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A noite dos Vigouroux em Samora Correia

Praça cheia e um curro de toiros Canas Vigouroux de 3 anos que impôs respeito. Ferros históricos de Filipe Gonçalves e a confirmação de que Sónia Matias atravessa um momento brilhante.
20 de Agosto de 2013 - 23:16h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 2156
A noite dos Vigouroux em Samora Correia

Noite de toiros em Samora Correia, com praça cheia e o termómetro estabilizados nos 26ºC.

Um curro de toiros Canas Vigouroux de 3 anos de idade que impôs respeito, dificuldades, transmitiu que se fartou, apesar do comportamento díspar. Dois jaboneros e quatro negros, pata e mais pata, deram água pela barba à terna de cavaleiros, tanta que foi a emoção na desmontável de Samora Correia.

A noite teve a confirmação de que Sónia Matias atravessa um momento brilhante. Resolve e dá a volta a tudo o que enfrenta. Contorna as dificuldades do que tem por diante. Ajusta-se aos oponentes e deixou a concorrência a um canto. Houve duas lides de grande ofício de Luís Rouxinol e a segunda de Filipe Gonçalves que de Furacão Algarvio passou na segunda lide a Maestro de Verdade e pôs ferros históricos (os melhores de toda a corrida), que obrigaram a desmontável de Samora Correia a agarrar-se aos assentos e a inspirar sonoramente de medo e emoção.

Noite também dura para a forcadagem, pois o curro Canas Vigouroux tinha 3 anos mas não facilitou em nada, partia com determinação para o forcado da cara, impondo respeito, muito respeito, com os Amadores do Ribatejo e da Chamusca a fazerem pela vida e a proporcionarem excelentes momentos.

Em suma, uma noite de toiros foi o que teve Samora Correia. Houve toureiros e forcados. Houve também capotes a mais na arena e alguém exclamou “paguei para ver toureio a cavalo e não uma corrida mista”.

Abriu praça o cavaleiro Luís Rouxinol diante de um negro andarilho, escorrido de carnes, que nunca parou um instante e que levou um tratamento exagerado da quadrilha durante toda a lide. Rouxinol teve de se fazer ao oponente, pisar-lhe os terrenos mas as sortes nem sempre resultaram. No terceiro da corrida, outro negro que só partia pela certa, tapava-se o mais que podia, mas sempre em sentido com a montada para se adiantar assim que esta abrandava a marcha. A brega do de Pegões esteve no melhor nível que se lhe exige, diante um complicadíssimo oponente e o quarto curto foi o ferro em que dominou todos os momentos. Partiu e pisou-lhe os terrenos e deixou ao estribo. Terminou com um par de bandarilhas.

Sónia Matias não se fez rogada e dentro da discrição que lhe é habitual, deu cabo da concorrência. O segundo da noite era um jabonero, que foi bravo desde a saída até à pega. A praça era o seu território e ai de quem a tentasse pisar. Logo ao segundo comprido Sónia mereceu banda, pareceu um curto, de frente, ao estribo e rematado com igual exigência. A quadrilha tentou levar-lhe a casta, mas haja alguém que lhes diga que não se pode estancar a bravura, quando esta é inata. Sónia Matias não se deixou intimidar, e efectuou uma lide correctíssima diante de emotivas reuniões, com o “Canas” sempre a empregar-se nos ferros. No quarto apanhou um negro que manseou de saída, mas tanto capote levou, que as tábuas passaram a ser o seu local predileto. Mais uma vez, Sónia tirou-o sempre de tábuas, tratou de o colocar nos médios, encurtou as distâncias nos cites, e resolveu com uma aparente facilidade os problemas, deixando a ferragem com um cunho qualitativo muito forte. Bela noite de Sónia Matias em Samora Correia.

Filipe Gonçalves tem dois momentos distintos. Diante do terceiro, um negro mal visto que acusava a inferioridade pelo piton direito, deu-lhe a lide do costume. Dois compridos, 4 curtos, o bate palmas entra em praça e cá vai disto. No último tem ali matéria que merece ser revista. O oponente reservado não tinha ponta de maldade, só não queria que lhe pisassem os terrenos. Filipe Gonçalves ainda tentou dar-lhe o tratamento de sempre, mas percebeu que não tinha alternativa e prova-lhe a malícia, com um primeiro curto que roçou a perfeição. Ora então, os segundo e terceiro curtos são históricos e os melhores de toda a corrida. Entrou toiro a dentro, sempre de frente e na velocidade certa. A praça em silêncio pois a colhida era iminente, e deixa dois ferros com reuniões ao estribo, com a cornamenta do jabonero a efectuar secantes ao estribo da montada, e com o inspirar uníssono de emoção e de medo, a ser bem audível das bancadas. O quarto só não foi igual aos anteriores por que o oponente pareceu-me ter escorregado ligeiramente e obrigou à má colocação do ferro, mas a praça voltou a ranger os dentes de novo. Foram só quatro curtos mas o Furacão Algarvio fez talvez a melhor lide qua alguma vez lhe vi e que gostaria de ver de novo.

Quanto aos homens das jaquetas, o cabo dos Amadores do Ribatejo, João Machacaz foi para a cara do primeiro da noite, Fechou-se de forma rija na córnea ao primeiro intento. Quando o grupo consumou apercebeu-se que o cabo estava sem sentidos sobre o oponente. João Machacaz pegou exemplarmente e ficou trancado no oponente. Temeu-se por instantes o pior, e após alguns minutos, o cabo dos Amadores do Ribatejo voltou a si, refez-se do susto e devolveu a tranquilidade à desmontável de Samora Correia. Mário Gonçalves consumou à primeira tentativa, numa rija barbela até tábulas onde o grupo embateu com violência. Sérgio Carmo fechou-se na córnea à segunda, com o toiro a atravessar o grupo.

Pelos Amadores da Chamusca, Manu Injai pegou à terceira tentativa. Igor Pita viu o toiro arrancar pronto e com pata, alapou-se à córnea, a viagem furou o grupo e apesar da violência, o Canas nunca conseguiu tirar o forcado, até o grupo aparecer para consumar. Fechou a corrida Diogo Cruz ao quarto intento.

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