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Porta Grande para Juan Leal - Feira de S. João 2015

Não é toureiro quem quer, mas sim quem pode. A afición terceirense sente isso e valoriza-o.
29 de Junho de 2015 - 11:59h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 919
Porta Grande para Juan Leal - Feira de S. João 2015

Não é toureiro quem quer, mas sim quem pode. A afición terceirense sente isso e valoriza-o. Mais do que se deixar embalar pela cadência de um lance pleno de temple, ou pela plasticidade da flanela rubra ante a fúria de um bravo, esta emociona-se com a entrega de um toureiro. Foi assim que Juan Leal tocou fundo nos quase ¾ de casa que estavam na Praça de Toiros “Ilha Terceira” no passado dia 28 de Junho. Uma tarde ventosa em que a chuva caiu até pouco antes do início da corrida. A Feira era a de S. João e, a confirmar o nome do patrono, Juan foi levado em ombros como se estivesse a ser passeado num andor.

O triunfo ganhou cor no segundo do seu lote, um Jandilla (J) (nº100, 460Kg) que investia a galope e de forma repetida, nunca virando a cara à luta. O melhor exemplar da tarde. O diestro francês foi recebê-lo à porta dos curros, de joelhos, com uma larga afarolada, lance que repetiu já com o oponente em praça. Continuou lanceando sempre de joelhos em terra fazendo soar a primeira ovação da tarde. Após alguma chicuelinas bem desenhadas, prossegiu por zapopinas rematadas com nova larga de joelhos. No remate é colhido na zona do tronco e temeu-se alguma gravidade, mas logo se levantou e continuou lanceando para delírio da assistência. A praça era sua.

Com a muleta, baseou-se na mão direita. Sacou séries de derechazos com temple e profundidade, as quais foi intercalando com circulares invertidos. Terminou, com bernardinas, uma lide triunfal que levantou as bancadas e lhe proporcionou duas voltas à arena. Para que esta função fosse mais completa, João Pedro Silva “Açoreano” e Gonçalo Toste estiverem em grande plano nas bandarilhas, ainda que o primeiro não se tivesse livrado de um valente susto após a cravagem do seu segundo par.

No primeiro do seu lote (Rego Botelho (RB), nº 46, 475Kg), Leal já havia mostrado que vinha para triunfar. Ante um exemplar que se metia por dentro e procurava o vulto quando lidado pela esquerda, o Matador arriscou e foi ao limite, traçando uma lide agradável que chegou às bancadas, fruto da sua entrega e persistência.

Diego Urdiales abriu praça diante de um RB (nº42, 415Kg) distraído que foi melhorando um pouco ao longo da lide, até ter rachado. O de La Rioja entregou-se e apesar da pouca réplica do oponente, escolheu os terrenos e tapou alguns dos defeitos do hastado, sacou-lhe a atenção e desenhou séries pela direita, de grande valor. O exemplar de J (nº 97, 445Kg), que lidou já na segunda parte, investia com a cara a meia altura e por vezes saía das sortes, vindo a menos. Urdiales procurou corrigi-lo lanceando com o Capote por baixo, repetindo-o com a Muleta. Deu vantagens ao novilho na escolha de terrenos e procurou sobressair com algumas séries de interesse, no entanto, a matéria-prima que tinha por diante não permitia melhor.

A Jiménez Fortes coube o lote de menor qualidade. O RB (nº30, 465kg) era bonito e deu boas indicações na saída, no entanto foi ficando curto de investida, metia-se por dentro e derrotava alto pela esquerda. A iniciar o tércio de Muleta, o Matador foi destapado pelo vento e foi volteado sofrendo um “puntazo” na coxa direita. Esteve laborioso e procurou fazer o que era possível diante de um novilho que não transmitia. Prolongou a lide em demasia. Na sua segunda aparição em praça, esteve em melhor plano. O novilho (J, nº16, 495Kg) foi dando boa réplica de início permitindo duas séries pela direita com bom ritmo e bem ligadas, no entanto havia de encurtecer a investida. Terminou assim a sua presença com uma lide agradável mas sem grandes motivos de realce.

Em dia de aniversário, Manuel Dias Gomes apresentou-se em Portugal como Matador de toiros. Diante de um exemplar RB (nº44, 430Kg) rubricou uma grande lide. Tirou partido das boas condições do oponente e com a mão direita imprimiu profundidade e arte, fixando o pé e fechando o compasso ao longo das séries. Mostrou entrega, saber e vontade de triunfar. O seu segundo (RB, nº45, 520Kg) era mais desluzido do que o anterior. Manteve sempre a cara a meia altura. Uma vez mais, Dias Gomes andou acoplado ao novilho. A destacar uma das séries de derechazos, longa, cingida e plena de temple. Apesar da entrega, não suplantou a sua primeira lide.

Voltando ao princípio, a corrida dirigida por Carlos João Ávila assessorado pelo Dr. José Paulo Lima, iniciou-se com um “passeíllo” onde estiveram incluídos picadores. Apesar de ser discutível esta inclusão, tendo em conta a proibição da sorte de varas há já alguns anos nos Açores, não deixa de ser uma presença simbólica e até uma forma de protesto, aliada às raias que se encontravam desenhadas na arena. Se nas corridas de Gala à Antiga Portuguesa, as cortesias são plenas de simbolismo e evocação de tempos idos, o mesmo também poderá acontecer nas corridas em que só actuem Matadores de toiros, as corridas “à espanhola”.

Abrilhantou a Banda da Sociedade Filarmónica Rainha Santa Isabel das Doze Ribeiras.

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