Quinta-feira, 23 de Março de 2017
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A noite de Telles Bastos em Alcácer

Com a Branco Núncio a contar com a lotação na meia casa, a noite de Alcácer do Sal premiou Manuel Telles Bastos e João Câmara dos Amadores de Montemor.
27 de Junho de 2016 - 03:49h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 772
A noite de Telles Bastos em Alcácer

Em Alcácer do Sal realizou-se mais uma Corrida de Toiros integrada na Feira da PIMEL de 2016, que sem partidas do campenoato europeu na televisão, contou com as bancadas a registarem uma lotação que rondou a meia casa.

E se o ambiente à volta da praça era de festa, dentro da mesma o silêncio imperou. As palmas saíram a custo, houve sempre pouco envolvimento com a terna de cavaleiros, com os Amadores de Montemor a serem os alvos maiores de aprovação das bancadas.

O grande culpado da pouca envolvência foi o curro que saíu à praça. Se é certo que dos Passanhas já pouco se espera de emotividade, em Alcácer o curro, com excepção do quinto exemplar, confirmou a ausência da mesma. Sem bravura e sem emoção, os exemplares da ganadaria Passanha até saíram com chispa, para escassos segundos depois a mesma se dissipar e os exemplares a estacionarem, ora nos médios, ora nos tércios, locais ditados pelas querenças de cada um.

Assim, excepção ao quinto da corrida, e se no curro não morou qualidade alguma, salvou-se a galhardia na segunda actuação de Luís Rouxinol perante um manso fechado em tábuas, e as duas actuações regulares de Telles Bastos, que justamente arrecadou o troféu em disputa.

E contas feitas aos toiros, no início da corrida guardou-se um minuto de silêncio em memória do Mestre David Ribeiro Telles, que foi respeitado pela praça de Alcácer do Sal.

E abriu a noite Luís Rouxinol perante um exemplar de 560Kg, que cedo estacionou nos médios e que jamais dali quis sair. O cavaleiro dePegões ainda empolgou as bancadas na brega, com os cites, um ferro de palmo e o par de bandarilhas com que terminou a actuação. Porém, a lide correcta ao desinteressante toiro, pouca emoção tranferiu para as bancadas.

O quarto era manso por demais e fechou-se de imediato em tábuas. Com ofício, Rouxinol soube partir para o inexistente confronto, colocando ferros no inerte Passanha, que mereciam maior aprovação das bancadas, mas já íamos no quarto exemplar de uma noite sem emoção.

Manuel Telles Bastos surgiu no ruedo com vontade de triunfo. Quadrilha para a trincheira e uma sorte gaiola junto do sector 2, da Praça de Toiros Branco Núncio. Com o Passanha a eleger os médios como morada, Telles Bastos teve trabalho de sobra para fixar a atenção do hastado, numa brega que primou no equilíbrio do mesmo, conseguindo atrair para o cofronto um desinteressado oponente, que aos capotes investiu codicioso e onde se empregou sempre mais do que às montadas. Os segundo e quarto ferros foram colocados de cima para baixo, e como faltou sempre toiro nos restantes, as sortes não tiveram o mesmo resultado.

No quinto apanhou o melhor exemplar da corrida, nobre e voluntarioso, sempre pronto para o confronto, sem colocar pata em demasia mas empregando-se um pouco mais do que os irmãos de camada. Manuel Telles Bastos aproveitou as qualidades do oponente e desenhou uma lide com os melhores ferros da noite. Os terceiro e quinto ferros são dignos de nota, com cites a darem vantagens, cravados nos médios, em sortes centradas e de cima para baixo.

Perante as duas melhores actuações da noite, o cavaleiro da Torrinha arrecadou com justiça o prémio de melhor lide, na sua segunda fluída actuação. Eu preferi, na minha modesta opinião, a primeira actuação de Telles Bastos, pelo trabalho com que o cavaleiro teve de dar a volta a um hastado pleno de defeitos.

João Moura Jr teve o pior lote da noite mas pautou as duas actuações quase a papel químico. Na primeira actuação substituiu a brega por circundar com a montada o oponente, até este dar um passo para o lado, para depois dar praça no cite e partir para o hastado para cravar a ferragem. Ainda ofereceu a garupa ao oponente para enfeitar-se de adornos, mas o Passanha não oferia tais mordomias e quase nunca o cavaleiro teve retribuição das bancadas. O segundo do lote teve um pouco mais de voluntarismo mas a actuação pautou-se pelo mesmo padrão da primeira, até ao cavaleiro conseguir apoio das bancadas, após as incitar vezes sem conta. Moura Jr fechou a noite de Alcácer com uma actuação sem história para contar.

O Grupo de Forcados Amadores de Montemor esteve perto de uma noite perfeita, não fossem as quatro goradas tentativas de cernelha ao terceiro Passanha da noite.

O cabo António Vacas de Carvalho viu o oponente partir e quando se fechou na córnea, o Passanha desviou a viagem, com o grupo a aparecer para consumar ao primeiro intento. João Câmara saiu combalido da primeira tentativa, para se fechar ao segundo intento numa reunião por alto na córnea, com o primeiro ajuda a colocar o João Câmara na cara, até o grupo consumar a pega e arrecar o troféu José Maria Cortes, para a melhor pega da noite. Pedro Borges e Francisco Godinho estiveram longos minutos no ruedo para 4 tentativa de uma pega de cernelha que nunca foi consumada. Francisco Cortes selou em recurso ao quinto intento. Bruno Palmeiro carregou a sorte e sem ter tempo apra recuar, fechou-se na córnea à primeira tentativa. Também foi à primeira tentativa que António Pina Monteiro reuniu à barbela, numa viagem sem incomodar. Fechou a noite João Romão Tavares, ao primeiro intento, numa reunião na córnea e por baixo, com o grupo a consumar sem problemas de maior.

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