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Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
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Os Toiros da Populaça

Artigo de Opinião sobre o estado da "nossa" Festa Brava.

21 de Novembro de 2010 - 18:19h Notícia por: - Fonte: - Visto: 812
Os Toiros da Populaça

Quisera o acaso (e o convite do padrinho) que há muitos anos o baptismo tauromáquico acontecesse no magno e singular Campo Pequeno. Lembro-me de João Moura e de uma pega do Grupo de Forcados de Montemor. Lembro-me das bancadas quase cheias e da inspirada Banda do Samouco. Havia luz, galhardia em doses industriais e uma magia latente da Festa que, acima de Brava, reuniu naquela noite o melhor para me oferecer um rasgado sorriso de duas horas e emoção desmedida.

Quisera essa noite que o tempo me inspirasse a apreciar a Festa gradual e intensamente, porém houve e há ainda características que me inquietam, e se a estucada final no toureio a pé se mantém nas minhas aficcionadas prioridades, outros aspectos há que continuo sem compreender. Mais, repugno!

Há um pedantismo intrínseco "num" público que esbarra na vontade geral da petição que quer granjear maciçamente o Zé Povo para preencher as bancadas das praças lusas. Ora, assim sendo, permanece virgem uma explicação clara para uma politização obscura e desprezível, numa época longínqua das guerras de valores de outros tempos e que, na verdade, se ridiculariza a cada intervenção de quem a suporta e alimenta.

Há manifestações "anti", há críticas e provocações, mas parece-me evidente que a Festa tem resistido e está para ficar (e muito podemos agradecer ao meu velho amigo Moita Flores). Não precisamos de política e azedumes descabidos ao barulho, e muito menos da parca inteligência dos que ainda consideram fulcral o homem ter patilhas, cerveja na mão, ter uma vintena de nomes sonantes e conhecer gente importante ligada ao meio. Dispenso as senhoras que, em jeito de biblot, se pavoneiam preocupadas com quem está e quem não veio, em agitar o leque andaluz e ajeitar os óculos escuros de origem duvidosa, mirando num embevecimento quase oferecido os mais atraentes da trincheira, quase sempre sem repararem que está um toiro a ser lidado com mestria superior...

A Festa existe porque o mais humilde e anónimo "Zé" compra o bilhete para o "Sol", o mesmo que contorna a crise para lá estar, atento, fiel e devoto de cavaleiros e forcados, que não conhece o Poder e que nem sequer se lembra de trazer à baila a Esquerda e a Direita, monarquias e democracias, religiosos e ateus. É pela Festa que ele lá está, assinando sem hesitar uma petição que lhe alimenta a esperança de continuar a ir aos toiros... simplesmente ir!

Ocorre-me uma expressão do meu saudoso avô: "Todos precisamos de todos!", para rematar com um lacónico amigo alcochetano: "Importante? Era o cavalo do Zé Mestre Batista, não houve mais nenhum!". Remedeio. Há ainda um, chama-se "Zé Povo".

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