Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2021
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Entrevista a Vitor Ribeiro

Mais uma grande entrevista do Jornal de Alcochete...
06 de Agosto de 2009 - 01:56h Notícia por: - Fonte: www.jornaldealcochete.com - Visto: 2332
Entrevista a Vitor Ribeiro É o segundo de antiguidade no cartel da "I Grande Corrida Jornal de Alcochete" e é um nome grande actualidade.
Vitor Ribeiro, que promete dar o seu melhor nesta corrida, respondeu às questões de Antunes de Oliveira, do Jornal de Alcochete, em entrevista que damos por integralmente reproduzida.


Jornal de Alcochete - Como surgiu a ideia de ser toureiro?

Vítor Ribeiro - Comecei a andar a cavalo bastante novo, tinha uns quatro anos. Comecei num pónei que os meus pais me ofereceram. Além disso o meu pai era toureiro na altura [o cavaleiro tauromáquico, também chamado Vítor Ribeiro]. Ao ver o meu pai a trabalhar diariamente com os cavalos de toureio, fui ganhando mais gosto pelos cavalos e pelos toiros. Há medida que fui crescendo fui evoluindo na equitação.
Estreei-me com 12 anos como cavaleiro amador, na Charneca da Caparica, e tirei a prova de praticante aos 15 anos, em Cascais. Finalmente fiz a alternativa aos vinte anos, na Moita, em que João Moura foi o padrinho e António Ribeiro Telles a testemunha.

JA - Que recordações tem do seu dia de alternativa?

VR - Era um sonho que tinha desde muito pequeno. Graças a Deus tive uma alternativa bastante feliz. Contou com um cartel muito forte e com toiros da ganadaria Vinhas. Foi um dia que nunca esquecerei, pois marcou-me para o resto da vida.

JA - Como tem corrido a sua carreira?

VR - Tem sido bastante agradável e é o que gosto de fazer na vida - montar a cavalo diariamente, tourear o mais possível e estar presente nas feiras mais importantes do panorama taurino português. Uma delas é a feira de Alcochete, pela tradição que tem e pela qualidade de cartéis que apresenta. De resto tem sido uma carreira subida a pulso, pois dedico-me aos cavalos diariamente e não tenho outra profissão que concilie com os cavalos e com os toiros. Graças a Deus tenho alcançado os meus objectivos e ainda me sinto em condições de fazer melhor.

JA - Na sua carreira destaca outros momentos marcantes?

VR - Acho que tenho tido uma carreira que tem vindo em crescendo. Julgo que isso é que é importante - estarmos de ano para ano a evoluir. No que diz respeito aos momentos mais marcantes não posso deixar de referir que a saída em ombros no Campo Pequeno, em 2006. Foi bastante importante parta mim e foi muito bom para a minha carreira, porque subi mais um degrau na minha profissão de cavaleiro tauromáquico.

JA - Como está a correr a actual temporada?

VR - Já toureei em Espanha, França e até nos Estados Unidos da América e as coisas correram bastante bem, mas este ano optei por tourear só em Portugal. A temporada está a correr bem. Recentemente eu e a minha equipa triunfámos nos Açores. Ganhámos o prémio da melhor lide da ilha Terceira, também uma feira bastante importante. A aficion naquela ilha é bastante grande e deu-me uma alegria muito grande ter participado lá nas corridas.

JA - E o que espera até ao final da temporada?

VR - Tenho os meses de Agosto e Setembro muito preenchidos. São os dois meses mais fortes da temporada, em que tanto o toureiro como a quadra de cavalos têm de dar o seu melhor. Tenho de estar fisicamente e mentalmente bem preparado para aguentar o número de corridas significativo que há durante estes meses. Mas acima de tudo espero que a temporada me continue a correr o melhor possível. Praticamente todas as corridas em que vou participar são de grande responsabilidade e vou sempre dar o meu melhor aos aficionados portugueses. E assim espero triunfar em todas as corridas.

JA - O que exige de si ser cavaleiro tauromáquico?

VR - Exige bastante, porque é uma profissão dura. Acima de tudo é preciso ter-se uma grande paixão pelos cavalos e pela tauromaquia em geral, para se conseguir superar o dia-a-dia.
É preciso toda a nossa dedicação e o máximo de carinho pelos cavalos, que é o essencial. Esta profissão ocupa-nos o dia todo, de manhã á noite, dia e às vezes não chega para fazermos tudo o que queremos. Mas estou feliz por aquilo que faço, que é o que gosto de fazer.

JA - Como caracteriza o seu estilo de toureio?

VR - Julgo que tenho um estilo próprio. Tento tourear, acima de tudo, dentro das regras do toureio a cavalo e tentar sempre executar o toureio frontal, com o máximo de transmissão possível, para que possa chegar às bancadas com seriedade e espectacularidade.

JA - Ainda é um toureiro jovem. Como se sente no mundo da tauromaquia?

VR - Julgo que há lugar para todos. E sempre com o máximo de respeito pelos toureiros mais velhos de alternativa do que eu, não só por aquilo que têm feito ao longo da carreira, ms também por tudo o que a profissão de cavaleiro tauromáquico exige.

JA - Quais as suas ambições para o futuro?

VR - Os objectivos principais são tentar sempre alcançar o melhor possível e estar presente nos melhores cartéis portugueses e sem haver azares, que por vezes temos um ou outro azar. Também para evitar isso é que temos de trabalhar todos os dias.

JA - Já sofreu algum acidente?

VR - Já sofri vários. Dos acidentes maiores foi na praça de St Vicent de Tyrosse, em França, onde fiquei debaixo do cavalo e do toiro. Tive a infelicidade de cair, o cavalo caiu-me em cima e depois o toiro ainda ficou em cima do cavalo. Os forcados da Chamusca é que me salvaram. Aproveito, não só em meu nome, mas também em nome dos meus colegas, para agradecer aos forcados, porque eles, cada vez que nós temos a infelicidade de ter uma queda, são os primeiros a lá chegar para nos socorrerem.

JA - Existe alguma praça de que goste mais?

VR - Gosto de tourear em todo o lado, mas a Praça do Campo Pequeno, por ser a 'catedral' do toureio a cavalo, tem um significado para mim. E destaco também praça onde tirei alternativa, na Moita do Ribatejo. Isto nunca esquecendo a Praça de Alcochete, onde se realiza uma feira importantíssima e onde vou dar o meu melhor para que as coisas possam resultar.

JA - Qual a sua opinião sobre a praça de Alcochete?

VR - É uma praça de bastante peso, que conta muito para os toureiros e de grande responsabilidade. No caso da feira [do toiro-toiro] os cartéis são sempre muito bem rematados e a praça costuma encher. Isso não só é gratificante para a empresa que organiza as corridas, como para nós toureiros. Além disso o público respeita os toureiros e normalmente acarinha-nos bastante.

JA - O que espera da I Grande Corrida Jornal de Alcochete?

VR - O cartel de Alcochete possui três toureiros relativamente das mesmas idades, apesar do João Telles ser um pouco mais novo, mas acima de tudo é um cartel em que vai haver competição. Acho que o mais importante para uma corrida de toiros é as pessoas saberem que vai haver competição e que os toureiros contratados para a corrida vão dar o seu melhor.


Antunes de Oliveira

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