Segunda-feira, 27 de Março de 2017
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"Zurcidor" - um Manso de Indulto

Faena de "el juli" a Zurcidor, dia 20/04/2010 em Sevilla
20 de Maio de 2011 - 15:47h Pedaços de história por: - Fonte: - Visto: 1338

       Dia 20/04/2010, 11ª corrida da feira de Sevilla. Anunciavam-se toiros de Torrealta, para Jose Maria Manzanares, Daniel Luque e Julian Lopez “el juli”, que vinha de uma grande temporada na América e que à data era o único Matador a sair a ombros nesta feira.

       … E chega ao final a 3ª faena, tudo até aí era normal: os toiros não se entregavam, custava-lhes investir e pouco ou nada transmitiam. Quando assim é, apenas o valor dos toureiros pode permitir fazer vibrar os aficionados. Foi justamente isso que possibilitou a Manzanares “arrancar” uma orelha ao seu 1º oponente.

       Sai o 4º, um negro mulato, marcado com o número 93, de 492kg de peso, imponente, cornidelantero, enfim, todo um toiro do sec. XXI. Diante dele “el juli”, que estava a ferver por dentro, tal era a vontade de tourear e além do mais não estava disposto a sair de Sevilla com as mãos a abanar. Parecem estas duas premissas uma fórmula infalível para que haja espectáculo na arena. Pois é, mas se assim fora haveria todas as tardes três portas grandes, uma vez que, sempre há toiro e quase sempre vontade de tourear. O que nos falta juntar a esta fórmula é a bravura!

       Pois bem, o toiro nos lances de capote não se revelou, limitou-se a perseguir o engano, sem grande transmissão, nem entrega, com a cara a meia altura. Nas varas mostrou uma enorme mansidão, “cabeceava” alto e rapidamente se afastava do cavalo, não apresentando qualquer vontade de batalhar. Parecia que tínhamos a fórmula da “grande faena” completamente estragada, faltava a bravura, sem ela seria impossível.

       Nas bandarilhas o olhar atento de Julian Lopez fê-lo perceber que o toiro tinha ritmo na investida e que agora sim, começava a humilhar. Assim que havia que tentar arrancar muletazos fosse como fosse! No primeiro passe de muleta voltou a fazer o mesmo que havia feito no cavalo: fugiu literalmente do seu opositor – recusou-se a batalhar. Mas “el juli” era consciente que aquela era a sua derradeira oportunidade de triunfar, e sem pensar um segundo, correu atrás deste “estranho” Torrealta. Ele sabia que havia algo neste toiro que poderia permitir fazer faena.

       E assim, no centro da arena, apresenta-lhe de novo a muleta. E sem que ninguém o esperasse o toiro começa a investir, sem renunciar à batalha, perseguindo o engano com ritmo, repetindo sem cessar, com a cara baixa, sempre com o olhar fixo na muleta e com uma tal vontade de a alcançar que parecia que sabia que apenas assim poderia salvar a vida. Assim foi durante sete frenéticas séries de muleta, cada passe estava carregadíssimo de transmissão, o público completamente metido na faena e toiro e toureiro mostrando o que de melhor pode acontecer numa praça de toiros.

       No final da primeira série de derechazos já havia palmas nos tendidos, durante a segunda série os “bien’s” subiam de tom a cada muletazo, enquanto o toiro investia na montera de “el juli” depois de dois vibrantes passes de peito; estava louco por investir, não queria parar. Na terceira série os “bien’s” começam a tornar-se em “olé’s”, quando a mão esquerda de Julian, quase a roçar o solo ia absorvendo todas as galopantes investidas de Zurcidor. Na quarta série “el juli” já se tinha esquecido do seu corpo, estava completamente entregue à faena, apenas queria continuar a sacar mais e mais naturales do seu oponente. E assim foi até ao final, com passes cada vez mais largos, cada vez mais por baixo e o toiro cada vez investindo melhor, com mais vontade e humilhando cada vez mais.

       Parecia que aquela faena poderia durar para sempre, toiro e toureiro rendidos ao que de melhor tem a festa brava, a Maestranza estava literalmente entregue à obra de arte que tinha diante dos seus olhos! E foi aí que começaram a aparecer lenços brancos nas bancadas, mas a petição apresentava-se algo tímida, quiçá nem todos tivessem coragem de tirar o lenço do bolso e fazer a vontade ao seu coração. Porquê? Pois é, o toiro era manso, não se entregou em varas e por tanto não pôde ganhar a vida para deixar os genes à sua descendência.

       Desta forma, o Maestro fez o que lhe cabia da melhor forma possível, matou Zurcidor de uma estocada inteira, justo no centro da cruz, tal como mandam as regras e assim abriu mais uma vez a porta grande. Pena foi Zurcidor não ter aberto as portas dos currais, podia ser que daqui por cinco anos tivéssemos outros “mansos” desta categoria! Para “el recuerdo”, fica a grande faena de “el juli” e o enorme toiro que foi Zurcidor.

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