite na Palha Blanco Rui Godinho ao segundo intento, que dobrou Bruno Casquinha.

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