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Joaquim Grave fala-nos de voltas e lenços

Entrevista a Joaquim Grave relativamente à questão das voltas à arena nos espectáculos taurinos em portugal
29 de Março de 2011 - 22:46h Entrevista por: - Fonte: - Visto: 1960
Joaquim Grave fala-nos de voltas e lenços

Como tenho abordado ultimamente a questão das voltas à arena, e o que elas representam para os espetáculos taurinos em Portugal, hoje trago-vos uma entrevista ao Veterinário Joaquim Grave, como todos conhecem não só como ganadeiro mas também como comentador taurino.

Taurodromo.com: No artigo que escrevi no final da temporada passada "Proposta de Prémios e Critérios para as actuações", há um claro sentido de dignificação da festa brava em Portugal, concorda com a necessidade de se trazer mais dignidade à festa em geral?
Joaquim Grave: Naturalmente que sim, concordo que se deva trazer mais dignidade à festa, mais profissionalismo, porque isso irá clarificar e por assim dizer ordenar as coisas na nossa festa, e tudo o que acontecer nesse sentido é sempre positivo e desejável.

Taurodromo.com: Enquanto aficionado e crítico taurino, quais deveriam ser os critérios a considerar atualmente para se decidir se uma volta à arena é merecida ou não?
Joaquim Grave: O público que paga e manifesta o seu agrado pela atuação ou não, não pode haver outro critério, no meu entendimento, claro.

Taurodromo.com: Acha que este modelo atual que não regulamenta este aspeto dos espetáculos é adequado para um público sem sentido critico relativamente à presença do toiro em praça, nem à qualidade da prestação dos toureiros?
Joaquim Grave: O regulamento atual, o que está ainda em vigor, estás perfeito neste aspeto, pois diz claramente que uma das funções do diretor de corrida é permitir a volta à arena quando solicitada pelo público, a questão é que isto não se cumpre. Pelo que parece, neste novo regulamento que irá entrar em vigor, já acrescenta esta questão dos lenços.

Taurodromo.com: Ainda relativamente aos diretores de corrida, concorda que a sua ação moderadora no espetáculo poderá desempenhar um papel também pedagógico? E quais os benefícios desta ação pedagógica?
Joaquim Grave: Em primeiro lugar temos de pedir ao diretor de corrida que ele vá ao espetáculo para fazer cumprir o regulamento, é para isso que ele lá está, não lhe podemos pedir para ter uma ação pedagógica porque ele não tem capacidade nem formação para isso. Esse papel pedagógico está de certa forma mais destinado à imprensa que nos jornais e revistas e e hoje em dia mais até na Internet fazem as suas crónicas, e aí sim é que há espaço para esta ação pedagógica a que se refere desde que haja artigos de qualidade.

Taurodromo.com: Um dos aspetos positivos que sobressai é o espaço que é automaticamente criado para um espírito de competitividade entre toureiros, que benefícios é que isto nos trás?
Joaquim Grave: Bom, é certo que isto nos trás benefícios a todos, mas em especial aos próprios toureiros, muito embora eles estejam um bocadinho desconfiados. Como é natural as faenas devem ser distinguidas umas das outras pois acho que vai ser melhor ainda para os toureiros que consigam esse prémio pois os seus êxitos vão ter mais força, depois deixa de haver um prémio que é sempre igual para todos, ou seja os benefícios vão ser sobretudo para os toureiros.

Taurodromo.com: Concorda que a intervenção do público no resultado de uma corrida é um benefício do ponto de vista da motivação para o aumento da assistência nos espetáculos taurinos em Portugal?
Joaquim Grave: Francamente não me parece que vá ter muita influencia do ponto de vista da assistência, poderá de certa forma contribuir para uma maior satisfação do público, no entanto não me parece que esse fator seja decisivo para alguém sair de casa e ir ao espetáculo.

Taurodromo.com: Na sua opinião, que medidas utilizaria para implementar o modelo que sugerimos e como poderia ser complementado?
Joaquim Grave: No que toca à regulamentação das voltas à arena não me parece que haja muito mais que regulamentar, o que me parece é que a sua implementação deve ser imediata e deverá partir sempre da autorização do diretor de corrida, este que indicará aos toureiros e/ou aos forcados para darem a volta à arena. No entanto, para que isto funcione parece-me que deverá haver é uma ação de divulgação desta nova situação para que o público possa também estar preparado.

Taurodromo.com: Dado tudo o que acabamos de abordar, concorda com a urgência de se regulamentar este aspeto dos espetáculos taurinos em Portugal?
Joaquim Grave: Sim, acho que é absolutamente urgente pois vem dignificar, clarificar, distinguir trazer mais verdade e seriedade à festa.

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