Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
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Entrevista com o Ganadeiro Alentejano Joaquim Alves

Estavamos no mês de junho e depois do Ganadeiro Joaquim Alves ter triunfado na primeira praça do país, e posteriormente em Évora
02 de Dezembro de 2012 - 23:00h Entrevista por: - Fonte: - Visto: 3280
Entrevista com o Ganadeiro Alentejano Joaquim Alves

Estavamos no mês de junho e depois do Ganadeiro Joaquim Alves ter triunfado na primeira praça do país, e posteriormente em Évora, logo em dia de estreia como Ganadairo no mais importante, prestigioso e antigo Concurso de Ganadarias, achámos que seria o momento certo para podermos entrevistar com este Ganadeiro.

Taurodromo – O que levou o senhor Joaquim Alves a ser ganadeiro?

Joaquim Alves - Nada me levou a ser ganadeiro. Há 12 anos, no dia 31 Dezembro, estava a tomar o pequeno-almoço aqui em Montemor, quando encontrei o Simão Malta (neto), à porta à minha espera quando me disse “Decidimos ontem à noite, em reunião de família, vender a ganadaria e achámos que a pessoa quem primeiro devíamos falar, era com o senhor e portanto estou aqui para em primeira mão lhe vender a ganadaria, o ferro, a divisa…”. Eu fiquei de boca aberta porque achava que era impensável que vendessem a ganadaria. De maneira que fiquei - olhe - sem pinga de sangue. Agradeci-lhe, disse que não - não estava interessado. Não sei o que me passou pela cabeça, quando ia a entrar para o carro, disse-lhe: "Ouve lá, quando é que agente pode ver a ganadaria e podemos falar?" E ele responde " Quando quiser". - Então amanhã estamos lá para ver a ganadaria. E assim foi. Fizemos uma proposta para não comprar e a resposta foi "a ganadaria é vossa". E portanto olhe - foi a maneira como comecei isto. Pensava que, na altura, em sociedade com o Dr. Oliveira Soares, levávamos isto a brincar - começávamos com 40 vacas e dávamos uma corrida ou duas, uma novilhada. E a pouco e pouco fui entrando nisto e olhe, hoje estou metido nisto até "aqui". Portanto olhe, não foi nada pensado. Foi sem querer e de livre vontade.

Taurodromo - Porque é adquiriu a ganadaria mãe de todas as ganadarias portuguesas a de Pinto Barreiros?

Joaquim Alves -Vinha um dia de Valência com a minha mulher e parei em casa do “Juli” para almoçar. Aí, numa conversa ao almoço o pai do “Juli” diz-me assim "olha ouve lá, esteve aqui ontem a almoçar conosco o António Rodenas e veio-nos aqui oferecer a ganadaria e o ferro Pinto Barreiros. Vê lá se sabes o que é que se passa, porque poderemos vir a estar interessados na compra da ganadaria ". E eu disse-lhe "epá eu acho que isso é impensável porque isso não se vende mas
de qualquer das maneiras agora vou para casa e vou ver se consigo saber alguma coisa". E quando vinha a chegar aqui a Montemor  vejo ali nas paredes do campo de futebol um programa a anunciar uma corrida em Mora - uma corrida de Pinto Barreiros. E digo "não é tarde nem é cedo". Fui nesse domingo a Mora à corrida vi o Zé Pinto Barreiros e fiz-lhe uma conversa assim logo "sabes, agente comprou a ganadaria ao senhor Simão Malta há dois anos, estava a pensar aumentar e penso que se vocês estivessem nessa disposição, comprava 30 ou 40 novilhas por tentar". E ele respondeu "Não podemos vender-te as novilhas mas vendemos-te a ganadaria". Então falámos, fomos ver a ganadaria, as vacas, os toiros e aquela coisa toda... estava tudo por aí espalhado.

O Engº Samuel Lupi e o senhor David Ribeiro Telles, fizeram três avaliações e entregaram aos advogados e daí fizeram uma média e aceitavam propostas à carta
fechada. Nós fizemos a nossa proposta (nessa altura quem representava a ganadaria era o Dr. Carpinteiro Albino) isto em Setembro. Proposta essa que ficou lá.
Passou Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro e no dia 27 ou 28 de Dezembro, decidi que deviamos ir falar com o Dr. Carpinteiro Albino, ele dava a resposta
até ao dia 31 de Dezembro e nos entregavam a ganadaria ou então tirávamos a nossa proposta. Foi no dia 31 - eu estava a jantar em casa e telefona-me o Dr. Carpinteiro Albino "Está bem disposto?", "Estou" "É para lhe dizer que decidimos em reunião de advogados entregar-lhe a ganadaria, portanto a partir de hoje pode-se considerar dono da ganadaria Pinto Barreiros". Foi assim... E pronto, aquilo foi ali um bocado complicado, colheitas de sangue e não sei quê, para esquerda e para a direita. Lá se fez depois o contrato e dali a três meses entregaram-me a ganadaria. A seguir arrendei ali o Monte Branco, onde hoje estão ali as máquinas. E pronto olhe, ando metido nisto há 10 anos.

Taurodromo - Qual é o efetivo das ganadarias?

Joaquim Alves - São Torcato Vacas 120

Pinto Barreiros Vacas 160

Quanto ao efectivo total de tudo são 1018 reses.

Taurodromo - Quantos curros tira por ano?

Joaquim Alves - Este ano lido 7 Pinto Barreiros e 3 São Torcato.

Taurodromo - Como vê o momento das suas ganadarias presentemente?

Joaquim Alves- Compete aos senhores, não me compete a mim. Os senhores é que podem dar uma opinão daquilo que acham que as ganadarias estão mas não lha vou dizer.

Taurodromo - Sei que foi a sua estreia este ano no concurso de ganadarias em Évora, como foi apresentar-se no concurso de ganadarias mais antigo e de maior prestígio em Portugal e logo ganhar o troféu de bravura?

Joaquim Alves - No ano passado, estava em Évora numa corrida que houve ali em Outubro de Palha. E estava ao meu lado o António Manuel Barata da Casa das Enguias, estava o Varela Barata Gomes e disse "Acabaram de me entregar a praça de Évora e é ponto de honra meu que a primeira corrida que faça em Évora" ---- Perguntou-se se tinha hipótese de ir com dois e eu disse é pá não pá,. Gostava muito de ir a Évora, tenho lá muitas pessoas amigas, toda a gente me trata bem, têm-me respeitado e sei que Évora é uma cidade um bocado fechada e terra de grandes ganadarias e ganadeiros ---- primeira corrida. E então decidimos assim, saía um toiro de São Torcato no concurso e uma corrida de Pinto Barreiros (Corrida de São Pedro - 29 de Junho).

Taurodromo - Sei que pensa constituir uma nova ganadaria. O que nos pode dizer sobre este novo projeto?

 Joaquim Alves - Isto era uma coisa que já estava pensada à tempo e com a doença da mulher e o que se passou parou e eu logo a seguir à morte da minha mulher é que isto se resolveu, fui a Espanha à procura daquilo que tinhamos pensado.

Não é fácil de arranjar, comprei lá dois novilhos numa capa que queria eu queria que fosse amarelo.

Os novilhos são Nunes del Cuvillo mas da linha Osborne e o que o é que eu tinha pensado: tirar 20 vacas da linha que eu quero e constituir um terceiro ferro,
cruzando com esses novilhos e é o que neste momento estou a fazer.

Se isto se vai concretizar nem sei dizer - é assim que está a começar a funcionar, isso está. Ferro ainda não o arranjei, estou há um ano e tal para o arranjar.
Depois porque para ter um ferro é preciso pelo menos quarenta vacas - tem que entrar com 40 vacas.

Dizem que há aí muita coisa à venda mas não. É tudo mentira. Ninguém vende. Tenho a hipótese e se calhar é o que vou fazer, de comprar os direitos de um ferro e compro um ferro novo.

O nome não lhe sei dizer, se é o meu nome - possivelmente sim que é para aguentar o resultado.

Taurodromo - Entre as várias capas que existem nas reses bravas por que é que escolheu o ensabanado?

Joaquim Alves - Sempre gostei muito da capa do toiro ensabanado. E vi grandes corridas em Espanha de Osborne, donde tudo o que é ensabanado vem daí. Hoje aparece ---- que tem aquela capa. Mas vi grandes corridas Osborne com aquela capa. Eu recordo-me aqui há 10 ou 12 anos ou mais em Malaga, uma corrida de Osborne que foi o grande triunfo de José Tomás onde sairam três toiros ensabanados extraordinários. E é uma capa que eu gosto, agora se o que eu disse vai dar aqui ---- 25 vacas que eu tenho.

Os toiros um é ensabanado em colorau e outro é ensabanado em negro se aquilo vai dar ensabanado, se vai dar colorau, se vai dar preto - vamos ver o que vai dar.

Agora não vou deitar nada daquilo nem com ferro São Torcato nem com ferro Pinto Barreiros que é para não haver misturas. Se der o petardo tem que ser com o nome e pronto.

Taurodromo -  O que pensa da falta de bravura actualmente em muitos toiros?

Joaquim Alves - O problema é os ganadeiros ouvirem os toureiros. Um ganadeiro não podem ouvir um toureiro.

Vou-lhe dizer uma coisa, tenho lá um toiro excepcional - eu não vi, não vi que a minha mulher estava mal e não fui lá. Mas que saiu no festival de Alcochete, há dois ou três anos. Um novilho que foi para toda a gente aqui e em Espanha toda a gente diz que foi excepcional.

Quando isto começa não se pode deitar às vacas, na minha opinião. Porque os toureiros começam a dizer que é excepcional, os apoderados e os empresários..... Aquilo tem que ter mais pó. Esta é a minha opinião.

Num tentadero, um toureio diz "epá esta vaca é excepcional e para aqui e para ali".

Taurodromo - Que critérios adopta o senhor como ganadeiro na selecção das suas reses - das futuras mães. Que características de bravura.

Joaquim Alves -Raça, transmissão, fiereza e obediência ao estoque. É o meu critério, mas agora conheço muitas vezes - e está aqui o senhor Simão Comenda que tem visto tentar muita bezerra ali em casa hoje em dia.

Mas sei as dificuldades que tenho.  A minha forma de estar nos toiros, de ver os toiros e de estar na festa, neste momento está um bocado antiquada para os tempos em que nós estamos. Sei que não vai ser fácil. Vai ser muito complicado mas vamos ver. Vêm aí dias muito dificeis e muito preocupantes por todos nós.

 

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