Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
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O que nos vai passando ao lado...

Há coisas que, pela pouca importância que lhe damos, nos vão passando ao lado. Contudo, temos que reconhecer que há iniciativas que têm o seu mérito e que, duma forma ou de outra, vão dando a conhecer a festa brava aos que pouco a conhecem
28 de Julho de 2017 - 17:03h Pensamento por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 2248
O que nos vai passando ao lado...

Há coisas que, pela pouca importância que lhe damos, nos vão passando ao lado. Contudo, temos que reconhecer que há iniciativas que têm o seu mérito e que, duma forma ou de outra, vão dando a conhecer a festa brava aos que pouco a conhecem.

Falo no caso concreto da praça da Albufeira e da forma como tem vindo a conduzir os seus festivais, cartéis, mas acima de tudo, o que tem feito para divulgar a festa.

A oportunidade ao mais novos, aos novos valores que poderão ser o futuro da festa é incontestável. Ninguém dá mais oportunidade que esta praça e, só por isso, merece o nosso reconhecimento e os parabéns. É com estas oportunidades, hipóteses de estar perante o público com reses que, diga-se de passagem, não são escolhidas para facilitar a vida aos artistas, que se faz e molda o futuro da festa.

Certo é que os métodos não são bem encarados por todos ou até mesmo ortodoxos. Já ouvi de muito boa gente que ter um toiro insuflável à porta da praça não é abonatório para a festa. Permitam-me discordar e mostra outra perspetiva.

Por acaso já alguém reparou que a maioria dos auditores daqueles eventos são estrangeiros? Sem dúvida. Afinal estão em maioria, nesta altura e por aquelas bandas. Falo nas outras... Aquelas que ninguém vê ou não quer ver....

Saiba o aficionado que na praça de Albufeira, no fim de cada festival, a audiência tem oportunidade de descer ao ruedo e pegar num capote, numa moleta, sentir-lhes o peso, ver uma vaca a passar, sentir-lhe o "assopro" e perceber que, para se pôr por diante de tal animal é preciso... coragem. E eles, os "camones" sem nenhum sentido negativo ou depreciativo testam "in loco" o que é andar lá em baixo.

Certo é que, quem vai lá abaixo sai com uma ideia diferente, com a barriga colada às costas, muito deles "enterreados" das voltaretas que deram lá debaixo da "vaquita" e percebem que é mais que um espetáculo. É todo um saber e uma cultura que é preciso entender e gostar. É mais que força bruta e que acima de tudo é técnica e gosto por ali estar. Não é fácil como muitas vezes transparece para as bancadas porque se fez as coisas bem feitas.

Cá fora, se alguém os interpelar, eles dizem isso mesmo. Que ficaram com uma ideia bem diferente. Que aquilo é bem mais que o que se diz e que acima de tudo é o tal "Gosto e Cultura" porque alguém lhes explicou a festa duma forma apartidária ou nem nada lhes foi dito, simplesmente foram ver. Melhor que ver é sentir na pele, experimentar. E ali, na praça de Albufeira, deixa-se o público descer ao patamar térreo dos artistas, ao sítio onde a boca seca e o estômago cola às costas, mesmo que com uma vaquinha.

Todos prometem regressar e vão com o gostinho na boca e não é só da cerveja...

Muitas vezes olhamos, mas não vê-mos, ignoramos estas iniciativas e nem reparamos o que nos vai passando ao lado....

Foto: JHSampaio

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