Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
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Sem toiros, foi morna a noite de Lisboa

Com o Campo Pequeno cheio, não houve toiros e pouco houve de toureiros. Valeu a segunda lide de António Telles e uns rasgos de Miguel Moura na primeira. Os Amadores de Lisboa consumaram em casa uma noite à primeira.
06 de Setembro de 2013 - 23:59h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1623
Sem toiros, foi morna a noite de Lisboa

O Campo Pequeno encheu-se para a corrida de ontem, de um público que se deslocou ao tauródromo da capital para ver Pablo Hermoso e que saiu com pouco, ou quase nada que lhe fique na memória.

Mas antes das cortesias, e quando a casa ainda se acomodava aos poucos nos assentos, o regozijo pelas bancadas se encontrarem cheias tomava conta dos presentes. Escutei uma conversa entre dois conhecidos que se cumprimentavam. “Isto sim uma casa a sério. É disto que a gente precisa, de cartéis a sério e temos de deixar de embarcar em fantasias.”

É curioso constatar que o público julga-se embarcado em fantasias. Cartéis a sério? Pois, não há como negar. Fantasioso é não constatar que o público desloca-se para ver determinado toureiro e que hoje em Portugal, as figuras são os rejoneadores espanhóis. O rejoneio tomou conta da tauromaquia nacional. Até os nossos marialvas, principalmente a maioria dos ‘novos valores’, a ele se subjugaram, pois constatam que é daí que podem actualmente atrair público e rendimentos.

E quanto a toiros? Bem, isso é de somenos e não é por essa batuta que o público pauta a seriedade dos cartéis. O público pouco se importa antes da corrida com esse factor. Querem primeiro piruetas e a bravura é um dado menor. O problema é quando a mansidão nem com arreões se destapa. Aí está o caldo entornado, pois nem com piruetas as bancadas se satisfazem. E foi o que aconteceu ontem em Lisboa. Os Passanhas não tiveram mobilidade. Bravura? Nem vê-la. Investir? Isso é que era bom. Remates das sortes, qual quê? E o resultado foi uma corrida que passou da expectativa, à desilusão, num ápice. E para quem não embarcou em fantasias, embarcou então noutra coisa qualquer.

Posto isto, António Telles abriu a contenda diante de 554Kg feitos de marasmo. Se nos compridos aproveitou na perfeição a parca condição do ‘oponente’ (merecia banda logo ao 2º e colocou um total de 3), nos curtos viu-se e desejou-se na brega, sempre sem auxílios externos para selecionar os terrenos. A ausência de música na lide é incompreensível. É certo que não foi a lide mais redonda do Maestro da Torrinha, e que levou toques no primeiro curto e no último, mas mais certo é o critério com que preparou cada sorte e de frente se fez às mesmas, sem nunca enganar qualquer investida. No quarto não havia como negar banda. António Telles deixou quem quis, e quem não quis, de água na boca para os próximos confrontos que se avizinham. Uma lide de classe e toreria, que se conta de forma simples e sem ‘rodriguinhos’. Ligação permanente com o hastado, selecção criteriosa de terrenos, cites terra-a-terra, de frente e pisando os terrenos do oponente, cravou de alto a baixo.

Pablo Hermoso é uma Figura, talvez aquela que maior público tem no encalço. E o público tudo lhe perdoa. Recebe toques aqui e acolá, que de pouco, ou mesmo nada importam a quem assiste. No primeiro do lote ainda deu um ar da sua graça, ao reunir com os quiebros elegantes e subtis. No primeiro curto ainda ladeou sem grande temple, mas foi tudo o que conseguiu nesse domínio, pois o Passanha nunca mais se prestou a tal comportamento. Cumpriu o resto da lide sem o brilhantismo que se lhe exige, mas ainda havia mais um toiro, e as bancadas como que aqueciam os motores. Motores que refrigeraram por completo no quinto. Um manso que das tábuas quase nunca saiu e que não permitiu ao rejoneador de Navarra usar o seu manancial. Ainda apareceu no ruedo para colocar 3 palmitos, mas aí já o Campo Pequeno tinha perdido a paciência e nada mais quis. No final da última lide de Pablo Hermoso de Mendoza, uma fatia considerável de público começou a abandonar o recinto, confirmando quais eram as reais intenções das bancadas.

Miguel Moura teve o melhor exemplar do lote. Pediu à quadrilha para sair do ruedo e recebeu o terceiro da noite. O Passanha arrancava com prontidão e foi o único que se empregou nas reuniões. Miguel Moura tirou proveito do que tinha por diante e rubricou uma lide assente nas batidas, que embora demasiado pronunciadas, foram ao encontro dos anseios da assistência. Sem ser uma lide brilhante foi aquela que arrancou os mais ruidosos aplausos na primeira parte da corrida. No último da noite, teve uma Passanha igual aos demais, que apesar de bem armado foi um manso sem mobilidade, que provocou uma actuação discreta, com nada de registo.

Na forcadagem levaram a melhor os Amadores de Lisboa que resolveram em casa as dificuldades e pegaram todos os oponentes ao primeiro intento por Gonçalo Maria Gomes, Daniel Batalha e Manuel Guerreiro.

Os Amadores de Évora sentiram dificuldades e Gonçalo Pires fechou-se à segunda tentativa, Manuel Rovisco à terceira e João Oliveira ao primeiro intento.

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