Segunda-feira, 29 de Maio de 2017
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Corrida Mista do Colete Encarnado

Colete Encarnado, data emblemática do calendário taurino nacional, um domingo fresco, atípico para esta época do ano, a Palha Blanco engalanou-se para receber um cartel de luxo a que o público compareceu.
08 de Julho de 2014 - 19:03h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1059
Corrida Mista do Colete Encarnado

Colete Encarnado, data emblemática do calendário taurino nacional, um domingo fresco, atípico para esta época do ano, a Palha Blanco engalanou-se para receber um cartel de luxo a que o público compareceu. Quando já só faltavam 15 minutos para começar as cortesias ainda havia fila nas bilheteiras. A corrida começou com 15 minutos de atraso, e homenageava o matador vilafranquense José Falcão. Fez-se 1 minuto de silêncio e foi oferecido um cartaz da corrida emoldurado, a seu filho, dignamente homenageado pelo Sr. Fernando Palha, com chapéu na arena.

Repartiam cartel nesta corrida mista, os cavaleiros António Ribeiro Telles que pisava aquele ruedo pela primeira vez esta época, depois daquela que foi a sua noite na Palha Blanco, acompanhado pelo seu sobrinho João Ribeiro Telles, para as lides a pé dois matadores, Nuno Casquinha e António Ferreira. Os toiros foram de David Ribeiro Telles, com idade peso e trapio, pegaram em solitário o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, e foi director de corrida o Sr. Manuel Gama.

Iniciaram as ostes, com uma lide a duo, os dois ginetes da Torrinha. Não sendo uma lide ortodoxa, a verdade é que resultou, os cavaleiros estiveram ao nível que uma lide a duo pode exigir, houve cumplicidade e amizade na maneira como lidaram e se respeitam; o Toiro, uma estampa com o no 54, 600 kg de peso, nascido em 2010, rematado e com muito trapio. Logo a forma como entrou em praça, solto e a “comer” tudo, valeram-lhe aplausos, infelizmente nas primeiras investidas ficou tocado numa das mãos, mas mesmo assim deu lide. Ouviram música ao quarto ferro e veio-nos à memória as saudosas lides a duo dos irmãos João e António .

Nas lides a solo, António Telles lidou o quarto da contenda, um preto com o no52, e 660 kg de peso, de exímia apresentação, foi nobre durante toda a lide, António Telles cravou três bons ferros compridos à tira, nos curtos foi buscar o Alcochete e foi um recital de bem tourear, apenas se lhe pedia um pouco mais de temple nas sortes que foram todas muito bem rematadas. António Telles faz da Palha Blanco a sua casa, arrima-se, toureia a gosto, e cada vez parece que o faz melhor com um toureio de verdade, com sortes geometricamente desenhadas e a cravar no sitio.

João Telles lidou o quinto da tarde, mais uma estampa com o no48 e 670 kg de peso, saiu também destemperado, próprio do bravo que é bravo. Cravou dois compridos à tira, foi buscar o Ojeda para os curtos, o toiro começou a crescer, no 2o curto já se arrancava de largo. Ouviu música ao segundo ferro curto, o terceiro ferro podia ter sido um dos ferros da temporada, o toiro arrancou-se de praça a praça, o cavaleiro esperou, deu-lhe todas as vantagens, mas infelizmente no momento da cravagem foi um tanto “pescado”, mas mesmo assim teve emoção devido à iniciativa do toiro, que se impôs e secou a boca ao público e ao toureiro.

António J Ferreira foi o primeiro matador a iniciar funções, felizmente o vento levante que se fez sentir durante a tarde caiu, este sim é um verdadeiro inimigo dos toureiros. O seu primeiro de capa castanha olho de perdiz com 515kg de peso e o no60 nascido em 2010 era demasiado alto para a lide a pé, e sem sorte de varas ainda se torna mais difícil dar faena a um exemplar com estas características, o matador esteve muito bem no capote, arriscou até ser tocado pelo astado, casquinha, que alternava com o Ferreira, esteve também bem no quite de capote com uma sequência de naturais, bem rematados por verónicas pela esquerda, no quite de bandarilhas a quadrilha esteve irrepreensível. Com a muleta, Ferreira esteve muito bem com sortes variadas principalmente pela esquerda. Foi colhido na sorte de matar, porque o toiro começou a procurar o corpo por detrás da muleta, mas apesar da aparatosa colhida, Ferreira não teve consequências, “no pasa nada”. Ouviu música e deu volta. No seu segundo arriscou tudo, recebeu com lances de capote de joelhos, e depois no quite Casquinha picou-se e fez a maior parte dos lances de capote com o corpo exposto o que empresta emoção aos passes, no quite de bandarilhas, e tal como no primeiro toiro a quadrilha esteve ao mesmo nível, o toiro era bravo investia com nobreza e humilhava na muleta, o que permitiu que a mão andasse sempre por baixo conferindo plasticidade à lide. No passe de morte a bandarilha ficou decaída o que resultaria com certeza num “pinchon".

O outro matador, Nuno Casquinha lidou o terceiro da tarde com o no65 e 555kg de peso, um castanho mulato baixel que tinha pouca cara mas era bonito, e ainda foi melhor em comportamento, recebeu bem de capote e no quite Ferreira também esteve muito bem. A bandarilhar a quadrilha cravou um bom par, mas dois sem emoção, na muleta o toiro humilhava, era codicioso e com muita “fijeza”. Casquinha toureou a gosto, o toiro permitiu e ele recriou-se com sortes variadas, rematadas com bons “Passes de Pecho” cheios de temple. Volta para o matador com chamada do bandarilheiro à praça. O último da tarde com 595 kg de capa negra burraca, bisco, astifino mas harmonioso de ossos, foi o mais manso da tarde, recebeu bem no capote mas a quadrilha voltou a estar mal no tercio de bandarilhas, o toiro não era franco a investir nem pela direita nem pela esquerda. O Matador colheu tudo o que houve para colher deste toiro, mais seria impossível, a música veio tardia considerando o esforço do toureiro, pois esteve exímio no passe de morte.

Grandes foram os forcados do grupo de Vila Franca de Xira, três pegas limpas à primeira tentativa. Os toiros tinham muito peso, o que por si só já é uma dificuldade, mas tiveram pela frente caras que fizeram tudo como mandam os livros, com um grupo a ajudar com as ganas que lhes conhecemos, não houve ajudas com as mãos à frente, há ajudas a carregar de peito e abraçar o toiro. Abriu praça o forcado Rui Godinho, numa pega perfeita à córnea, Ricardo Castelo também à primeira, e Ricardo Patusco também à primeira que mesmo lesionado não largou o toiro até ao fim da sorte. Atipicamente, faltou o rabejador referência Carlos do Sobral, mas o conceituado Márcio Francisco desempenhou o papel na perfeição.

Inexplicavelmente, o público que esteve toda a corrida ao nível de exigência pedido, começou a sair cedo demais, não estando presente para a última volta à arena que o Casquinha tanto mereceu. É um hábito que revela falta de respeito para com o artista.

No fim desta corrida interrogávamo-nos, porque é que não temos toiros de morte em Portugal? Depois das lides que tivemos, depois do desempenho das reses, não seria o culminar da faena com o passe que se lhe pede? Porque é que nós, comunicação social, aficionados e todos os intervenientes na festa não nos começamos a impor, e a exigir que se tenham toiros de morte em Portugal, para que o toureio a pé comece ter a expressão que realmente merece ter.

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