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Luis Rouxinol voa bem alto na terceira em Setúbal

Tarde agradavel de toiros na Centenária "Carlos Relvas"
15 de Outubro de 2012 - 22:52h Crónica por: - Fonte: - Visto: 1131
Luis Rouxinol voa bem alto na terceira em Setúbal

Realizou-se ontem na Centenária Praça de Toiros “Carlos Relvas”, uma corrida de toiros, que consistiu num mano a mano entre duas mais importantes Figuras do Panorama Taurino Mundial, como são o caso de João Moura e Luis Rouxinol, sendo o cartel completado por dois Grupos de Forcados Amadores de Montemor e Montijo, grupos com bastantes provas dadas do seu inequívoco valor, e os toiros de uma das Ganadarias de maior Prestígio como é a Ganadaria Passanha.

È precisamente pela Ganadaria Passanha que começamos esta crónica apresentando aqui a mesma, embora saiba que para a maior parte dos aficionados não seja muito relevante apresentar o seu historial, mas como nem todos estão por dentro de tudo o que é importante no meio taurino, aqui fica pois um resumo da História desta Ganadaria

A Ganadaria Passanha

Esta Ganadaria foi fundada por D. Diogo Passanha, tendo inicialmente como ferro um S dentro de um círculo e a divisa amarelo, azul e branco e posteriormente com divisa azul e encarnado. Sem sinal de orelhas, tinha a antiguidade de 1944 quando as reses  eram  de procedência Soler e Urquijo.

Mais tarde, desistiu da primeira procedência e ficou com a segunda, e a ganadaria passou a ter a antiguidade de 03 de setembro de 1972. Em 1950 foram adquiridas vacas e sementais à ganadaria Urquijo e até ao ano de 1970 o ferro manteve-se com a sua pureza inicial.

Era então as reses lidadas com o ferro Soler e por morte de D. Diogo Passanha (avô do atual proprietário D. João Passanha), o seu filho D. Luís Passanha adquiriu o segundo ferro à Condensa de “Las Atalayas”, o qual já se encontrava inscrito na Union de Criadores de Toros de Lídia. Assim a partir de 1970 os toiros começaram a ser lidados com o atual ferro.

O efetivo pasta no Monte da Pina, freguesia de Nossa Senhora da Tourega, São Brás do Regedouro, concelho de Évora.

Como é apanágio dos Proprietários desta Ganadaria, hoje saíu à arena da Centenária Praça de Toiros, um curro com idade, trapio e nobreza, destacando-se três toiros com melhor nota que os restantes, mas dentro destes três o melhor de todos foi sem duvida o exemplar lidado em sexto lugar, mas ao descrever lide a lide, iremos falando também de cada exemplar.

Com cerca de meia casa, realizou-se a última corrida de toiros da temporada na cidade de Setúbal, tarde agradável para uma corrida de toiros, embora o céu se
apresentasse em certos momentos muito nublado, pairando a dúvida se iria ou não chover, pois de manhã ainda choveu, facto que poderá ter levado alguns
aficionados a não arriscarem ir à corrida. Porém o tempo permitiu a realização da corrida sem que chovesse.

 João Moura, lidou o primeiro toiro da tarde com o peso de 495 quilos, número 28 e quatro anos de idade, um toiro bem apresentado, um pouco fechado de córnea. Praticou perante este exemplar uma lide bem agradável, com boa brega a duas pistas ou em momentos de ladeio, tendo deixado alguns ferros de bonito efeito e bom recorte toureiro, nos compridos destaco o segundo, pois o primeiro ficou ligeiramente descaído, na série dos curtos cravou quatro ferros com destaque para o segundo, terceiro e quarto ferros, sendo este último o melhor de todos. A pedido insistente do público deixou um farto de palmo ou palmito de bota nota. Atuação de bom nível

Luis Rouxinol, lidou o segundo toiro da tarde com o peso de 455 quilos, o número 08 e quatro anos de idade, perante este executou uma lide muito cuidada com boa brega, bons cites, estando sempre correto no momento das reuniões, cravou uma série de três ferros compridos com destaque para segundo e terceiro, na série dos curtos cravou quatro ferros com destaque para os rês primeiros. Terminou a lide com um ferro de palmo ou palmito em sorte por dentro. Atuação de bom nível.

João Moura, lidou o terceiro toiro da tarde com o peso de 508 quilos, o número 30 e quatro anos,perante o qual executou uma lide dentro do estilo da anterior, mas mais fraca, chegando menos às bancadas o seu tipo de toureio. Foi um atuação menos conseguida que a sua primeira. Na série dos compridos cravou dois ferros dos quais destaco o segundo. Na série dos curtos cravou quatro ferros, com destaque para o segundo, terminou a lide comum ferro de palmo de boa nota.

Luis Roxinol, lidou o quarto toiro da tarde com o peso de 440 quilos, o número 71 e 4 anos de idade, uma vez mais o cavaleiro das Faias, executou uma vistosa brega, estando bem nos cites e nas reuniões, cravou três ferros compridos com destaque primeiro e terceiro, na série dos curtos cravou quatro bons ferros o terceiro que foi o melhor de todos, terminou a lide com um par a duas mãos de muito boa colocação e por fim a pedido insistente por público cravou um palmito. Atuação de êxito

João Moura, lidou o quinto toiro com o peso de 490 quilos e quatro anos, um toiro preto meano. Neste quinto toiro que até não era muito mau, vimos um João Moura diferente das duas anteriores atuações, muito abaixo do que tinha feito anteriormente e também distante das suas grandes tardes. Na série de dois compridos, destaco o segundo dado que o primeiro ficou ligeiramente descaído. Na série dos curtos cravou quatro ferros de boa colocação, mas pouco bregou perante este seu exemplar, socorrendo-se muito da colaboração de um dos seus bandarilheiros para lhe deixar em sorte o seu oponente, acabou a sua prestação ao cravar três bons ferros de palmo.

Luis Rouxinol, lidou o sexto e último da tarde, um toiro com o peso de 479 quilos, número 77 e 4 anos de idade. Cravou como é seu hábito uma vez mais três ferros compridos, com realce para o primeiro, na série dos curtos cravou quatro ferros, destacando-se o segundo, terceiro e quarto, terminou a sua atuação  cravando de novo um excelente par a duas mãos e por  fim a pedido insistente do público cravou um ferro de palmo de muito boa qualidade.

No que concerne à atuação dos dois Grupos de Forcados, podemos dizer que não sentiram grandes dificuldades perante este curro de Passanha, pois conseguiram pegar cinco à primeira e um  à segunda.

O Grupo de Montemor, que é comandado por João Maria Cortes, pegou o primeiro, terceiro e quinto respetivamente.

No primeiro foi à cara o forcado António Vacas de Carvalho, que se fechou e muito bem no centro do redondel à primeira tentativa, reunindo e recuando bem, sendo bem ajudado pelo grupo;

No terceiro foi forcado da cara Joel Cardoso que só consumou a pega ao segundo intento com boa ajuda do grupo;

No quinto foi forcado da cara João Cabral, que esteve muito bem a citar, recuar e a fechar-se à córnea, executando uma pega de nível e sendo bem ajudado pelo grupo.

O Grupo do Montijo, que é comandado por Ricardo Figueiredo, pegou o segundo, quarto e sexto toiros.

No segundo foi forcado da cara Isidoro Cirne, que se fechou bem à primeira, sendo bem ajudado pelo grupo.

No quarto foi forcado da cara Fabio Siqnique que com boa ajuda se fechou à primeira

No sexto foi forcado da cara Ricardo Almeida que consumou uma grande pega sendo muito bem ajudado pelo grupo com destaque para o primeiro ajuda.

Todos os artistas deram volta à praça.

No último toiro foi convidado o Representante da Ganadaria Diogo Passanha, a dar a volta à arena na companhia do cavaleiro, do forcado da cara e o primeiro ajuda

Em todos os toiros o Delegado do IGAC concedeu musica, nem sempre com o mesmo critério, e não sabemos o porquê?

A corrida foi dirigida pelo Senhor Pedro Reinard, delegado do Igac, assessorado pelo Dr. Patacho Matos, Médico Veterinário.

A Corrida foi abrilhantada pela Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete.

No intervalo foi descerrada uma placa de mármore como agradecimento ao Empresário Senhor João Pedro Bolota, por ter pegado nos destinos da praça de Setúbal e por ter feito os melhoramentos que entendeu serem necessários para que a mesma podesse ficar mais bonita e cómoda. Esta placa serviu igualmente para assinalar a passagem dos 25 anos de alternativa do cavaleiro Luis Rouxinol.

 

 

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