Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
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Casa cheia na Terceira da Moita

Numa noite correcta do Aposento da Moita, foi Diego Ventura quem amealhou maiores tributos, com João Telles Jr a confirmar que tem praça, sítio e público.
13 de Setembro de 2013 - 21:47h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1645
Casa cheia na Terceira da Moita

E à terceira a Daniel do Nascimento encheu. Poucas, ou quase nenhumas, cadeiras vazias e mesmo que a corrida de hoje não tenha grande assistência, arrisco a dizer que a edição deste ano da Feira da Moita, tendo em conta as três primeiras corridas, é a que regista melhor entrada de público dos últimos anos.

Diego Ventura regressou à Moita, o público respondeu à chamada e no espaço exacto de uma semana, as margens do Tejo receberam Pablo Hermoso e Diego Ventura. Em comum, os toiros Passanha e casas quase esgotadas. Só que desta vez o público saiu satisfeito da praça e não a abandonou antes do final da corrida.

Se quanto à apresentação o curro Passanha piorou em relação à semana anterior, quanto ao comportamento só podiam melhorar mesmo, sem que isso signifique que estes toiros se tenham empregado um instante. O primeiro foi manso e sensaborão. O segundo teve a alma de um bravo e a prontidão no arranque, mas teve também um coração dócil que se manifestava num tranco suave. Apertou um pouco no início mas decaiu de produção (tantos foram os ferros que levou) e o comportamento vulgarizou-se. Os restantes cumpriram e deixaram-se lidar, sem nunca se revelarem uma dor de cabeça.

E havia motivos de sobra para a corrida da Moita. O Aposento da Moita diante de 6 toiros. Salgueiro toureava finalmente com Ventura e João Telles Jr tinha a missão de confirmar tudo o que se tem escrito sobre si nesta temporada.

Mas se João Salgueiro tinha de passar das palavras aos actos, não foi com o primeiro Passanha de 465Kg que o conseguiu fazer. Tentou imprimir largura nos cites e apelar à emoção nas sortes, mas o Passanha não se prestava a tais mordomias e a lide foi decorrendo sem grande entusiasmo. Quando finalmente encurtou distâncias, aproximou-se de um nível mais satisfatório nos terceiro e quartos curtos. No quarto toiro enfrentou o mais pesado da corrida com 515Kg. E passou-se algo inesperado. Salgueiro até fez uma lide agradável, chegou a pisar terrenos a cravar, como no terceiro curto em que entrou toiro a dentro nos médios. Só que o público nunca se entusiasmou com nada e sem publico consigo, a lide resultou sem alma. Salgueiro precisava das bancadas para se ‘arrimar’, até se esforçou para que isso acontecesse, mas estas não se reviram na lide e os aplausos foram tímidos e com pouca chama.

Diego Ventura teve o melhor toiro da corrida e tratou de ser o mais exuberante que podia. O Passanha trazia 510Kg e foi recebido à porta gaiola. Dobrou-o nos médios e colocou o segundo comprido de praça-a-praça, numa viagem que não passou do chôto. No curtos, apesar de sofrer alguns toques e um empurrão no primeiro ferro, colocou um total de 7 ferros e fez as bancadas levantarem-se a cada sorte. Nos terceiro, quarto e sexto, as explosões do público em uníssono deveram-se às cambiadas efectuadas nos médios. No final resolveu pôr-se como as bancadas, apeou-se e abraçou a Daniel do Nascimento. No quinto a lide não foi tão exuberante, a matéria-prima não tinha a mesma prontidão, nem mobilidade, só que Ventura tem em Morante um trunfo seguro. Quando o Morante apareceu em praça, as bancadas regozijaram e assumiram por bem gasto o preço do bilhete. Ventura sorriu, agradeceu e o resto é uma história por todos conhecida.

João Telles Jr atravessa uma fase em que transborda confiança. O público reconhece-o de imediato e está de facto de braço dado com o jovem da Torrinha. O terceiro Passanha foi o melhor rematado de córnea, tinha 460Kg e muito pouco voluntarismo. Teve uma brega de encher o olho. Equilibrou sem dificuldades um oponente contrariado. Endireitou-o uma mão cheia de vezes após selecionar os terrenos. Preparou as sortes de forma cuidadosa e cravou sempre com acerto. Os primeiro e terceiro curtos são os mais dignos de nota, recebendo de imediato das bancadas o prémio por tamanha correcção. No último da noite abusou das montadas, foram 5 no total e prolongou a lide, sempre a pedido do público. Os quiebros foram sempre executados de forma ajustada e quando terminou a sua actuação com um violino, carimbou a confirmação de que tem praça, sítio e um nome já gravado.

Os Amadores do Aposento da Moita tiveram uma noite correcta. José Broega reuniu na córnea ao primeiro intento, perante um hastado a contra-gosto, com diversas simulações de arranques. Nuno Inácio fechou-se na córnea à primeira tentativa, com o grupo a consumar sem problemas de maior. Seguiu-se José Maria Águas à segunda tentativa. José Maria Bettencourt consumou na barbela ao terceiro intento. José Carlos Matias fez a pega da noite. Reuniu do forma rija e o Passanha começou com infindáveis derrotes. Desviou-se na viagem sempre a derrotar. Por diversas vezes pareceu que a pega se iria desfazer mas com José Carlos Matias sempre alapado na barbela, aguentou tudo até ao grupo aparecer e consumar à primeira tentativa. Fechou a noite Francisco Baltazar na barbela, numa viagem nobre até ao grupo, ao primeiro intento.

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