Quinta-feira, 20 de Julho de 2017
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Quem não gostar ponha à borda do prato!

"Quem não gostar ponha à borda do prato!", um curioso e pertinente artigo da autoria de Jesus Lourenço.
20 de Agosto de 2013 - 21:18h Pensamento por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1809
Quem não gostar ponha à borda do prato!

Eram cerca de 14 horas, do dia 26 de julho último quando ao ligar o aparelho de televisão me deparei com uma notícia sobre “San Fermin”, em Pamplona e isto, já na fase final do noticiário, e como é natural interessou-me, mesmo eu tendo acompanhado aquele evento diretamente pela mesma via.

Na estação da “SIC”, a senhora encarregue da reportagem in loco – mas que não cheguei a ouvir o seu nome - não ouvi e não fiquei nada interessado ouvir -, mas deu-me que pensar!

De algum modo insciente, aquela senhora mostrou-se, ou pouco profissional ou com abusivo malquerer e adversa à conveniência social, à misantropia e dada à desedificação ou simplesmente, minguada em discernimento!

Quem não gostar ponha à borda do prato! O que não vale é aproveitar-se de um importante órgão informativo e, com desaforo, descarregar as suas inferioridades e complexos nos incautos telespetadores!

Absolutamente ultrajante terá sido uma frase citada que me há posto os pelos púbicos eretos… ou desguedelhados… ou desfrisados… ou em pé ou, o que quer que seja!..

A conhecida estação televisiva fez deslocar uma equipa afim, de transmitir aqueles mundialmente consagrados festejos. Até aqui tudo bem mas, o que me desesperou terá sido ouvir que «todos anos, durante a semana festiva, Pamplona recebe um milhão de turistas porém, poucos se interessam por tudo o que é espetáculo taurino.» Dito assim, mais coisa menos coisa!

Aquela incongruente informação foi dita por alguém pago para desvirtuar os eventos ou, será que para os apresentar respeitando as suas formas, as origens, os usos e tradições gentes e, das próprias terras enfim, a verdade pela verdade? Onde está o código ontológico para aquela presumida profissional! Não sei, não! Se a própria cadeia televisiva a escalou e enviou para fazer a cobertura daqueles eventos, certamente, não a orientou para se manifestar naquele sentido negativo… o que penso é que agiu por conta própria, dando aso a uma possível profunda melancolia enfim, à misantropia de conveniência!

Na reportagem, a senhora entrevistou uma série de pamploneses, forasteiros e turistas propriamente dito mas, quiçá, somente de três – penso eu - ouvi que não seria a vertente taurina o que mais lhes interessava: um para se divertir por ali, outro para os comes e mais bebes e, aqueloutro que até se manifestou muito pela música. Pareceu-me ter ouvido isso. Poderei falhar alguma coisinha mas, não andará muito distante disto; poderei mesmo afirmar que nenhum se mostrou contra a vertente taurina – indiferentes, isso sim.

O que todos os anos é transmitido e testemunhado pelo mundo praticamente na sua globalidade, o que é visualizado por uma carrada de milhões de seres, como é o caso dos “Encerros” onde os touros e cabrestos quase têm dificuldade de se articularem no meio daquela incrível, numerosa e entusiástica massa humana e, se isto não chegar como prova, temos ainda durante a mesma semana uma praça de touros com lotação de 13.000 lugares sempre completamente esgotada… são oito diabólicos e fantásticos dias! Haverá alguém a não saber que quase um ano antes de cada festa, tudo o que é camas logo esgotam! As janelas e varandas das calles por onde passam os touros e os corredores igualmente, meses antes lotam as ofertas das janelas e varandas ao longo de todo o percurso, sendo arrendadas no mínimo por 50 Euros por dia – por cada janela, não por cada casa! Afinal, não será a programação taurina a real essência das festas?

Na antiguidade, aqueles seculares festejos, como é natural, não seriam tão frequentados como são hoje, os valores populacionais eram bem menores - compreenda-se – mas terão sido em todo o sempre dos mais importantes do país vizinho, saiba-se também que, terá sido com os touros e pelos touros que os celebérrimos festejos tiveram o seu início e, com eles veio a primordial importância… Com muita alegria, muita música, muita comida, mais bebida… muito mais mesmo - o resto veio por acréscimo.

Hoje, como o resultado da persuasão, obstinação, pertinência, fogosidade, alegria e afición do povo navarrino, aqueles festejos gozam de autoridade. Não havendo mesmo alguma comparação com o “Arraial do Senhor da Boa-Morte”, com a “Pamplona das Cachoeiras”, com o “Festival de Caracóis de Loures”, com as soberbas “Festas do Colete Encarnado e Feira do Ribatejo!” Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

- Poucos turistas frequentam espetáculos com touros limitando-se, unicamente, aos musicais e outros de natureza mais cultural! Como a repórter considerou ou, pelo menos deixou transparecer!

Como poderia eu não ficar incomodado? Poderá a citação não estar fielmente por mim transmitida por não ter sido gravada e, a memória já me deixar escapar alguma coisa, no entanto, o sentido da frase está lá na mesma.

Infelizmente, o espetáculo de touros leva com toda a intolerância, com a disposição mais sombria e de sórdida espiritualidade, é a incongruência: ou hão de ser os fanáticos e infetos defensores dos animais; ou os professores referenciados às esquerdas politiqueiras a abrasarem negativamente as cabeças dos alunos contra a realidade taurina; ou a maioria dos jornalistas, que sabemos, estarem possuídos pelo mesmo mal – como se terá visto recentemente no jornal “i” – periódico que, desde então, deixou de contar para o meu efetivo -, ou ainda, os empobrecidos de alma e adversos às razões sociais… Afinal são sempre os mesmos!

Recordo-me de há um par de anos ou mais, uma locutora da televisão, dessas que sendo licenciadas e presumem-se doutoras, a atirar com a seguinte frase: «uma traineira ao largo de Alcobaça virou-se e morreram dois pescadores!» Que bacorada, meu Deus. Só me ocorreu que o acidente teve então, lugar na Nazaré – seria assim tão difícil a correta notícia?! Meu Deus, perdoa-lhes a estúpida ignorância.

Poderia estender esta prosa para o dobro se me resolvesse a citar equivalentes bacoquices mas, prefiro poupar os meus queridos, queridas e fieis leitores.

Mas, não deixa de ser preocupante o facto de essa gentinha desconhecer a nossa geografia! - Pensando bem nem são eles os culpados… mas eu também não, até a conheço bem.

Quando o Santo António pregou aos peixes, estes ouviram e entenderam, agora chegaram outras criaturas que até se presumem arbitrariamente falantes, não dizendo no entanto, coisa alguma!.. Animais por animais, ainda prefiro os touros bravos, mesmo bramindo.

 

(Texto redigido em cumprimento com o novo acordo ortográfico.)

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