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Entrevista ao cavaleiro "californiano" Paulo Ferreira

José Ávila antrevista Paulo Ferreira, que tem sido um cavaleiro dos mais briosos que alguma vez pisaram arenas da California.
17 de Março de 2011 - 09:49h Entrevista por: - Fonte: - Visto: 1869
Entrevista ao cavaleiro

Paulo Ferreira, tem sido um cavaleiro dos mais briosos que alguma vez pisaram arenas da California. Todas as suas actuações pactuam-se pelo profissionalismo, pela honestidade e por dar tudo por tudo para agradar à nossa aficion. Vale sempre a pena vê-lo tourear.

José Ávila - Como é que viste a temporada passada?

A temporada de 2010 para mim foi muito positiva, pois toureei um bom número de corridas e que no geral correram bem. Foi uma temporada onde também consegui estrear 2 cavalos pretos com ferro Ortigão Costa (o Mantorras e o Chibanga ) e também voltar a repartir cartel com uma figura do toureio por quem tenho muito respeito, que é o Rui Salvador. Tudo isto me dá uma enorme satisfação e alegria de estar aqui e muita ilusão de continuar a trabalhar.

Paulo Ferreira - Quantas vezes toureaste e qual foi a tua melhor actuação?

Em 2010 toureei 9 corriddas. A minha melhor actuação... não sou eu a melhor pessoa para falar àcerca disso, os aficionados poderão responder melhor do que eu, pois são eles os meus críticos e o mais importante para mim é a opinião deles. Só sei que em todas as corridas que actuei dei o meu máximo e tudo fiz para que as pessoas saiam satisfeitas com o meu desempenho.

José Ávila - Na tua opinião, qual tem sido a evolução da festa brava na California?

Paulo Ferreira - A evolução da festa brava tem sido a meu ver bastante positiva, pois temos boas ganadarias, temos mais grupos de forcados, temos cavalos de grande nível, quer em qualidade, quer em quantidade e se Deus quiser em breve teremos mais um cavaleiro profissional. Acho que tudo isto é de louvar e agradecer a todas estas pessoas que permitem que isto seja possível. Não só as pessoas que estão envolvidas no espectáculo própriamente dito, mas também a todos aqueles que trabalham em prol da festa brava.

José Ávila - A tua dedicação aos cavalos da Coudelaria Irmãos Martins tem proporcionado a possibilidade de podermos ver cavalos de muita categoria. Fala-nos do teu dia a dia e das tuas preocupações com os cavalos.

Paulo Ferreira - Desde já quero agradecer as suas palavras. Sempre ouvi dizer que nesta vida, para se ter algo de bom, tem de se trabalhar para isso, pois é isso que tenho feito. Tenho trabalhado bastante e tenho colhido bons frutos disso e fico super contente de poder estar a contribuir com algo para a evolução da festa brava na California. O meu dia a dia é montar a cavalo, começando por volta das 7.30 da manhã até cerca das 6 horas da tarde. Faço esta vida já lá vão uns aninhos e cada temporada que se aproxima tenho sempre a ilusão de apresentar algo de novo.

José Ávila - Se tivesses uma varinha mágica, o que é que mudavas na nossa festa brava?

Paulo Ferreira - Agora fez-me rir com esta pergunta, porque de mágico não tenho nada. Mas o que faria era tentar trazer as maiores figuras do toureio a cavalo e do toureio a pé, para que as pessoas aqui pudessem apreciar as grandes figuras do toureio que há neste mundo, pois nós temos muitos aficionados aqui que merecem todo o respeito e era essa a minha prenda que dava a todos eles.

José Ávila - Quais sao as tuas expectativas para 2011?

Paulo Ferreira - Normalmente todos os toureiros têm sempre muitas expectativas no início das temporadas, e eu não sou excepção. É verdade que não é fácil atingir um patamar superior neste mundo, mas tenho a total entrega da minha família e o apoio de alguns bons amigos que me dão força para continuar o meu dia a dia.

José Ávila - Qual e o estilo de toureio que gostas mais? E porquê?

Paulo Ferreira - Eu aprecio todos os estilos de toureio, pois cada um à sua maneira tem formas muito bonitas. Tenho toureios que admiro mais que outros e isso é normal. Aprecio muito João Moura, Pablo Hermozo de Mendoza, Rui Salvador. O Rui quer como toureiro, quer como pessoa, acho que é um exemplo a seguir, pois ser toureiro não é só tourear dentro da praça, é também saber estar fora dela. Tenho um carinho especial também pelo cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira, pois foi o único mestre que tive e tudo aquilo que sei devo a ele e estou muito agradecido por todos os seus ensinamentos.

José Ávila - Como é que vês a aficion da California?

Paulo Ferreira - Acho que é uma aficion entendida, pois já sabe bem distinguir quando as coisas são bem ou mal feitas e isso é muito bom, pois exige muitos mais dos toureiros também. Para além disso temos os críticos taurinos que também ajudam a que as pessoas entendam mais ao pormenor todos os detalhes das actuações dos toureiros, o que é muito importante.

José Ávila - Como é que começaste a tourear e porquê?

Paulo Ferreira - Muitas vezes penso como tudo aconteceu mas nem eu consigo compreender. Desde muito novo que adoro cavalos e também de corridas de toiros, mas aquilo que queria mesmo ser era jogador de futebol do Benfica, este era o meu sonho de menino e ainda hoje quando vejo os jogos penso para mim o quanto eu dava para estar ali. Aos 17 anos achei que já não iria conseguir pois havia muito melhores que eu e então decidi voltar para os cavalos. Deixei os estudos aos 17 anos, com o 10º ano de escolaridade e disse ao meu pai que queria montar a cavalo. O meu pai era amigo do cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira, telefenou-lhe e tudo comecou no dia 1 de Julho de 1999, quando entrei para a Casa Oliveira para montar a cavalo. Na minha família nunca houve, nem há ninguem ligada a tauromaquia.

José Ávila - A California é o teu presente e o teu futuro?

Paulo Ferreira - A California tem sido o meu passado, é meu presente e se Deus quizer irá ser o meu futuro. Conheci aqui as pessoas mais sérias da minha vida, tenho sido super bem tratado desde o primeiro dia que aqui cheguei, foi aqui que fui recebido quando já me tinham encostado em Portugal, e jamais poderei voltar as costas perante todas estas circunstâncias. Apesar de tudo isto, tenho um relacionamento com as pessoas de grande carinho e respeito, que ano após ano tem vindo a ficar mais sólido.

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