Quinta-feira, 24 de Agosto de 2017
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Crónica da Corrida do Emigrante no Campo Pequeno

Crónica da Corrida de Toiros no Campo Pequeno
04 de Agosto de 2017 - 22:33h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 251
Crónica da Corrida do Emigrante no Campo Pequeno

Foi por razões inequívocas, que se realizou a 03 de agosto de 2017 no Campo Pequeno, a tradicional corrida de toiros de homenagem ao emigrante, de entre todos os saudosismos que atormentam os emigrantes, as saudades de uma corrida de toiros é por certo uma paixão apenas dos emigrantes ibéricos.

A empresa do Campo Pequeno teve a probidade de compor um requintado cartel que fosse ao encontro das expectativas do emigrante, pois para muitos deles seria com certeza a única corrida de toiros do ano.

Do facultoso cartel constavam os cavaleiros Rui Fernandes, Filipe Gonçalves e Francisco Palha. O curro foi da prestigiada ganadaria de David Ribeiro Telles e para pegar estiveram em praça os forcados do Aposento do Barrete Verde Alcochete, O grupo de Forcados Amadores do Montijo e o Grupo de Forcados Amadores de São Manços, que disputavam entre si um renhido concurso de pegas. Pela riqueza do cartel e pela efeméride em si esperava-se uma maior afluência de público, de facto meia casa forte soube a pouco.

Na compto geral do espectáculo, quem se deslocou ao Campo Pequeno e pagou o seu bilhete, deu por bem gasto esse tempo, pois foi um serão bem agradável de arte e emoção. Os cavaleiros estiveram a gosto, cada um ao seu estilo, os toiro foram bravos e nobres e não houve um toiro que não desse uma boa lide, uns mais bravos que outros e os 3º , 5º e 6º foram toiros muito nobres e se em comportamento foram similares em morfologia foram distintos, os 1º, 3º, 4º e 5º ainda a lembrar o sangue de casta portuguesa avacados e gravitos, aprimorados pelos sangues de pinto Barreiros e Dr. Silva já os 2º e 6º mais na linha Domecq e Jandilla, com mais trapio e badanudos.

Abriu praça o cavaleiro Rui Fernandes, com o toiro Montura de 594kg preto bragado que se arrancava ao site e deu bom labor nos compridos. Rui Fernandes esteve muito bem a “mexer” no toiro, colocou-o onde quis e optou por uma série de ferros curtos muito correctos, o 5º e 6º foram em sorte de quiebro e também resultaram.

Na segunda lide, a lide da noite em nossa opinião, com o Barquito de 547kg, foi uma grande lide, nos compridos o acerto foi evidente, cravados no sítios com sortes à tira, na ferragem curta aprimorou por quiebros, concedendo sempre a iniciativa ao astado. Ao 3º ferro o cavaleiro deu ao cavalo a iniciativa de citar o toiro e público gostou, fechou com um bom ferro de palmo.

Filipe Gonçalves foi o 2º cavaleiro em praça, iniciou a lide com um bonito toiro de 645kg, uma estampa bandanuda, cornicurto onde os quilos pesavam na imponência da locomoção. A ferragem comprida resultou dispersa, e nos curtos andou correto, não rompeu como desejado muito pela falta de ímpeto na investida do toiro, que na iminente colhida, esta falta de ímpeto foi uma bênção.

No 5º da noite, o Romano de 552kg, um bravo toiro preto mulato, bisco andou mais acertado esteve bem nos compridos, nos curtos houve o mérito de toiro e cavalo arrancarem-se ao mesmo tempo e foi bonito ver o ferro ser cravado no centro da arena numa reunião perfeita, os restantes ferros foram corretos e a lide foi composta pela variedade de recortes das montadas.

O terceiro Cavaleiro em praça foi o Francisco Palha que teve no primeiro de seu lote o embustero de 592kg, e que lhe proporcionou uma boa lide ao jovem cavaleiro, nos compridos, à tira, de forma vistosa, cumpriu a função e nos curtos o acerto foi similar, o ladear e adornos das montadas animaram o público.

No seu 2º e último da noite, um imponentemente paleto, de 594kg esteve novamente bem nos compridos e o público acarinhou muito o Francisco Palha, foi muito aplaudido e esteve em muito bom nível nos curtos. Apenas há que referir o excesso de passagens e o prolongar das lides nos toiros, porque a sua investida e bravura são o seu bem mais precioso, e muitas vezes os cavaleiros abusam destas passagens, chegam a ter arranques alegre e vivos e praça a praça, desaproveitados, e depois na hora de cravar já vêm a menos será importante optar por lides intensas, em vez de extensas, e aproveitar o melhor momento do toiro para os melhores ferros.

No capítulo das pegas, a noite era de competição entre os 3 grupos de forcados. A competição foi bastante renhida, das 6 pegas da noite pelo menos 3 delas, curiosamente uma por cada grupo era merecedora do prémio em disputa.

Foram caras pelos amadores do Montijo, o Forcado Hélio Lopes, que fez uma grande pega à primeira tentativa, tecnicamente perfeita por um grande forcado, e o Forcado João Pedro que citou com pouca decisão um toiro que pedia que o incomodassem no seu terreno, o peão de brega avisou o toiro, que saiu descomposto e foi o forcado que sofreu as consequências do inoportuno aviso, à segunda já se arrimou e consumos uma vistosa pega.

Pelos forcados do Aposento do Barrete Verde Alcochete, foram caras o Forcado Marcelo Lóia, que fez uma pega limpa à primeira tentativa, num toiro imponente que adivinhava algumas dificuldades e que felizmente não complicou, e o forcado Diogo Amaro que depois de uma grande primeira tentativa que foi praticamente uma pega, teve a honra e a honestidade de lá ir outra vez, por ter estado fora da cara do toiro, à segunda consumou uma pega espectacular, que lhe valeu 2 merecidas voltas à arena .

Pelos Amadores de São Manços foram caras o Forcado João Fortunato que pegou com coragem um toiro que se arrancou solto e com ímpeto, mas que o forcado aguentou uma eternidade e fez uma pega limpa à primeira tentativa e a última pega da noite, pelo forcado Jorge Valadas que foi também uma grande pega, perfeita em todos os tempo e também à primeira tentativa.

Por ser um concurso de pegas o prémio da melhor pega foi para o forcado Hélio Lopes dos Amadores do Montijo, decisão excessivamente contestada pelo público, que entendia que o prémio fosse para o forcado Diogo Amaro. Em nosso entender a atribuição do prémio não merece contestação, ambas podia ter sido eleitas a pega da noite, mas se a pega refutada foi a mais “espectacular” a pega eleita foi sem dúvida tecnicamente perfeita.

 

 

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