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Crónica da Extraordinária Corrida Mista de 13 de Julho no Campo Pequeno.

Crónica da Corrida de Toiros de 13 Julho no Campo Pequeno.
16 de Julho de 2017 - 14:58h Crónica por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 207
Crónica da Extraordinária Corrida Mista de 13 de Julho no Campo Pequeno.

Na passada quinta-feira dia 13 de Julho, realizou-se no Campo pequeno uma corrida mista, com lides a pé e a cavalo com dois dos maiores vultos da tauromaquia mundial, Pablo Hermoso de Mendoza e José Maria Manzanares. O lote dos toiros para a parte equestre foram da prestigiada ganadaria alentejana de António Charrua, para lide a pé foram de três ganadarias espanholas, Juan Pedro Domecq, Núñez del Cuvilho e Garcia Jimenez. Pela sumptuosidade do cartel o público compareceu e quase esgotou o Campo Pequeno.

No início do espectáculo, guardou-se um minuto de silêncio em homenagem ao ganadeiro José Palha, ainda que não fosse anunciado em praça, no coração de alguns aficionados pesou esse minuto em memória do Forcado fundador do grupo de Forcados Amadores de Bencatel Jorge Aldeagas que nos deixou prematuramente.

No que respeita ao espectáculo, a noite foi muito em tipo daquilo a que estes dois nomes cimeiros da tauromaquia nos habituaram, elegância, acerto, profissionalismo e desplante que resultam em lapidares atuações.

O rejoneador Pablo Hermoso esteve igual ao que lhe conhecemos, com lides perfeitas muito ao seu estilo, toda a sua função é plena de arte equestre e temple, com apurados adornos que resultam em lides plenas de arte se bem que na maior parte das vezes inócuas de emoção.

Abriu praça com um Charrua de 580kg, mulato, avacado e sem transmissão, limitou-se a perseguir o cavalo sem qualquer codicia e pouco permitiu ao cavaleiro, que apesar de tudo, nos compridos cravou no sitio, nos ferros curtos afinou pelo mesmo diapasão, ouviu musica ao terceiro curto.

Na segunda lide, o Charrua já tinha mais trapio e mobilidade, ainda que não fosse bravo permitiu ao cavaleiro compor a sua lide que cravou 2 bons ferros compridos, apimentou a lide de adornos, alguns bens vistosos com o cavalo a fazer bonitos ladeios cambiados e chamou o rejoneador Jacobo Botero para uma lide a duo e onde o número de ferros cravados caiu no exagero.

O 5º Charrua já foi um bom toiro que permitiu a melhor lide da noite e a chamada do ganadeiro à praça, se nos compridos o cavaleiro esteve acertado nos curtos optou por quiebros de ataque mas feitos nos tempos adequados e recebendo calorosos aplausos.

 

José Maria Manzanares veio a Lisboa comprovar porque é considerado um dos melhores toureiros da actualidade, as lides foram sempre em crescendo e a última foi feita a um bravo Domecq.

Abriu praça com o Núñez del Cuvilho castanho de olho-de-perdiz, recebeu bem de capote e o tercio de bandarilhas foi cravado com exuberância mas com pouca força, o toiro não transmitiu e o toureiro sacou tudo o que podia numa lide de confiança.

O de Garcia Jimenez com 510kg tinha a mesma capa que o anterior mas o conteúdo já era diferente, o tercio de capote e de bandarilhas estiveram ao mesmo nível, o toiro tinha som e na muleta, nos médios, houve desplante do toureiro ao expor-se corajosamente, José Maria Manzanres fez uma lide sempre muito ligada, com boas sequências de "derechazos"rematados com "passes de pecho" a um toiro que não tinha muita força mas esteve sempre fixo no engano.

O seu último toiro, o de Domecq, era de capa preta e foi um toiro realmente bravo que proporcionou os melhores momentos da noite, foi empolgantemente recebido no capote de joelhos, foi impecavelmente bandarilhado e acusava o castigo o que é sempre um bom pressagio para a lide que se adivinha brava e foi de facto uma grande lide, esta que encerrou uma boa noite de toiros em Lisboa. Nesta lide, o toureiro esteve paulatinamente nos terrenos do toiro, sempre exposto, deram tudo o que tinham, toiro e toureiro, o traje de luces impregnado de sangue foi a prova desta faena de verdade.

No capítulo das pegas, pelos Forcados Amadores de Montemor, foram caras ao primeiro toiro o Forcado Francisco Barreto que pegou à 2ª tentativa com confiança e de estaca o primeiro Charrua algo parco de forças.

Para o segundo e imponente Charrua foi chamado à praça o Forcado João da Câmara, o toiro tinha força e pedia que o forcado o trouxesse mais “toureado” no momento da reunião facto que não aconteceu. Nas tentativas que se seguiram o toiro percebeu ao que ia e já não vinha franco, concretizou à 5ª tentativa com as ajudas carregadas.

Fechou a função de Montemor o Forcado Francisco Borges que deu todas as vantagens com o grupo lá bem atrás a um toiro franco que vinha pelo seu caminho sem complicações mas o forcado teve o mérito de aguentar uma eternidade e fechou com facilidade a última pega da noite à primeira tentativa.

O espectáculo foi dirigido em conformidade pelo Sr. Pedro Reinhard.

Jorge Rebocho

 

 

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