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Crónica da corrida de Vila Franca de Xira, 10 de Maio de 2015.

12 de Maio de 2015 - 08:59h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1001
Crónica da corrida de Vila Franca de Xira, 10 de Maio de 2015.

Tarde de 10 de maio de 2015, tarde de touros, sol e moscas, como as definia Hemingway, e foi assim que se iniciou a época taurina na Palha Blanco. Pouco mais de meia casa, numa corrida em que o cartel não podia ser mais aliciante. Toiros de Veiga Teixeira, para uma terna de cavaleiros; Luís Rouxinol, Filipe Gonçalves e Duarte Pinto. Pegaram os Forcados da terra, os Amadores de Vila Franca de Xira e os Amadores do Aposento da Moita.

Os toiros de Veiga Teixeira tiveram apresentação irrepreensível, rematados, com idade peso e trapio. Com divisa vermelho e negro, muito em tipo do encaste, na linha de Suarez, Oliveira e irmãos e Domecq, no entanto, foram dispares em comportamento, exigindo entrega e muito empenho a cavaleiros e forcados. Se na primeira parte até houve bons momentos de toureio, na segunda parte os cavaleiros nunca lhes conseguiram dar a volta.

Abriu praça o cavaleiro Luís Rouxinol, que por ser o mais antigo em alternativa, teve essa honra. Calhou-lhe em sorte dois touros distintos, o 1º com 550kg de peso, rematado e com muito trapio e muito em tipo do encaste, foi um toiro que cedo se rachou sendo parco de forças. O cavaleiro cedo lhe percebeu o conforto, e depois de dois bons ferros compridos, foi buscar o às da quadra, para uma lide que se adivinhava propicia ao êxito, mas que pela pouca chama do toiro, não atingiu o nível desejado. Depois de perceber que devia cravar em curto, cravou 4 bons ferros curtos, ouviu música ao segundo, e cravou ainda um ferro de palmo que apesar de ter sido a mais, foi um bom ferro. O segundo do seu lote, foi o toiro com menos apresentação da tarde, mas mais por mérito dos irmãos de camada que desmérito do astado. Nunca proporcionou uma lide franca, com arreões de manso, e sempre com sentido para colher. A ferragem ficou dispersa na lide possível. O cavaleiro não ouviu música, e entendeu, por bem, não dar volta à exigente praça.

Filipe Gonçalves foi o segundo cavaleiro em praça, se na sua 1ª lide, ao Veiga Teixeira nº460 de 520kg e muito trapio, lhe proporcionou uma lide regular, com alguns bons apontamentos, na 2ª lide registou-se o oposto. No 1º toiro esteve bem na ferragem comprida, e ouviu música ao segundo curto, terminou a lide com um bom par de bandarilhas. Na sua 2ª lide, ao melhor toiro da tarde, - e não há 5º mau- com 530kg de bravura, poderia ter tido a lide sonhada. O toiro arrancava-se pronto, de largo, com pata, o ginete do Algarve cedo percebeu essas qualidades, e tentou por diversas vezes, fazer “quiebros” como mandam os livros, quase encostado à trincheira, mandando vir o toiro, de praça à praça, esperando por ele no sítio do cite para reunir, pleno de emoção e verdade, mas a verdade é que apesar de todo este mérito o cavaleiro nunca encontrou o tempo e as distâncias certas, e assim a lide perfeita de “quiebros” resultou numa lide desacertada, e sem brilho. Ouviu silêncio, e por vontade e honra própria não deu volta ao à arena.

O terceiro e último protagonista da tarde, foi o cavaleiro Duarte Pinto, que teve a mesma sorte que o cavaleiro anterior. Se na 1ª lide, teve um bom toiro nº 438, com 535kg de peso, na 2ª lide já não teve a mesma sorte. No 1º cravou dois bons ferros compridos à tira, com muito bons andamentos, iniciou a ferragens curta com a mesma regularidade, e ouviu música ao segundo ferro curto. Prosseguiu com a mesma regularidade em toda a faena, com o seu estilo clássico, sempre muito bem na brega e no remate das sortes. No segundo do seu lote a sorte já não lhe sorriu da mesma forma, foi com o nº 467 na espádua, e com 490kg que lhe calhou o manso da tarde, apesar de um 2º ferro comprido muito bom, em terrenos de muito compromisso, ao 1º curto já o toiro procurava o conforto da tábuas, O Duarte Pinto fez tudo o que pode, tentou cravar a sesgo, levou o cavalo à eminente colhida, mas o toiro não saia de tábuas. Atipicamente saiu da exigente Palha Blanco, sob aplausos depois de uma passagem em falso, tal foi o esforço do cavaleiro. De lamentar a sorte não lhe ter sorrido, pois esta lide, foi muito bem e merecidamente brindada a seu pai, Emidio Pinto, pelos 40 anos de alternativa.

 

Para as pegas estava em disputa o prémio João Vila Verde, que homenageava a antiga glória da forcadagem de Vila Franca, e que foi honrosamente entregue pelas mãos dos seus filhos ao Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, que conseguiram 3 pegas limpas à 1ª tentativa. Abriu praça o conceituado Pedro Castelo, teve uma reunião dura, mas que aguentou estoicamente, e foi exemplarmente ajudado por todo o grupo. O segundo toiro foi pegado de forma tecnicamente perfeita, pelo forcado Ricardo Patusco, que brindou ao seu antigo colega e atual cronista do grupo de Vila Franca o Paulo Paulino. Fechou a tarde por este grupo o forcado Rui Godinho, ao bravo quinto toiro, que se arrancou solto e para comer o que apanhasse pelo caminho, mas apanhou um grupo de forcados que o pegou de forma exemplar.

Pelos forcados Amadores do Aposento da Moita, a sorte já não lhes foi tão favorável. Abriu a função o também conceituado forcado José Maria Bettencourt, a um toiro que no momento da reunião derrotava de tal forma violenta, que desfeitearia qualquer forcado, foi pegado a sesgo e com as ajudas carregadas à 5ª tentativa. O 4º toiro da tarde foi pegado pelo forcado Nuno Inácio, que nos tem proporcionado grandes pegas, e desta vez não fugiu à regra, fez uma boa pega, perfeita em todos os tempos, e com o grupo lá bem atrás a dar todas as vantagens possíveis. Fechou a função dos rapazes da Moita o forcado José Henriques à segunda tentativa num toiro difícil que ao sentir-se agarrado, fazia tudo para livrar-se do humilhante abraço, chegando mesmo, e cobardemente a tirar a cara já depois de pegado.

Estas são as principais notas, daquela que foi a primeira corrida de 2015 na Palha Blanco, sob desígnios de nova empresa, que pelo que nos ficou desta corrida, achamos que continua em boas mãos. Queremos realçar mais uma vez a honestidade que houve em praça, em primeiro lugar pelo público, que protege sempre os toiros, nunca houve capotes excessivos, o público da Palha Blanco não autoriza. Por outro lado a entrega dos cavaleiros que mesmo com toiros difíceis, que pedem arte, o esforço ao limite foi sempre seu apanágio. Quanto aos restantes intervenientes, o toiro e o forcado, esses estiveram como sempre os conhecemos, sem nada a esconder.

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