Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
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Emoções

Emoção será um estado de alma provocado por um facto ou situação que saltou as fronteiras da normalidade.
10 de Setembro de 2014 - 16:56h Pensamento por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1219
Emoções

Emoção será um estado de alma provocado por um facto ou situação que saltou as fronteiras da normalidade.

Entra aqui em acção o aspecto quantitativo, porquanto podem ser grandes ou pequenas, profundas ou ligeiras.

É o caso do espectáculo tauromáquico, a cavalo, a pé, ou nas pegas, onde, quando Deus quer, o aficionado vê a sua sensibilidade atingida no melhor dos sentidos por detalhes que, isolada ou conjuntamente, vão muito além do divertimento proporcionado pelo seu desenvolvimento ao mero espectador.

No passado sábado, corporizando um agendamento estabelecido em Abiul, pela Páscoa, fomos à Chamusca, terra toureira, onde a tourada tinha a mais-valia decorrente da mudança de cabo de um dos grupos locais, saindo um Forcado e Cabo com direito às maiúsculas ora utilizadas, com trabalho importante e vitorioso realizado na luta contra o ostracismo a que alguns queriam perpetuar o agrupamento, em sede associativa.

Por tal motivo, registou-se a comparência de muitos dos antigos elementos, fardados na sua maioria, com elenco atractivo e interessante e as bancadas com muito público, não se devendo olvidar que a data forte da época chamusquense é em Maio, pela Ascensão, pelo que a adesão popular ora verificada constitui nova vitória de Paulo Pessoa de Carvalho, indiscutivelmente, um dos empresários triunfadores da temporada.

E, tudo isto, cartel, substituição nas chefias, eventual afluência de público, era –e foi !- fonte abundante de muitas emoções, assim se dando por bem empregada a deslocação realizada, próxima para uns, cada vez mais longe, no plano relativo, para outros.

No Domingo, a nossa proximidade, em termos geográficos, de Montemor-o-Velho, constituía tentação a que não é fácil resistir.

Além disso, o cartaz era encabeçado por Joaquim Bastinhas, em cuja concepção taurina nos revemos, pelo que nunca são demais as oportunidades de o ver actuar e nos identificarmos com a excelência das suas prestações.

O Baixo Mondego, úbere região a que estão ou estiveram ligadas várias das ganadarias portuguesas, é zona em que a Festa goza de enorme crédito popular, nada admirando, pois, sem deixar, por isso, de emocionar, que a praça estivesse cheia e que o ambiente que nela se vivia vestisse a roupagem do festivo.

O valoroso ginete alentejano, logo, de início, nele se integrou, ajustando o bailado das cortesias ao compasso musical que as acompanhou, tudo com a naturalidade que exorna a sua alegre maneira de ser, como se o B.I. atestasse tão só metade dos anos já vividos e a jornada da alternativa a ter lugar tão só a meio do percurso já vivido, ou seja, por l998.

A iniciar o festejo propriamente dito, o de Elvas houve-se com um oponente que acudiu em algumas das sortes, com realce para o primeiro comprido, o segundo e o quarto curtos.

No segundo do seu lote, de evidente mansidão, pois se doeu ao castigo e contratualizou-se com as tábuas, donde chegou a ser tirado para, de imediato, lá voltar, a emoção fez a sua aparição, agora pela negativa, com a recusa do director de corrida de lhe autorizar a volta à arena, para tanto, se estribando, cremos, no empurrão final.

Mas as coisas, em nosso entender, não devem ser vistas por um critério tão simplista.

Com efeito, neste último particular, tudo se passou nas nossas barbas, sem que a expressão seja utilizada em sentido figurado.

Joaquim Manuel tudo tentou para que o cornúpeto fosse pelo peão afastado o suficiente para consumar a sorte e dela sair incólume, o que se não logrou obter.

E, em tais circunstâncias, o que queria o director de corrida que fosse feito? Que o artista voltasse para dentro, no caso, para fora da arena, com os ferros na mão, por cravar?

Pensar assim é desconhecer ou não atentar no pundonor e elevado grau de profissionalismo do talentoso artista, que, em cada tarde ou noite, se esmera o máximo para executar o seu labor.

Andamos na Festa, ao vivo ou televisionadamente, desde o recuado ano de 1957 e nunca presenciámos que esse fosse o remate encontrado para mansos como o aqui em causa e pela nossa memória passa, neste momento, a nata da cavalaria peninsular, no confronto com hastados de igual falta de qualidade de lide.

Aliás, atente-se no caso paralelo dos grupos de forcados, cujo brio os leva a não aceitar de ânimo leve que os toiros voltem vivos aos currais.

Acresce que, se acaso a solução encontrada não fosse a de tentar terminar a actuação nos acanhados limites de espaço disponíveis, cair-se-ia em mais tentativas, porventura, também elas baldadas, de sacar o oponente para terrenos de fora, com o tempo a passar, toques de aviso, protestos da multidão contra quem mandasse actuar o cornetim.

Ao invés, o critério de Bastinhas contribuiu para agilizar o espectáculo, permitindo o seu prosseguimento em tempo útil, no respeito pelo princípio da celeridade, que tão caro deve ser aos diversos operadores tauromáquicos.

Assim sendo, um tal detalhe deveria ter-lhe sido levado a crédito, mancomunadamente com o terceiro ferro comprido, em que o adversário se empregou e o primeiro curto, que bastante apreciámos.

Concluindo, tudo isso somado, o desfecho, em termos valorativos, não poderia deixar de ser o da outorga do prémio da volta à arena, também para o cavaleiro.

Começa, assim, mal, a aplicação do novo RT, que os poderes constituídos encontraram e aprovaram em nome de uma coisa detestável chamada centralismo republicano, a qual se

pode vir a tornar, tendo-o já sido no caso concreto, intolerável fonte de injustiças e desigualdades, a que urge, desde já, pôr cobro, cortando o mal pela raiz.

Saímos, pois, de Montemor, emocionados no pior sentido da palavra, leia-se, revoltados, pois não foi para isso que comparecemos gostosamente, muito longe de pensar que um tal desfecho seria possível e que, sinceramente, esperamos não ver voltar a repetir-se.

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