Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017
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Tributo Nacional ao Mestre David Ribeiro Telles e a D. Victorino Martín

Tributo Nacional ao Mestre David Ribeiro Telles e a D. Vitorino Martín
15 de Setembro de 2014 - 04:01h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1437
Tributo Nacional ao Mestre David Ribeiro Telles e a D. Victorino Martín

Foi numa noite amena, em terras do Vale do Sorraia, que se realizou a corrida de toiros de homenagem ao Mestre David Ribeiro Telles e a D. Vitorino Martin, dois dos maiores nomes de sempre da festa brava. A corrida, já adiada devido às chuvas prematuras que têm antecipado o outono 2014 era aguardada com expetativa, por ser uma corrida de puros Saltillos, mas que, pela afluência de público foi um facto pouco levado em conta. Com menos de meia casa, numa cidade no coração de terra aficionada, dá que pensar de quais vão sendo os requisitos que os Srs. aficionados têm em conta para ir a uma corrida de toiros. Vemos cada vez mais praças cheias para o supérfluo, e meias praças para o que demais verdade há no toureio.

O cartel foi muito bem rematado, 3 Vitorino Martin, e 3 vales Sorraia, para outros 3 consagrados cavaleiros , Joaquim Bastinhas, António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol. Para pegar este sério curro os forcados da terra, os Amadores de Coruche e os Amadores de Vila Franca de Xira, grupo que está num grande momento de forma.

Mas os grandes protagonistas desta noite eram sem sombra de dúvida os toiros, toiros de puro encaste Saltillo com capas cardenas, toiros de ganadarias que não criam produtos a pensar no lucro, mas a pensar no aficionado, toiros de ganadarias que selecionam pela bravura e nunca pela comodidade. Mas mesmo com estas características, o curro não correspondeu ao esperado, e houve duas partes bem distintas, os primeiros 3 toiros a entrar em praça foram os 3 Vitorinos, que não corresponderam ao esperado, eram pequenotes e avacados, e em bravura não foram em tipo desta ganadaria. Na segunda parte foi o oposto, os toiros do Vale do Sorraia foram do que de melhor a casa Ribeiro Telles já apresentou em praça, toiros bonitos, com trapio, mobilidade e muita muita bravura, valores reconhecidos com a merecida chamada à praça dos Ganaderos.

O primeiro cavaleiro a entrar em praça foi o Joaquim Bastinhas, e se no Vitorino não teve sorte, no Vale Sorraia teve sorte a mais. O seu primeiro toiro, com 470kg, que aparentava ainda menos, teve boa entrada, mas rápido revelou os seus genes de manso e foi mesmo manso, quase não dava lide, o cavaleiro cravou como pode, ouviu silêncio. O seu segundo foi um toiro dos de bandeira, com 485 kg de bravura, que ficou muito por cima do cavaleiro de Elvas, que nunca teve argumentos para lhe dar lide, o toiro tinha pata, era bravo, arrancava-se ao cite de praça à praça. Devido ao tipo de toiro, o cavaleiro teve de meter muita espora no cavalo, mas com o cavalo muito preso de boca esteve sempre mal na brega, tentou terminar a lide a bandarilhar a duas mãos a um toiro que nunca conseguiu bandarilhar com uma. Ouviu música ao segundo ferro curto, não deu volta à praça em nenhuma das lides, apesar de lhe terem sido concedidas voltas nas duas lides pelo inteligente.

António Telles, o cavaleiro da terra, foi o segundo a entrar em praça, teve pela frente um toiro sensaborão, que apesar de ser melhor que o seu irmão de camada, estava longe de ser um bom toiro, com a diferença que teve pela frente um toureiro, daqueles que consegue sacar emoção de onde não há, e desta forma, por seu mérito a lide foi correta com 3 bons ferros compridos, e esteve igualmente bem nos curtos, com destaque para o 2º e 4º. O seu segundo toiro, mais um grande toiro do Vale de Sorraia, bonito, em tipo do encaste e com som, que se arrancou sempre pronto, houve nesta lide grandes momentos do toureio. Depois de nos ferros compridos, ser-nos dado o preludio do que iriamos assistir, foi já com o Alcochete em praça, cavalo estrela da sua quadra, que a corrida teve o seu auge, bons momentos de toureio e equitação, com um cavalo que possui uma plasticidade e uma funcionalidade completas, a um toiro que contou sempre com as vantagens cedidas pelo toureiro, e mesmo quando assim não era, o cavaleiro entrava por ele a dentro, a ir a terrenos de muito compromisso, com certeza uma das lides da época. O António Telles ouviu música nas duas lides ao segundo ferro curto e deu volta nas duas lides, sendo que na segunda teve ao seu lado os seus irmãos Manuel e João em homenagem aos seus Sorraias.

O terceiro cavaleiro a entrar no ruedo foi Luís Rouxinol, que está, já no final da temporada, em ótima forma. O seu primero toiro, um Vitorino com 460kg foi o melhor dos exemplares da ganadaria espanhola, que apresentaram pouco peso para uma corrida desta importância. Bem sabemos que neste encaste não é fácil por kgs em 4 anos, mas pedia-se um pouco mais. Este toiro teve boa saída, acusou o castigo e cumpriu, nos compridos o cavaleiro de Pegões esteve ao seu nível e nos curtos esteve mesmo muito bem, sendo de destacar na sua 1ª lide, o 2º e o 5º ferro de palmo, ouviu música ao 2º ferro curto, e a lide foi tão intensa, que o “degolado” Martin abriu a boca por alguns segundos, facto atípico neste encaste. O seu segundo foi o pior do lote de Sorraia, o cavaleiro brindou bonito ao clã Telles, e fez uma boa lide a um toiro bravo, mas parco de forças, nos curtos foi buscar a viajante e o desplante desta égua apimentou uma lide que se inicio branda. De realçar o seu 3º ferro curto, um ferro de muita verdade, a dar toda a iniciativa ao toiro. Escutou música ao primeiro curto, e deu duas merecidas voltas em ambas as lides.

No capítulo das pegas a noite correu muito bem ao grupo de Vila Franca de Xira, com 3 pegas perfeitas à primeira tentiva, abriu praça o jovem forcado António Faria, forcado de dinastia, e apesar da sua juventude o forcado fez tudo bem, esteve calmo em todos os momentos da pega, a um toiro que não complicou. O terceiro da noite foi pegado pelo consagrado Pedro Castelo, e em boa hora lhe foi dado este toiro, o forcado merecia um toiro nesta corrida, depois de na passada corrida do Campo Pequeno, ter atipicamente pegado à terceira um toiro “pastoenho” e sem força, este exemplo mostra mais uma vez que os bons forcados, e os bons toureiros precisam muito de toiros sérios e bravos para brilhar, toiros que possam com eles, facto que normalmente não acontece quando as grandes figuras do toureio mundial saem à praça. Fechou a noite o cabo Ricardo Castelo, ao nobre toiro lidado por António Telles, e apenas há a dizer que foi uma pega perfeita, por um dos melhores forcados que já pisou as arenas portuguesas.

Pelo grupo de Forcados Amadores de Coruche, abriu praça o forcado Paulo Oliveira, que pegou à 2ª tentativa, depois do toiro ter saído solto na 1ª investida, sabia-se que o toiro não ia aguentar muito, mas se o forcado o tivesse citado mais atrás, o toiro teria aguentado mais, e assim não viria tão pronto. O 4º toiro, o de bandeira, foi pegado à primeira tentiva pelo forcado José Marques, numa pega vistosa em que o forcado esteve à altura do Nobre toiro que teve pela frente. Fechou praça o forcado Miguel Raposo, numa pega pouco ortodoxa em que o toiro caiu no momento da reunião e tirou toda a emoção à pega.

Estas foram as notas relevantes de uma corrida que decorreu a bom ritmo com apenas duas horas e trinta minutos de duração. Queremos ainda agradecer em meu nome e do site Taurodromo, que represento, à empresa tauroleve, em especialmente na pessoa do seu representante o Sr. Ricardo Levezinho, pelo bem que me recebeu nas três corridas que esta época se realizaram na praça de toiros de Coruche.

 

 

 

 

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