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Diamantino Vizeu, o primeiro de todos

Lembrando o primeiro e grande matador de toiros portugês Diamantino Vizeu
12 de Julho de 2012 - 13:59h Pedaços de história por: - Fonte: - Visto: 1417
Diamantino Vizeu, o primeiro de todos

Diamantino Francisco Martins Vizeu, nasceu em Lisboa em 21 de Julho de 1925. Muito cedo quis ser matador de toiros, pese embora nao ter qualquer ligaçao familiar à tauromaquia.

Foi o primeiro matador de toiros portugués com alternativa, uma vez que até aí  Portugal nao possuia sequer essa categoría profissional, estando a tauromaquia portuguesa entregue prácticamente aos cavaleiros tauromáquicos e aos forcados.

Cedo rumou a Espanha, partindo de comboio da estaçao do Rossio, com rumo a Sevilla, levando na bagagem apenas algunas roupas, pouco dinheiro e o grande sonho de vir a ser matador e figura do toureio .

Instalou-se numa pensao “sevillana” onde pagava a qauntia de 14 pesetas diárias, (o orçamento diário de que dispunha era só de 15 pesetas) procurando assistir a tentas e corridas, onde assimilava toda a técnica e arte dos toureiros espanhóis, entre os quais  Manolete.

Como todas as portas se fecharam na Andaluzia, mudou-se para Madrid onde consegue finalmente no dia 19 de Junho de 1944, ser incluido numa novillada sem picadores na cidade de Toledo, compartindo cartel com Luis Redondo, onde foram lidados novillos de “Paniagua”, tendo Diamantino Vizeu estoqueado quatro à sua conta.

Voltou a Portugal no ano seguinte, carregando este pequeño êxito e toureou ainda como bandarilheiro em praças como a de Algés, Torres Vedras, Palácio de Cristal (praça improvisada), Benfica ( praça privada do Marquês da Fronteira ), Santarém e outras.

Em 1946 debuta com picadores na Real Maestranza de Caballería de Sevilla, durante a Feira de Abril numa novillada com picadores, contrato em que a influência do Grupo Tauromáquico Sector 1, nao esteve alheio, pois teria escrito uma carta pedindo a inclusao do novilheiro portugués no cartel, perspectivando-se uma ida maciça de aficionados portugueses para ver o novilheiro portugués.

Na verdade muitos aficionados portugueses nem quiseram estar presentes na praça uma vez que temiam um “desastre” uma vez que para além do sonho, Diamantino carregava muito pouca experiência e práctica com novillos verdadeiros, ou seja, apenas dois resultados eram possíveis: o fracasso ou a enfermaria.

Esta corrida foi um êxito retumbante, conseguindo ter o público de seu lado, ouviram-se repetidamente “Olés” e como prémio final: uma orelha.

Os comentários foram na generalidade óptimos, chegando mesmo o crítico español “Delavega” a afirmar: “ toureio de seda!”

Diamantino Vizeu tirou a alternativa no dia 23 de Março de 1947 na Monumental de Barcelona, sendo seu padrinho Francisco Vega de los Reyes “Gitanillo de Triana”, António Bievenida (testemunha), alternando ainda con Augustín Parra “Parrita”.

Em 15 de Julho do mesmo ano confirmou a alternativa em Madrid, com Pepe Bienvenida ( padrinho) e Morenito de Talavera ( testemunha ) onde foram lidados toiros de D. Anastasio Fernández.

Mais tarde, a 21 de Dezembro do mesmo ano, na Praça de Toiros “El Toreo” na cidade do México, recebeu a sua alternativa mexicana, ombreando com dois monstros do toureio azteca, Silverio Pérez e Loreanzo Garza, onde foram lidados toiros de Mantacillas, tendo triunfado redondamente ao ponto de o público presente na praça ter gritado a meio da faena “Viva Portugal!”

Grande figura das arenas Diamantino Vizeu criou o Fundo de Asistencia dos Toureiro, que proporcionava asistencia médica e hospitalar gratuitas aos toureiros, assim como a garantia de 3 salários mínimos aguando imobilizados por doença, acidente ou colhida.

O mesmo fundo garantia o pagamento de 50% dos encargos de educaçao com os filos de toureiros, mesmo em establecimentos particulares e, garantia também uma pensao de pelos menos 70% do salário para as viúvas.

Este precursor do toureio a pé, entrou em filmes ,tal “Sangue Toureiro” em que contracenava com Amália Rodrigues, peças tetarais e variadísimos eventos sociais e artisticos.

Várias vezes medalhado em Portugal e em Espanha, possuidor de várias condecoraçoes, retirou-se em 24 de Agosto de1972 no Campo Pequeño.

Sobre a sua faenaem Vila Franca no ano de 1948, disse um grande cronista no Diário Popular:

(…) Palavras para quê? Pormenores para quê? Tudo o que se escreva, todas as hipérboles – ainda as mais grandiosas – todos os ditirambos por muito profundos que eles sejam – ficariam muito áquem da grandeza do jeito. Diamantino Vizeu fez ontem, na Praça de Toiros Palha Blanco, a melhor faena de toda a sua vida. E fez a faena que mais me encantou em todos os meus quarenta anos de ver toiros. Tudo o que o toureio de muleta tem de grande em arte, em domínio, em inteligencia, em valentia saíu do pulso previligiado daquele toureiro de eleiçao (…)

Retirou-se em 24 de Agosto de1972 na Praça de Toiros do Campo Pequeno.

Faleceu em 12 de Fevereiro de 2001.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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