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Tive um Amigo e Abalou

A recordar um grande Homem....Um brinde ao céu......

14 de Dezembro de 2010 - 00:00h Notícia por: - Fonte: - Visto: 1787
Tive um Amigo e Abalou

No dia 14 de Dezembro de 2008 faleceu o ganadero alentejano José Francisco da Cruz e Crujo, que se encontrava internado no hospital de Beja, vítima de uma infecção. A festa brava ficou mais pobre. José Crujo era um homem simples, humilde e genuíno que defendia e preservava a sua paixão pelos toiros.

O homem, aficionado e ganadero, três qualidades indispensáveis e aliáveis à sua personalidade. Dono de um vasto conhecimento e sabedoria taurina, Varela Crujo era um aficionado aos toiros por excelência. Corria por gosto e nunca se cansava. Vivia a vida com tremenda intensidade. Nem mesmo as maleitas próprias da idade o paravam e derrubavam. Vivia para o que o destino o tinha preparado, toiros e cavalos. Na temporada de 2008 alcançou muitos triunfos além fronteiras.

Desde o indulto, ao corte de orelhas, muitas foram as tardes de glória e satisfação, sentidas e vividas profundamente por quem cria toiros de lide. Não existe palavras para descrever tamanha alegria. Nem sempre a vida foi fácil, também teve os seus momentos menos bons, as suas difíceis lides da vida. A ganadaria pasta na herdade dos Outeiros em Vila Nova de S. Bento, concelho de Serpa.

Os Outeiros são e serão sempre cenário de muitas recordações. Há movimentos, atitudes, gestos que não se esquecem. Até mesmo o trato que me dava. Carinhosamente desde criança sempre me tratou por Fernandinha. É Assim como ainda vejo e sempre verei, o Ti Varela, de boina sentado na cadeira entre a porta de casa, no monte, ouvir a sua voz já cansada ao telefone e perguntar-me, "Fernandinha quando vais ver os toiros?" "Ou temos tenta no dia tal......" sentir o seu nervosismo antes e depois das corridas.

O movimentar-se lentamente apoiado naquela que também passou a ser a sua incansável companheira e confidente de muitas horas, a bengala, porque as faculdades físicas já iam faltando. O beber um simples gole de àgua através de um "cucharro".

Um verdadeiro amante da nossa gastronomia, porém, quando ia a Lisboa, adorava ir à Portugália. O Ti Zé era um bom apreciador das coisas simples da vida, eu chamar-lhe-ia um verdadeiro lutador, e crente. Era um homem respeitado no mundo dos toiros. Aqui partilho algumas, imagens e lembranças que ficaram para sempre gravadas no que temos de mais belo, o coração.

Deixou-nos aos 78 anos de idade, a má sorte assim quis....

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