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Crónica da Corrida de Celebração dos 117 anos da Palha Blanco
01 de Outubro de 2018 - 21:01h Crónica por: - Fonte: Sónia Batista - Visto: 1350
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As duplas toureiras, sempre despertaram emoção, disputa pelas opiniões, uma chispa especial e principalmente sempre fizeram os aficionados manifestar e opinar.

Não precisamos de andar muitos anos para trás, para nos recordarmos da dupla Nuno Velazquez e Luís Procuna… que saudades tenho eu, dessa dupla, que eram amigos, mas no ruedo competiam entre si.

Velazquez primava pela elegância e Procuna pelo poder.

O primeiro era mais contido e parecia que só via o touro quando toureava; o segundo sabia arrancar do público a emoção que o português normalmente pouco manifesta.

Confesso que eu era uma apaixonada por esta dupla Velazquez/Procuna e fui para Vila Franca, como fui para ao Campo Pequeno, no 2 de Agosto, para ver, a minha nova dupla de eleição. António João Ferreira e Nuno Casquinha.

 

A António João Ferreira, saiu-lhe um magnífico exemplar David Ribeiro Telles com 590kg de trapío e bravura, com o número 112 e de nome "Incógnito".

"Os bons touros dão triunfos aos bons toureiros e destapam os maus"; aqui a citação taurina, fez-se ver pois António João Ferreira, deliciou-nos a todos, com uma lide de sonho.

Como aficionada, tive vontade de ver e rever esta lide, por motivos estéticos e técnicos. Não falhou nada, nem no touro nem no toureiro. Uma simbiose perfeita.

De capote com verónicas e revoleras, para no seguinte sair por gaoneras.

De muleta, foi um hino ao purismo. Toureiro bem colocado, templado, distâncias correctas, a saber levar o touro a mostrar as qualidades que este tinha, por ambos os pitóns.

Confesso que cada vez, estou mais exigente com o toureio apeado, porque no fundo não acredito em Iluminados e sei as condicionantes, que impõe o toureio apeado em Portugal, pela ausência da sorte de varas. Por esse mesmo motivo, para mim, ver aquele touro de nome “Incógnito”, entre duas boas muñecas, foi todo um hino ao toureio apeado português, principalmente quando o levou pela esquerda.

 

A segunda lide, resume a disparidade entre os exemplares da Ganadaria Ribeiro Telles. Tivemos touros a servir e outros mansos a ponto de condicionar a lide.

António João de joelhos com uma larga afarolada, seguida de verónicas e com um brilhante tercio de bandarilhas executado pela sua quadrilha, a qual, destacou-se tanto no tercio de bandarilhas do primeiro do lote como no segundo.

Joaquim Oliveira, João Ferreira e João Martins estiveram magníficos. Desmonterando-se e recebendo forte ovação em cada tercio executado.

Na muleta, a falta de classe do touro foi evidente e António Ferreira teve a sabedoria de não alongar o que não tinha matéria para estudar.

 

“No me canso, no me rindo, no me doy por vencido

Este silêncio esconde demasiadas palabras

No me detengo, pase lo que pase seguiré…”

 

Este excerto músical, resume bem que a tarde teve apenas um triunfador “ Incógnito” que levou António João Ferreira, a triunfar com ele e ficar oposto ao nome do touro, que lhe deu o triunfo, ou seja, em não nada passou incógnito pela Palha Blanco.

Os grandes Maestros, deixam os seus feitos falarem por si.

 

Nuno Casquinha, teve dois touros a servirem, principalmente o segundo, mas nenhum com a Nobreza e Bravura do “Incógnito”.

De verónicas no tercio de capote, para depois primar por um tercio de bandarilhas de qualidade, prendendo a atenção do público, principalmente nas bandarilhas cravadas al quiebro, em cada touro do seu lote.

De muleta esteve sempre com vontade, iniciando o tercio de joelhos no chão. Bons derechazos e uma série de qualidade alta. Toureou por ambos os pitóns.

No segundo touro do lote, com o capote, desenhou uma larga afarolada e verónicas.

Com a muleta toureou sobretudo pelo lado direito. Teve vontade, mas na minha opinião, a lide precisava de mais temple e temple é o conceito mais importante no toureio.

 

Na parte equestre João Moura Júnior, perante o mais pesado Touro da tarde, 610 kg, teve a sua prestação, condicionada, pela mansidão do touro. Resultado... ficou sem volta.

Duas tiras nos compridos e cravou a ferragem da ordem nos curtos, com marcações ao piton contrário.

 

No quinto touro da tarde, a História já foi bem diferente, o touro a sair com muita pata e o cavaleiro a cravar com grandeza.

O cavaleiro evoluiu na lide e destacou-se ao primeiro curto cravado de largo e de frente, ao terceiro pelo risco e ao quarto, este último com forte batida ao pitón.  Na brega também conseguiu entusiasmar os tendidos.

 

João Telles Júnior, que fechava a sua temporada nesta data, teve o pior lote.

No primeiro nem música nem volta, apesar de ter cravado com muita técnica a quarta bandarilha.

Com o sexto da corrida, a sorte continuou sem o abençoar e ficou novamente sem música e sem volta, apesar de ter estado muito por cima do touro, principalmente ao quarto curto cravado de largo e marcado.

 

Para as pegas tivemos pelos Forcados de Santarém a ir á Cara António Goes e António Taurino, ambos a consumarem na primeira tentativa.

Pelos forcados da terra ou seja pelos Amadores de Vila Franca, Pedro silva a consumar à terceira e David Moreira à primeira.

A empresa Tauroleve, apostou forte na rigidez empresarial, como montou esta corrida, tanto que na véspera da corrida, os touros Falé Filipe anunciados foram trocados, devido à falta de trapio, por mais exemplares da ganadaria David Ribeiro Telles. Para já não falar, que os empresários nos presentearam com oito touros, dois para cada artista, para celebrar o aniversário da Palha Blanco.

Arriscados foram os irmãos Levezinho, pois temos ai à porta, a Feira de Outubro de Vila Franca, mas ainda assim, este empresários, montaram um cartel digno, para a importante comemoração da Palha Blanco, que estes empresários tão bem têm sabido preservar.

 

 

Foto Sofia Almeida

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