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Entrevista ao novilheiro com picadores Joaquim Ribeiro Cuqui

A poucos dias do seu debute com picadores em Espanha, estive à conversa com Cuqui, para dar-vos a conhecer um pouco do seu percurso taurino por Portugal, Espanha e México e analisar a conjuntura e preparação feita, para esta tão importante data.
16 de Julho de 2014 - 21:56h Entrevista por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1897
Entrevista ao novilheiro com picadores Joaquim Ribeiro Cuqui

Entrevista ao novilheiro com picadores Joaquim Ribeiro Cuqui

 

Joaquim Ribeiro Cuqui é um jovem novilheiro com Picadores, que regressou no final do ano passado a Portugal.

Este novilheiro, tem divido a sua carreira, por Portugal, Espanha e México.

A poucos dias do seu debute com picadores em Espanha, estive à conversa com Cuqui, para dar-vos a conhecer um pouco do seu percurso taurino por estes três países e analisar a conjuntura e preparação feita, para esta tão importante data.

Para além de entrevistar o novilheiro, falei um pouco com o irmão, Joaquim Ribeiro, seu Moço de Espadas e principal pilar nesta caminhada. Quis conversar com o seu irmão para analisar o novilheiro através dos olhos, de quem melhor o conhece. A sua família.

 

1-Como surgiu a vontade de ser toureiro?

Eu nasci em Lisboa, mas desde pequeno vivo na Moita. Sempre acompanhei o meu pai nas largadas de touros na Moita, Vila Franca, Samouco, Montijo, Alcochete.

Além de irmos às largadas, íamos a muitas corridas, porque o meu pai, gostava muito de ver tourear o Pedrito de Portugal. Ele também gostava muito de ver o maestro Vítor Mendes a bandarilhar e eu, claro, acompanhava-o sempre.

Acredito, que tenham sido estas vivências a impulsionar a minha vontade de ser toureiro.

 

2-Porquê toureio apeado num país com tradição no toureio equestre?

As minhas vivências iniciais foram nas largadas, não tinha grande ligação ao mundo dos cavalos. O estar a pé frente ao touro era o que me atraia.

Tenho um primo que tem cavalos, mas nesta fase inicial, não tinha muita relação com ele.

Além deste aspecto, as minhas idas às corridas para ver o Pedrito de Portugal e o Vítor Mendes. Acredito que esta união de factores, tenham levado a focar-me no toureio apeado

 

3-Como foi o teu percurso taurino até ires para Badajoz?

Comecei com 12 anos na Escola de Toureio da Moita com o Maestro Armando Soares, depois a escola fechou e tive a ajuda do matador Parrita.

Mais tarde fui para a Escola de Vila Franca, onde estive um ano, seguidamente tive a ajuda do matador Procuna e estive só a treinar com ele. O Procuna aconselhou-me a procurar uma escola, por causa das novilhadas sem cavalos e assim entrei para a Escola de Badajoz, onde estive 4 anos.

  

4-Como foram os teus quatro anos em Badajoz?

Em Badajoz, entrei com 17 anos, na Escola taurina mas como estava ainda no 12 º ano, acordei com os meus pais que até terminar o 12º ano, apenas iria uma vez, de duas em duas semanas. Quando acabei o 12º ano, propus aos meus pais ir trabalhar em Badajoz, para manter-me na Escola taurina e em Badajoz a tempo inteiro. Era complicado para os meus pais, manterem duas casas.

No meu segundo ano, como aluno da Escola Taurina de Badajoz, já residia em Badajoz e trabalhei em hotéis, restaurantes…trabalhei em vários sítios para manter-me economicamente e assim suportar as despesas da minha aprendizagem lá.

Quanto à minha estadia na Escola, no primeiro ano, fiz sobretudo tentas e nos outros três anos fiz um total de 29 novilhadas em Espanha.

 

5-Depois de Espanha, como surgiu, a oportunidade de ir para o México?

Fui primeiramente em 2010, num intercâmbio de 15 dias com a Academia de Aguascalientes, para tourear na feira de Aguascalientes. Toureei um novilho e cortei duas orelhas.

O director da Academia era ganadeiro e tinha muita força em Aguascalientes. Gostou muito de mim e estive em casa dele. Depois de ver-me tourear e propôs-me debutar lá com cavalos. Regressei a Portugal, mas sempre mantive contacto com o senhor. Em 2012, debutei então em Aguascalientes com picadores.

 

6- A 1 de Abril de 2012, como referiste, debutaste com picadores na Plaza de San Marcos em Aguascalientes. Como foi esse dia?

Cheguei dois meses antes, não sabia o cartel, sabia apenas o dia em que toureava, pois lá fazem os carteis de semana a semana.

Tourei com o Juan Pedro Moreno, um toureiro com quem eu treinava desde que cheguei até ao dia da minha novilhada e com Efran Rosales. A ganadaria foi Rosa Viejas. Saí em ombros. Cortei uma orelha em cada novilho.

 

7-Salienta-me alguns momentos,que consideras, mais importantes, no teu percurso como novilheiro.

Na minha opinião, as tardes mais importantes foram oBolsin Taurino de Málaga, onde eu era o novilheiro com maior pontuação das fases eliminatórias, mas na final pinchei os dois novilhos, como tal fiquei em 3º lugar.Acredito que se não tivesse sido isso, teria conseguido uma melhor posição na final.

Saliento também, o meu debute com cavalos em Aguascalientes e um festival que toureei em Uriangato (México).

 

8- Como tem sido para ti, emocionalmente falando, esta vida dividia por três países; Portugal, Espanha e México?

Cada país tem a sua cultura, seus hábitos, mas a minha vida é a mesma em qualquer país. Viver em Toureiro e treinar todos os dias.

As ganadarias são diferentes, as comidas, as pessoas… O mais difícil de gerir foi a falta da família e das pessoas com quem convivo regularmente, mas os seres humanos, vão acostumando-nos ao que têm.Mentalmente, conseguimos, perante as condições que temos, adaptar-nos.

O mais complicado foram os problemas que tive com a alimentação, no México. Devido à falta de higiene na preparação dos alimentos, é normal isto ocorrer, com quem vai da Europa para lá e eu tive cinco vezes, problemas de estômago.

 

9-Como analisas o toureio nestes três Países?

Analisando os diferentes mundos taurinos, o toureio no México é mais Romântico, em Espanha mais exigente e em Portugal o meio taurino é um ambiente sobretudo equestre e de forcados. Tendo a minha essência no toureio apeado, é normal que me tenha sentido, mais envolvido no México e em Espanha, apesar de gostar muito do meu país de ter perto a minha família.

 

10-Regressaste a Portugal, no final do ano passado. Qual foi o motivo da tua volta e porquê decidiste ficar em Portugal?

Regressei porque no México saímos sempre nas tentas “às meias vacas” e fazemos muitos quilómetros para tourear “meia vaca” e é a única maneira que nos deixam treinar. É complicada assim a preparação, para as novilhadas.

Quando cheguei a Portugal, a empresa Auroroque quis apoderar-me.

Tenho tido uma grande ajuda dos meus apoderados José do Carmo Reis e Ricardo Dias Pinto. O meu amigo e bandarilheiro Pedro Gonçalves, com o qual tenho treinado também me tem ajudado e os ganadeiros tem aberto as portas para eu ir tentar nas suas ganadarias.

Estou muito agradecido a todos. Estas pessoas, têm permitido, que eu disfrute do toureio. Estão a preparar-me para as corridas e tem surgido algumas corridas de touros e novilhadas.Perante esta conjuntura decidi ficar em Portugal.

 

11- Falando um pouco da pessoa com quem tens treinado directamente, o Bandarilheiro Pedro Gonçalves. Como tem sido essa preparação com ele? Tenho visto na imprensa taurina, várias fotos de tentas onde ele está e fotos de treinos vossos.

O Pedro Gonçalves, sem “descategorizar” os outros bandarilheros, vive em toureio, treina todos os dias. Estou agradecido por ter-me recebido em sua casa e tem ajudado com tentaderos.

Para além dos meus apoderados, o Pedro tem sido o meu pilar na preparação, pois isto não é só ter corridas, temos de estar preparados para as corridas.

Quando se tem corridas, quem é que treina com o toureiro? Quem é que fala de touros com o toureiro, vai aos tentaderos? Devo a ele a ajuda, que me tem dado no percurso até às corridas.

 

12 – Quantas tentas já fizeste desde que estas com estes apoderados e quais foram as onde mais disfrutaste do teu toureio?

Fiz cerca de 22 tentaderos. Destaco as tentas que fiz nas Ganadarias São Martinho, Pinto Barreiros, Falé Filipe…cada tentadero é uma oportunidade de aprendizagem, mas destaco essas três, porque as vacas saíram boas e eu nesses dias pude expressar-me melhor e consegui disfrutar.

 

13- Relativamente às novilhadas desta temporada. Onde é que toureaste e onde te veremos brevemente?

Toureei no Sobral do Monte Agraço, vou agora dia 18 tourear em Los Hinojosos (Cuenca) e depois na Praia de Mira e em Castro Daire.

 

14- Falando da tua próxima novilhada, dia 18 deste mês, estarás a debutar com Picadores em Espanha, nomeadamente em Los Hinojosos (Cuenca), “apresenta-nos” o cartel e fala-nos sobre as tuas expectativas para esse dia.

O cartel é um mano a mano, com o novilheiro António Linares, nunca o vi tourear nem o conheço pessoalmente. A Ganadaria a lidar é a Ganadaria TorreGrande

É uma meta que estou a cumprir pois Espanha é a pátria do Toureio a pé, é mais difícil e tenho a agradecer ao Pedro Gonçalves por ter ajudado a entrar nesta novilhada.

 

15- Quanto ao teu futuro? Quais serão as tuas próximas etapas?

O meu objectivo neste momento é conseguir entrar numa feira boa que dê um novo rumo à minha carreira. Tourear uma boa tarde tem Espanha tem sempre uma repercussão acrescida, acredito que o caminho está por ai.

 

16- Sonhos a cumprir e objectivos que gostavas de ver atingidos, como toureiro?

Gostava muito de tourear novamente na Moita, praça da minha terra, incluído na feira taurina da Moita. Esse seria um sonho, que gostava de ver cumprido, a curto prazo.

Além deste sonho quero tomar a alternativa e claro chegar a figura do toureio.

 

 

 

Conversa com Joaquim Ribeiro, Moço de Espadas e irmão de Joaquim Ribeiro Cuqui

 

1-Sei que tens sido um dos principais apoios do teu irmão e que também estás ligado ao mundo dos touros, nomeadamente como moço de Espadas. Como analisas o teu irmão como toureiro e como pessoa?

Foi com o meu irmão que comecei como moço de Espadas, foi o bandarilheiro Julio André que me incentivou.

Acredito conhecer todos os defeitos e todas as virtudes do meu irmão, como pessoa e toureiro, sendo assim aponto como maior qualidade, estar totalmente centrado no seu objectivo. Viver para o touro.

De manhã à noite, pensa nos touros, vê filmes reportagens de touros e vive para ser toureiro. Não sai desse seu caminho e está inteiramente focado em ser toureiro.

 

2-Acredito que tenha sido complicado para a família, deixar o Cuqui, seguir o seu rumo pelo mundo, em busca do seu objectivo de vida. Como gerem as emoções da distância?

 

Vamos gerindo…Tem sido complicado gerir a distância. O meu irmão saiu de casa cedo, foi para Espanha com 17 anos, os meus pais e eu não estávamos preparados para a sua ausência e sentimos muito a falta dele, mas compreendemos que é o sonho dele. Neste sentido todos temos tentado colaborar e estamos orgulhosos no seu percurso.

 

3-Expectativas da família para o debute do Cuqui em Espanha?

Estamos muito ansiosos por este dia, muito expectantes.

A ganadaria tem um bom encaste e o meu irmão está preparado. Vamos ver se “pelos menos, corta três orelhas”

 

 

 

 

 Entrevista por Sónia Batista

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