Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
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Tarde "molhada" na Moita

Céu cinzento, chuva miudinha e um "ventinho" desagradável foram palco de uma tarde de toureio a pé na primeira da Moita do Ribatejo
16 de Setembro de 2015 - 18:07h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 913
Tarde

 

A castiça praça Daniel do Nascimento abriu portas para a primeira corrida da feira, recebendo Juan José Padilla e Pedrito de Portugal, numa tarde exclusiva ao toureio a pé. A aposta da empresa Aplaudir foi grande, arriscada, e que, muito por causa das condições atmosféricas, apenas deu meia casa daqueles que aguentaram estoicamente a chuva e algum vento que se fez sentir para ver um Espanha-Portugal sem bola, bem como as muitas reservas que ficaram por levantar nas bilheteiras.

O curro de Falé Filipe, cujos pesos andaram entre os 450 e os 460 quilos, bem apresentados, deu jogo desigual mas, de um modo geral, cumpriram os mínimos, deixando no pensamento dos aficionados um ponto de interrogação em que, pelos vistos, não há muitas mais opções ganaderas para o toureio a pé. Ou haverá????

Padilla recebeu o seu primeiro no capote de forma exuberante, de joelhos afarolados. Presenteou o público com um tercio de bandarilhas bem executado mas longe da emoção a que nos habituou noutras lides. Na moleta, deixou bons apontamentos frente a um toiro que media com sentido. Foi colhido a preparar para "matar" sem grandes consequências e executou a sorte sem problemas. Deu uma volta.

No seu segundo, um pouco melhor que o primeiro com mais recorrido e pimenta, pouco humilhava. Duas boas séries de naturales pela mão esquerda foi o que de melhor se destacou numa lide que nunca rompeu, muito por culpa do toiro. Coloca para "matar" no centro do ruedo e executa com correção. Dá duas voltas que, a compreender-se, terão sido pela entrega do diestro durante a lide.

No seu último toiro, volta a não ter sorte. Coube-lhe um oponente que fugia à luta e que cedo se “raxou”. Deixou um pouco do seu perfume por ambas as mãos e tirou o que havia para tirar ao toiro (e que não era muito). Volta a dar duas voltas e abre a porta grande. Compreende-se que haja admiração pelo toureiro por parte do público e que a música tenha tocado nas três lides. Mas também temos que ver que aqui não se mata e que, pela bitola de “nuestros hermanos”, teria sido premiado de forma menos generosa.

Pedrito de Portugal teve mais sorte nos astados que lhe calharam no lote. No seu primeiro recebe correto de capote. Nas bandarilhas, Cláudio Miguel, Joaquim Oliveira e João Ferreira estiveram em grande plano em todas as execuções. Pedrito deixou boas indicações pela mão esquerda e teve dificuldades em perceber o seu oponente e em lidar com o vento. Bem na hora de "matar" frente a um toiro que não transmitiu, parco de forças, curto de recorrido mas sem maldade.

No segundo (o melhor da corrida) andou melhor no capote mas algo aliviado. No capítulo das bandarilhas voltam os seus "adjuntos" a estar muito bem. Na moleta Pedrito andou apático. O toiro pedia mais, o público pensou que ia ter mais e, à falta do toureiro romper, pediu música ao diretor de corrida que tarde lha concedeu, muito por falta de matéria toureira que o justificasse. Foi correto na decisão mas não se livrou de ouvir uns “apitos”, mas as coisas são mesmo assim e nunca perdeu o discernimento. Lá em baixo, Pedrito teve dificuldade em perceber o toiro, a pressão era cada vez maior bem como a vontade de triunfar e nunca se traduziu nos passes, faltando um fio condutor à faena. Termina bem a simular a estocada cravando o ferro em “sitio”.

No seu terceiro, Pedrito acalmou, meteu-se com o toiro e a faena resultou melhor. Andou mais arrimado, tanto no capote como na moleta. Nas bandarilhas deixamos um sinal mais para Cláudio Miguel que foi colhido com aparato no momento de cravar, voltando a colocar mais um par de boa nota.  

Na moleta o diestro português abriu o livro e mostrou umas páginas do que bem sabe fazer. Boas séries a pé fixo, com bonitos adornos, tendo o toureiro andado artista e a gosto frente a um toiro que não complicou. Desenhou uma lide limpa, agradável e que chegou ao público que retribuiu com uma boa ovação, tendo tido o mérito de saber sair em tempo entrando com a mão à cruz. Deu duas voltas.

Por fim, chegou a parte menos agradável. Os populares colocam ambos os toureiros em ombros, muitos deles miúdos das escolas de toureio que quiseram acompanhar aqueles que são referências para alguns deles. Parte do público anuiu, mas a outra parte não gostou e protestou de forma bastante sonora a volta em ombros de Pedrito. A juntar à festa, os responsáveis da Sociedade Moitense de Tauromaquia avisaram o toureiro e a sua quadrilha para quem quis ouvir, que a porta grande lhe estava vedada e que Pedrito deveria descer de ombros. Negada a iniciativa da saída pela porta grande fica a atitude de uns e de outros, dispensável de ambos os lados e que, embora devamos defender o que é nosso, há regras e requisitos que devemos cumprir. A bem dizer, nenhum deveria sair pela desejada porta mas compreende-se o prémio à entrega do contemplado durante as lides, mesmo após a colhida.

Certo é que, as opiniões dividiram-se, e nos comentários fora da praça todos foram unanimes que soube a pouco.

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