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Corrida de Toiros XXXIV Concurso de Ganadarias Associadas de Alcochete

Crónica do Concurso de Ganadarias de Alcochete 14 de agosto de 2016
15 de Agosto de 2016 - 23:52h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 799
Corrida de Toiros XXXIV Concurso de Ganadarias Associadas de Alcochete

Se há data marcante no calendário taurino português, uma delas é com certeza as festas do Barrete Verde e das Salinas de Alcochete, foi com o tradicional concurso de ganadarias, e com dois terços de casa forte que se iniciou a festa de 2016. A concurso foram as divisas de Palha, David Ribeiro Telles, Passanha, Pinto Barreiros, Canas de Vigouroux e Passanha Sobral, compunham cartel os cavaleiros António Ribeiro Telles, João Moura Caetano e Manuel Manzanares, para pegar os seis toiros em solitário esteve em praça o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, liderados, pelo cabo Nuno Santana.

Iniciou funções por ordem de antiguidade o cavaleiro António Telles, de quem já tanto se disse, mas que há sempre mais alguma coisa a acrescentar. O primeiro de seu lote foi um bonito e bem armado borralho de Canas de Vigourox, muito em tipo da linha Rabonera de Cabral Ascensão, entrou com chispa, e sem perder muito tempo António Telles cravou dois irrepreensíveis ferros compridos, ouviu música ao primeiro curto, e nos curtos andou acertado, apenas o 5 foi a mais e com toque na montada.

O seu segundo foi um toiro com ferro do seu recentemente falecido pai, Mestre David Ribeiro Telles, foi um toiro pesado, 615 kg, rematado, com pouca cara, mas que proporcionou uma boa lide, vinha pronto à voz do cavaleiro que cravou 3 bons ferros compridos de praça à praça, para os curtos foi buscar o ás da quadra, o Alcochete, e fez uma grande lide, com bons pormenores de equitação, uma brega perfeita, a colocar o toiro onde queria, e a dar muitas vantagens a um toiro muito colaborante.

O segundo cavaleiro da tarde foi o João Moura Caetano, que lidou em primeiro lugar a estampa de Passanha Sobral, um toiro muito bonito, rematado, o mais pesado da tarde, um preto com 640kg, que apesar do peso teve mobilidade, nos compridos andou correto com dois ferros à tira, e nos curtos cravou a bom ritmo, no que resultou uma lide regular.

O segundo de seu lote foi o toiro de Passanha, nesta lide vimos um Moura Caetano no seu melhor registo, o toiro era bravo, arrancava-se de largo e o cavaleiro aproveitou com mestria as característica do oponente, os dois compridos foram ferros de bandeira, de praça a praça, o toureiro mandou vir o Passanha, bem de largo, que se arrancou com alegria, aguentou até à reunião sem avançar um metro, ladeando uns passos bem medidos cá bem a atrás para cravar com batida ao piton contrario, o segundo a papel químico, ambos plenos de verdade. Nos curtos trocou de montada e foram 4 ferros semelhantes, bem cravados, com temple e com batidas suaves ao piton contrario.

O último cavaleiro a entrar em praça foi o Manuel Manzanares que inicio funções com um nobre toiro de Palha com 540kg de peso, no seu estilo muito próprio, recebeu bem o Palha, mas nos compridos, já não esteve bem, cravou dois ferros compridos à meia volta, a ir para o toiro quando ele não estava colocado em sorte, por uma questão de respeito ao toiro, os artistas não deviam ceder a este facilitismo, é uma sorte falsa sem ponta de mérito, não há nenhum toiro, por mais bravo ou manso que seja, que mereça que lhe sejam cravados ferros desta maneira. Nos curtos o cavaleiro já conseguiu imprimir a plasticidade própria do rejoneo, com uma equitação muito artista e que facilmente chega às bancadas.

O seu segundo foi a “fava” da tarde, e foi uma desilusão, pois o castanho com olho de perdiz de Pinto Barreiros, era bonito, um exemplar perfeito dentro do encaste, muito bem tratado e rematado, mas não tenho memória de um toiro tão manso, Manuel Manzanares fez o que pode, e o toiro deixou fazer tudo.

No capítulo das pegas, o Grupo de Alcochete esteve irrepreensível, os caras estiveram corretos em todos os momentos das pegas, com calma, deixaram os toiros recuperar, deixaram-se ver, mandaram nas investidas, e foi nos terrenos que se sentiram melhor que consumaram 6 pegas limpas à primeira tentativa, ao mesmo nível estiveram todos os ajudas, foram autênticos gladiadores a ir para cima dos toiros com muita vontade e a anular a força e as investidas de todos eles, e alguns toiros eram autênticas locomotivas.

Bem merecia o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, bem como todos os grupos de forcados, que em praça se anunciasse o nome do forcado que vai pegar, seria uma justa homenagem a quem tudo dá sem receber nada em troca.

E foram estas as notas de uma corrida de concurso de ganadarias muito acima da média, com muito bons momentos de toureio de arte e emoção, por curiosidade, e com exceção da última lide todos os cavaleiros ouviram música ao primeiro ferro curto, facto que denuncia a boa qualidade do espetáculo.

Por ser um concurso de ganadarias, ganharam o prémio de apresentação o toiro de Canas de Vigouroux, e o prémio de bravura o toiro de Passanha, apesar de alguma contestação do público a atribuição dos prémios parece-nos justa.

 

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