Reis das Bandarilhas - Coliseu do Redondo - 1 de Novembro de 2009

As bandarilhas conformaram o melhor do espectáculo
Segunda, 2 de Novembro de 2009 21:08h - Visto: 1316 - Autor: Sara Teles - Fonte: Taurodromo.com - A tua Tertulia Digital - Hits: 400
Reis das Bandarilhas - Coliseu do Redondo - 1 de Novembro de 2009
O Verão prolongado de 2009 (com ao prejuízos que conhecemos para a actividade rural) permitiu que a temporada taurina tivesse até ao fim bons registos de bilheteira, mesmo nas corridas extra calendário (tendo sido a consagrada Feira de Vila Franca a única visada pelo mau tempo).

Com efeito, foi ainda em dia de temperatura amena que o Coliseu do Redondo (cuja cobertura permitia a arrojada data) encerrou o abono com a corrida mista encabeçada pelos "Reis das Bandarilhas" do actual panorama taurino.

Nesta senda o tércio de bandarilhas do toureio apeado e a ferragem curta das lides a cavalo, tiveram o destaque e a espectacularidade que se exigia a um cartel anunciado com tal apodo, cumprindo-se a ideia da Associação Tauromáquica Redondense que gere o tauródromo.

Apesar do resultado positivo de bilheteira (3/4 de casa) e do agradável espectáculo que se concretizou, a corrida resultou diminuída pela condição do curro enviado pela ganadaria de Francisco Luís Caldeira. Se para as lides a cavalo houve bravura (no conceito moderno que contempla suavidade de investida, nobreza e codícia q.b.), para as lides a pé os erais/novilhos não foram de igual condição. Para além disso, os pesos entre os 430 e os 470kg mostraram-se abaixo do que o Coliseu merecia, tanto quanto o ano de 2007 marcado na espádua (apesar das comprovadas "três ervas" - como demonstrou o director António Garçôa pelo B.I. das reses).

Logrando alcançar a difícil tarefa de "aquecer" o público, Joaquim Bastinhas abriu praça com uma lide ao seu jeito, que veio de menos a mais em espectacularidade. É um cavaleiro de estilo próprio e como assim, a lide seguiu a sua linha. Andou frontal e arrecadou verdadeira ovação com o par fortemente peticionado pelas bancadas.
Ante as boas condições de lide que também demonstrou o segundo exemplar, o cavaleiro de Elvas subiu a fasquia, com uma ferragem curta adornada e variada nas sortes, nas quais deu vantagem e que terminou com um palmo e par a agradar do público.

Luís Rouxinol também agradou com as vistosas bandarilhas cravadas ao seu estilo popular. No primeiro exemplar, cumpriu a ortodoxia nos compridos e primeiros curtos e deu espectáculo com os cites airosos e cravagem do palmo seguido do exigido par.
Para fechar a tarde, o cavaleiro de Pegões mostrou o que faz dele o 1.º do escalafón, ao colocar emoção nas cravagens adornadas num novilho que não transmitia pela falta de codícia. Disso fez seu proveito para terminar em bom ambiente com um violino, um palmo, um par e por fim, novo palmo.

O diestro moitense, que ao longo da temporada se tem vindo a proclamar como o "matador dos êxitos", não teve sorte com os dois novilhos que lidou. Se é certo que não se trata aqui de uma ciência exacta que permita afirmações com base em duas premissas, o encaste da ganadaria de Francisco Luís Caldeira pareceu não resultar para o toureio apeado.

Das actuações de Luís Procuna pouco mais ficou do que o tércio de bandarilhas - no qual se sabe, ser de facto soberano.
Apresentou-se ao primeiro exemplar por delantales e navarras, que contudo não resultaram templadas mas antes arriscadas, potenciando o perigo que o novilho mostrou na flanela.
Depois de um tércio de bandarilhas fortemente ovacionado, a lide foi devidamente abreviada na muleta, pela brusquidão com que o novilho entrava pelos dois pítons sem recorrido e buscando a figura ao invés do engano.
O mesmo aconteceu na faena do segundo que lhe coube. Apesar do desalento, Luís Procuna nada pode fazer para contornar as más condições do novilho e assim, o inglório esforço teve som apenas na espectacularidade do tércio de bandarilhas - recebido com entusiasmo nas bancadas.

O Grupo de Forcados Amadores do Redondo, pegou em solitário os quatro novilhos embolados cuja nobreza permitiu boas pegas.

Luís Figueira - 1ª Tentativa

Em técnica perfeita carregou a investida solta e deu cova. Apesar de ter esquecido o mando quando recuava, o que permitiu que a investida ensarilhasse, reuniu em tempo acertado à barbela consumando ao primeiro intento.

Hélder Delgado - 2ª Tentativa

Não conseguindo obter reunião ao primeiro intento pela falta de voz a recuar, consumou à barbela à 2.ª tentativa, desta feita sem dificuldades.

João Laranjinho - 1ª Tentativa

Apesar de o forcado ter deixado o joelho por diante na reunião, conseguiu consumar bem fechado à córnea com o grupo a corresponder com eficácia.

Nuno Fitas - 1ª Tentativa

À córnea e em boa técnica, o forcado consumou a última pega da tarde com decisão e boa ajuda do grupo.

Da prestação do grupo deve subtrair-se ao mérito e bom resultado as actuações do rabejador, que salvo conseguir entrar com rapidez não rematou nenhuma das pegas com brilho.
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