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Corrida de homenagem ao Sr Engº Joaquim Murteira Grave

Realizou-se no passado dia 19 de Junho, às 22h00, na Arena de Évora, uma corrida de touros em homenagem ao Eng. Joaquim Murteira Grave, que infelizmente nos deixou no passado dia 18 de Outubro de 2012.
21 de Julho de 2013 - 15:13h Crónica por: - Fonte: - Visto: 1324
Corrida de homenagem ao Sr Engº Joaquim Murteira Grave

Realizou-se no passado dia 19 de Junho, às 22h00, na Arena de Évora, uma corrida de touros em homenagem ao Eng. Joaquim Murteira Grave, que infelizmente nos deixou no passado dia 18 de Outubro de 2012.

As principais expectativas do espectáculo prendiam-se com um imponente, e criteriosamente selecionado curro de touros Grave, com idade, peso e trapio. Foram lidados pelos cavaleiros João Telles Jr., Francisco Palha e João Salgueiro da Costa. Um cartel jovem com vontade de triunfar. Para pegar os Graves, estiveram na Arena de Évora os forcados Amadores de Santarém e Évora. Foi diretor de corrida o Sr. Manuel Gama, assessorado pelo Dr. Veterinário Feliciano Reis.

O Engenheiro Joaquim Murteira Grave foi, e será sempre uma figura ícone da tauromaquia nacional. Dedicou a sua vida à criação e selecção do toiro bravo de lide em Portugal. Foram muitos os prémios conquistados como reconhecimento do seu trabalho. Legado, que o seu filho e homónimo, Dr. Joaquim Murteira Grave tem dado continuidade. Não só tem sido relevante o seu trabalho de campo, como também através da publicação literária, que muito tem contribuído para o conhecimento dos aficionados Portugueses. A ambos, o nosso muito obrigado.

A corrida iniciou-se com 5 minutos de atraso e com 2/3 de casa, facto incompreensível numa causa tão nobre, onde casa cheia seria o exigido. O espectáculo demorou aproximadamente 3 horas.  

Abriu praça o cavaleiro João Telles Jr., que no seu 1º toiro, um toiro preto com o número 149 e 500 kg de peso, brindou ao ganadeiro. O João Telles Jr. está num excelente momento de forma e conta com uma quadra de cavalos, ampla, que lhe dá muita confiança, e chegou a Évora com “ganas de triunfo” mas pela seriedade e comportamento dos touros as sua atuações não estiveram ao nível do que esta época nos tem proporcionado.

Recebeu o primeiro toiro em sorte gaiola à saída dos curros, mas o toiro saiu algo reservado e não proporcionou a emoção que esta sorte normalmente transmite. O cavaleiro da torrinha cravou no sítio, dois bons ferros compridos. Trocou de montada para os ferros curtos e cravou bons ferros a um toiro nobre que se deixava lidar e que vinha pelo seu caminho, à voz do toureiro. O público pediu e o cavaleiro cravou seis ferros curtos, no último, que parecia ser a mais, resultou mesmo no melhor ferro da lide. Cavaleiro e forcado dão volta com chamada do primeiro ajuda à arena.

O seu segundo exemplar, com o nº 115 e 545 Kg era um toiro mesmo muito bonito. Uma estampa! Infelizmente o seu comportamento não coincidiu com a sua beleza. Era manso e rapidamente ganhou sentido, no primeiro comprido resultou uma passagem em falso e com forte toque na montada, o João Telles emendou-se e cravou dois bons ferros compridos. Na ferragem curta esteve correto, mas ainda sofreu mais um toque na montada. O toiro quando investia era para colher, e nunca teve uma investida franca. Forcado e cavaleiro dão volta.

Francisco Palha foi o segundo da ordem e lidou o exemplar com o número 117 e com 490kg de peso, bem apresentado, algo distraído, mas, em nossa opinião, o mais bravo e encastado da corrida. O cavaleiro cravou dois bons ferros compridos, num toiro que tinha uma mangada alta ao ponto de, e curiosamente, “sacar” da mão do cavaleiro o ferro que já tinha sido cravado.
Na ferragem curta, o cavaleiro consentiu alguns toques, nunca se entendeu com a investida do toiro. No 5º ferro o toque foi violento, e o cavaleiro caiu da montada, felizmente sem consequências para o cavalo e cavaleiro. De realçar o 3º ferro que teve emoção. Forcado e cavaleiro não deram volta.

No segundo do seu lote, mais um bonito toiro, e que impunha respeito, com o número 145 e 570Kg de peso. Francisco Palha esteve melhor nesta sua 2ª atuação. Esteve correto nos compridos, mas nos ferros curtos o touro começou a fechar-se em tábuas e pedia que lhe pisassem os terrenos. O Francisco percebeu essa necessidade e arriscou como é seu timbre. A lide resultou. Volta para cavaleiro e forcado.

O João Salgueiro da Costa foi o terceiro cavaleiro em praça que lidou o terceiro e sexto toiro da ordem. O seu primeiro com o nº 78 e 510kg de peso, era um toiro bonito que entrou em praça com pata, mas ao primeiro ferro acusou o castigo, e já não veio tão pronto. O primeiro ferro comprido foi bom, mas o segundo ficou algo descaído. O cavaleiro trocou de montada para a ferragem curta, e sentiu dificuldades em fixar o touro que era algo andarilho, houve algumas passagens em falso. Posteriormente começou a compreendê-lo melhor, e o compasso de espera que fez antes da investida do touro resultou. Achamos que a lide foi um pouco extensa, mas teve um 3º bom ferro curto com o toiro em tábuas. Só o forcado e o 1º ajuda deram volta.

No seu segundo toiro e último da corrida com o nº 94 e com 540Kg, que era, tal como todos os outros, bonito, rematado, mas manso. Nos compridos o 1º foi bom, de praça a praça e o segundo ficou algo descaído. No que respeita à ferragem curta, o 1º foi um bom ferro e rematado por dentro, esteve bem na brega, a ladear com o toiro na garupa, e esteve regular nos restantes ferros curtos. Forcado e cavaleiro não dão volta.

No capítulo dos forcados abriu praça o grupo de forcados amadores de Santarém. Foi para a cara do primeiro Grave o Forcado  António Grave de Jesus, brindou ao ganadeiro, deu vantagens com o grupo bem atrás. No momento em que carregou a sorte o toiro distraiuse com algum movimento na bancada, mas o forcado corrigiu e pegou muito bem à primeira tentativa e com o grupo a ajudar bem.

Para o terceiro toiro da noite foi o forcado João Brito. Brindou ao futuro cabo de Montemor, António Vacas de Carvalho e a alguns elementos do grupo de Montemor, brinde importante devido ao momento de dor, e perda que infelizmente atravessam. Deu vantagens com o grupo fechado em tábuas como um cacho. O forcado foi buscar o toiro a terrenos já de muito compromisso, recuou muito, e bem, e consumou uma grande e rija pega à primeira tentativa. A pega foi muito bem rematada pelo rabejador. Neste caso, e como em tantos outros, que acontecem pelas praças do nosso pais, os bons forcados têm a capacidade de tornar fácil e vistoso o que nalgumas situações é um problema perigoso e difícil de resolver.

Fechou a noite pelos escalabitanos o forcado João Torres Vaz Freire que brindou ao colega que abriu praça, e ao céu. O forcado fez tudo bem feito num toiro com uma mangada impressionantemente alta, encheu a cara ao toiro e aguentou tudo, foi muito bem ajudado e fez também uma grande pega. O grupo de Santarém pegou três toiros à primeira tentativa com duas grandes pegas, e com duas grandes primeiras ajudas do experiente forcado Nelson Ramalho.

Pelo grupo de Forcados Amadores de Évora foi para a cara do segundo toiro da noite o forcado Ricardo Sousa. Brindou ao ganadeiro, deu vantagens a um toiro sério que se adivinhava que viesse solto e com pata. O forcado esteve grande, aguentou o primeiro derrote violentíssimo e saiu desfeiteado, à segunda foi mais do mesmo. Pegou à terceira com as ajudas carregadas.

Para pegar o quarto toiro foi cara o forcado João Oliveira, para nós a pega da noite. O toiro foi crescendo com a lide, e na altura da pega estava “inteiro”, porque durante a lide, nunca se empregou. O forcado fez tudo bem, deu vantagens e quando carregou a sorte o toiro veio com pata, para uma reunião violentíssima que resultou numa rija e enorme pega. Passou pelo grupo, e até o grupo se recompor, o forcado aguentou uma eternidade, o grupo ajudou bem, e como pôde, perante a investida vigorosa do toiro. Seguramente será uma das melhores pegas da época.

Fechou a atuação do grupo de Évora o forcado  José Miguel Martins. Forcado jovem que brindou ao Colega Manuel Rovisco Paes. Deu vantagens a um toiro que seria difícil “arrancá-lo” de tábuas. Achamos que o forcado devia ter desfeito a primeira tentativa, e mudado os terrenos ao toiro, mas é fácil opinar quando se está de fora. O toiro arrancou-se e colheu o forcado, pegou à terceira com as ajudas carregadas.

Ao intervalo, foram à arena, representantes da Câmara Municipal de Évora, e da Empresa Campo e Praça, bem como  todos os intervenientes no espectáculo,  que prestaram uma sentida e justa homenagem, não só ao homenageado, Senhor Engenheiro Joaquim Murteira Grave, bem como a toda a sua família e ganadaria. Foi edificada uma placa na arena de Évora para a posteridade, e foram cantados dois fados.

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