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Outra Prespetiva da Corrida da Alternativa de "Parreirita Cigano"

Corrida de Toiros, Campo Pequeno, 29 de junho de 2017.
02 de Julho de 2017 - 20:08h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 259
Outra Prespetiva da Corrida da Alternativa de

Campo Pequeno 29 de junho de 2017

Quis a força das circunstâncias que a minha primeira oportunidade enquanto cronista de uma corrida de toiros no Campo Pequeno surgisse de forma inesperada mas nem por isso para mim menos relevante. Agradeço a oportunidade ao site Tauródromo, bem como à administração do Campo Pequeno e a todas as administrações das praças de toiros que de forma independente nos têm recebido e nos dão a oportunidade de fazermos uma crítica honesta, isenta e construtiva que muito beneficia a festa dos toiros em Portugal.

No que respeita ao espectáculo propriamente dito a noite de 29 de Junho de 2017 foi de festa de diferentes gerações, foi concedida a alternativa pelo mestre Manuel Jorge de Oliveira, que comemorou 40 anos de alternativa, ao seu discípulo e novo cavaleiro doutorado “Parreirita Cigano”. Foram testemunhas de alternativa os cavaleiros Rui Salvador, Ana Batista, João Maria Branco e Jacobo Botero, para pegar o imponente curro de Veiga Teixeira estiveram em praça os forcados Amadores do Ribatejo, Amadores da Chamusca e Amadores do Aposento da Chamusca.

No início do espectáculo guardou-se um sentido minuto de silêncio em memória das vítimas do incêndio de Pedrogão Grande, pelo matador de toiro Ivan Fandiño, por D. José d’Ataide, pelo forcado José Romão Tavares e pelo fotógrafo Pedro Cardoso.

Se o peso da emoção e sentido de responsabilidade pesam muito no dia da alternativa de um toureiro nesta noite este facto esteve ausente na lide de “Parreirita Cigano” e muito por mérito do jovem cavaleiro do Cartaxo que esteve correto e sereno e fez uma destra lide à estampa de Veiga Teixeira que como os irmãos de camada cumpriu em idade peso e trapio. O toiro foi nobre mas com pouca chama e no decorrer da lide foi-lhe faltando a força, os 2 compridos da ordem foram cravados no sítio, à tira, nos curtos o cavaleiro provou a investida, afinou a abertura do quarteio e cravou na sorte de quiebro 5 bons ferros curtos, nunca descuidou o remate das sortes e esteve campino na colocação do toiro em sorte.

Pelos Amadores do Ribatejo abriu praça com o forcado Rafael Costa que esteve correto em todos os momentos da pega, mostrou-se, ganhou o sítio, mandou vir o toiro nos terrenos que quis e fez uma pega vistosa à primeira tentativa com o grupo a ajudar em bloco.

Os 40 anos de alternativa de Manuel Jorge de Oliveira foram muito dignamente comemorados, concedeu a alternativa ao cavaleiro em epígrafe, e veio a praça trazer-nos à memória aquele que foi o seu correto tourear, com sortes frontais, ao estribo e de muita verdade, o Veiga Teixeira pedia desembaraço e emocionou na ferragem comprida, bem como nas perseguições ao cavalo. Indulgente para com o seu aluno chamou à praça de novo o cavaleiro para que este tornasse a sentir o sabor da sua mais importante noite, e assim iniciaram uma lide a duo entre duas gerações e dois estilos distintos mas com muita cumplicidade e amizade a comprovar este facto esteve o apoio da claque que traziam bem como do público em geral.

Para pegar o 2º toiro da noite foram a praça os forcados Amadores da Chamusca pelo forcado Igor Cabrita que também esteve calmo e todas as partes da pega, mandou na investida bruta do toiro, mas não se fechou de pernas e foi desfeiteado pelos derrotes violentos dom toiro, à segunda tentativa foi com muita vontade buscar o Veiga Teixeira a terrenos do toiro mas conseguiu sacar-se para consumar uma boa pega com uma viagem de praça a praça.

Rui Salvador foi o 3º cavaleiro a entrar em praça, cavaleiro consagrado lidou mais uma estampa de 616kg harmoniosamente distribuídos num toiro de tremenda imponência e trapio, é notável o nível ganadero e a “elevage” destes toiros. O cavaleiro de Tomar Esteve ao seu melhor nível, com sortes frontais, de muito valor com reuniões cingidas, é de lamentar que este toureio, de verdade, chegue cada vez menos ao público, os 2 ferros compridos foram a régua e esquadro, nos curtos demorou a acertar os tempos, mas mais por culpa do Veiga Teixeira que era andarilho mas quando afinou cravou em curto 4 soberbos ferros e teve ainda o mérito de sair no tempo certo de uma lide curta e intensa.

Pelo Aposento da Chamusca esteve em praça de forma muito serena o forcado Francisco Andrade e que se mostrou corajoso a um imponente toiro que tinha muita força. Teve o mérito de ir buscá-lo de onde ele já não queria sair, e por isso não consumou à primeira tentativa, na 2ª tentativa fez uma viagem bem dura até ao grupo onde contou com uma grande 1ª ajuda do cabo Pedro Coelho.

Ana Batista foi a 4ª cavaleira da ordem e recebeu com valor e sem peões de brega o 4º toiro da noite e não teve sorte, apesar da apresentação irrepreensível, este Veiga Teixeira foi um “cobardão querençudo” que nem por um minuto se esqueceu onde era a saída para os currais, e por ali andou, apesar do trabalho esforçado e muito digno da cavaleira que felizmente contou com o apoio do público que percebeu a dificuldade de cravar ferros num toiro assim, e se ainda o fez com mérito nos ferros compridos, o primeiro muito bom de praça a praça os curtos foram 3 e a sesgo numa tarefa quase impossível.

Para pegar a fava da corrida estiveram de novo em praça os Amadores do Ribatejo pelo forcado André Martins que teve de ir lá muito acima devido à pouca vontade de luta do toiro, e depois quando se arrancou, veio com pata e era impossível parar aquela força destemperada, na 2ª tentativa o toiro veio solto mas franco e a pega consumou-se com muita vontade de todo o grupo.

O 5ª toiro de apresentação semelhante e com 592kg de peso quis o sorteio que fosse lidado pelo cavaleiro João Maria Branco, foi um toiro diminuído que não permitiu o triunfo ao cavaleiro de Estremoz, se nos compridos ainda deu o ar da sua graça nos curtos seguiu-se uma lide morna e com toques na montada, saiu ao quarto ferro curto, ouviu silêncio e com muita dignidade recusou dar a volta à praça.

O Forcado Luis Isidro dos Amadores da Chamusca foi o escolhido pelo cabo para pegar este toiro que pedia um forcado experiente, e que provou sê-lo, deixou o grupo lá bem na trincheira, mostrou-se, fez um site calmo e demorado para deixar o diminuído toiro recuperar a força e ter vontade de atacar, e quando o sentiu com sentido carregou a sorte decidido a fazer uma grande pega à primeira tentativa.

O sexto e último da noite foi um bom toiro e muito em tipo do bravo do Pedrogão, colaborante voluntarioso e sem maldade, teve pela frente o rejoneador colômbiano Jacobo Botero que teve o mérito de arriscar e agitar a noite no Campo Pequeno, houve emoção. Jacobo recebeu o toiro numa emocionante e muito bem conseguida sorte gaiola com muita “velocidade” emoção e risco, a lide teve sempre muita mobilidade e assentou em ferros variados sempre a afrontar o toiro e muito ao estilo do rejoneo, o 3ª curto foi quase o momento da noite, o toiro arrancou-se alegre e vivo de praça à praça o Jacobo teve a coragem e o mérito de esperar cá bem atrás e só esperou um pouco a mais o que lhe valeu um forte toque na montada e só por isto não foi um ferro de antologia, e ainda que não tenha cravado em terrenos de compromisso, seduziu o público muito ao seu estilo e com os números próprios deste tipo de toureio.

Para pegar este toiro que adivinhava uma boa pega esteve em praça o forcado João Salgueiro, apesar da investida impetuosa, o toiro arrancou-se franco e veio pelo seu caminho, o forcado esteve enorme mas faltaram as ajudas junto à barreira porque ali o toiro pedia contas e batia forte, e só à 3ª tentativa o grupo conseguiu “abafar” o toiro depois de 3 estóicas tentativas do forcado de cara.

No geral a corrida de 29 de junho no Campo Pequeno foi um bom espectáculo, não só pelas efemérides mas também pelo curro de toiros lidado, foram sérios impuseram-se em praça e exigiram arte e valor aos artistas Esta corrida tinha ainda a particularidade de dar oportunidade ao cavaleiro em destaque de atuar novamente na próxima semana no Campo Pequeno, a escolha recaiu justamente no cavaleiro Jacobo Botero, excepcionalmente, o cavaleiro “Parreirita Cigano” que depois de uma tão bonita e honesta alternativa foi-lhe também concedida a presença na próxima corrida no Campo Pequeno.

A corrida foi dirigida em conformidade pelo Sr. Pedro Reinhardt e abrilhantada pela singular Banda do Samouco.  

 

Jorge Rebocho

 

 

 

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