Alcácer à cunha para uma boa corrida - 4 de Outubro 2009

Troféu João Branco Núncio entregue com justiça a António Ribeiro Telles.
Segunda, 5 de Outubro de 2009 14:56h - Visto: 1018 - Autor: Sara Teles - Fonte: Taurodromo.com - A tua Tertulia Digital - Hits: 88
Alcácer à cunha para uma boa corrida - 4 de Outubro 2009
Belíssima praça de toiros de Alcácer do Sal, à cunha, para a corrida dos triunfadores organizada pela empresa Terra Brava, em que se disputou o 6.º troféu "João Branco Núncio". Recheada de uma visível competição entre os três cavaleiros, foi uma tarde muito agradável completada por elevada estética.

João Moura abriu praça e chegou com sonoridade às bancadas com uma lide vistosa e de muito acerto que deu ao primeiro exemplar do curro da Herdade de Pégoras que investia aos arreões sem sair das tábuas. Foi nesses terrenos que a lide decorreu, quer na brega quer nas ferragens mas ainda assim com boas notas e bom efeito, em especial ao 4º ferro, também ensesgado mas com sorte carregada ao píton contrário, de alto abaixo. Moura não contorna as dificuldades antes mostra fácil o que não tem facilidade.
Na segunda lide, subiu o timbre e a emoção já que com melhor matéria-primeira se compôs também uma melhor sinfonia entre a brega característica do cavaleiro, sempre com a espádua e estribo da montada oferecidas aos pítons do toiro. De pior nota, da súmula de todos os que deixou neste e no outro exemplar - um 4º ferro descaído, que corrigiu com outros dois de caras nos médios em quarteio aguentado de justo valor.

António Telles apresentou-se tanto a gosto quanto inspirado. O conclave, entusiasmado com o evidente zelo e sentimento que pôs na lide, a ela se entregou também, o que foi puxando de um lado e outro para um sentido ascendente e grato. No primeiro toiro que lidou e que esperou numa enlevada e vistosa porta gaiola, executou os três da ferragem comprida com correcção para seguir para os curtos nos médios em sorte de caras, com muita voz a carregar na reunião e quarteio sempre aguentado. Resultou mal o primeiro curto, a cilhas passadas e muito bem o 5º ferro, alto abaixo ao estribo.
A segunda lide não foi tão perfeita quanto a primeira. O novilho-toiro saiu reservado e assim o foi até ao final da lide embora tenha vindo a mais na ferragem curta. O ginete da Torrinha andou adornado e andou frontal entre a sorte à tira e a de caras, resultando ímpar em beleza um único ferro (4º - oferecido a Luís Miguel da Veiga) nos médios com os tempos bem marcados e escolhidos. Depois da enorme pega que consumou a dupla de cernelheiros de Montemor, o cavaleiro dispôs-se a dar uma segunda volta, que apesar de não ter sido completamente descabida teve óbice apenas porque teria feito muito mais sentido pela primeira lide. O público aplaudiu com som cavaleiro e forcados pelas duas voltas que deram e, quem manda é mesmo o público.
O troféu para melhor lide foi entregue a António Telles, com toda a justiça, apesar de com certeza não haver ter sido fácil a escolha, pois que cada cavaleiro trouxe bons argumentos ao mérito para o receber, contudo sem dúvida que o vencedor o mereceu. O público assim o aplaudiu também!


De Luís Rouxinol, recém chegado de mais um troféu, esperava-se mais uma aposta forte que lhe fizesse merecer o brejeiro epíteto que lhe vêm atribuindo pelo somatório de "palmarés" na sua carreira. Não foi, porém, afortunado com o sorteio e couberam-lhe lidar os exemplares menos colaborantes.
Em primeiro lugar lidou um encastado de arremetidas que castigava nas reuniões. Apesar da calma no cite e, a reunião resultou variadas vezes demasiado cingida pelo que a montada resultou diversas vezes tocada à garupa. O cite por "terra-a-terra" foi a graça maior da lide somado ao quarto ferro curto e o palmo, ambos nos médios num quarteio de boa nota.
O segundo que lidou e que deu por finda a corrida foi um manso irremediável que em nada colaborou com o cavaleiro. A lide foi breve no quantidade de ferros mas cada cravagens levou seu tempo. Ainda assim, deixou dois ferros nos médios e outros dois em tábuas, quase perdendo todo o lustro do anterior trabalho quando acedeu à petição do par quando o toiro já estava completamente parado em tábuas.

Os dois grupos de elite enobreceram as ramagens das jaquetas que vestiram.

AMADORES DE MONTEMOR:

João Tavares - 2ª Tentativa

1º Intento: Pela hesitação do exemplar teve o forcado que adiantar-se na jurisdição para carregar (com garra) a sorte, porém não pôde corrigir-se na reunião com um só píton e apesar de ter fechado à córnea saiu desfeiteado assim que o exemplar armou novo derrote para o despejar.

2º Intento: João Tavares consumou uma pega de enorme ovação já que de ter haver entrado pelo grupo, o toiro investiu com pata e o forcado reuniu com braços (à córnea) e pernas bem fechados, tardando as ajudas, que só reuniram eficazmente em tábuas.


João Romão Tavares - 1ª Tentativa
Citou, carregou, consentiu, mandou e reuniu com técnica perfeita consumando uma pega imponente, já que o toiro entrou com pata sem derrotar mas com dureza, a que correspondeu muito bem o primeiro ajuda (Joaquim Murteira Correia).


João Maria Santos & Tiago Telles Carvalho - Cernelha 1ª entrada

A córnea do exemplar não permitia a pega de caras e mandou o cabo que se saísse à volta. Em boa hora o fez porque a praça aplaudiu de pé a dupla de cernelheiros que consumaram à primeira entrada, com decisão e com muito donaire a rija pega, depois de algum tempo (sem precipitações) na preparação a encabrestar o toiro.


APOSENTO DA MOITA

José Broega - 1ª Tentativa

1ª Tentativa: Mais uma pega (como se diz na gíria foi um "pegão") que o conclave aplaudiu de pé, já que com as ajudas coladas a tábuas e o forcado a citar depois dos médios, se consumou uma enorme pega à córnea, com o forcado a receber só um píton na reunião mas a ficar fechado sem largar os braços apesar dos vários derrotes e da investida contrária à trajectória do grupo.

Diogo Gomes - 1ª Tentativa

1ª Tentativa: Uma vez mais as ajudas se quedaram nas tábuas e deixaram o forcado "sozinho" num cite de impor respeito. O forcado reuniu com grande decisão à córnea e a pega não resultou vistosa mas pôs em evidência o valor do forcado que se manteve fechado por toda a viagem de cabeça baixa do exemplar. Boa nota para a prestação das ajudas, que podem "dar-se ao luxo" de emprestar estes brilhos às pegas já que correspondem com muita decisão. Denote-se aqui a prestação de Tiago Ribeiro a rabejar, sem dúvida a melhor de toda a tarde entre ambos os grupos.

Bernardo Cardoso & Tiago Ribeiro - Cernelha, 1ª entrada

O toiro, reservado na lide, assim se manteve quando a dupla de cernelheiros o pegou. Não emprestou emotividade e os forcados tiveram que abreviar - e bem - a sua prestação. Nem mesmo o exímio cabo / rabejador pode brilhar, com o toiro encostado a tábuas.
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