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O BRILHO DAS BANDARILHAS

No toureio, seja a cavalo ou a pé, deslumbramo-nos com a beleza e o brilho das bandarilhas, os prateados e dourados agora tão na moda, as cores garridas do papel, as bandeiras dos ferros compridos.
11 de Dezembro de 2013 - 15:02h Notícia por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 2105
O BRILHO DAS BANDARILHAS

No toureio, seja a cavalo ou a pé, deslumbramo-nos com a beleza e o brilho das bandarilhas, os prateados e dourados agora tão na moda, as cores garridas do papel, as bandeiras dos ferros compridos, os enfeites de flores nos ferros de palmo, as cores particulares de cada artista como imagem de marca. É toda uma máquina bem oleada que com a equipa de emboladores faz com que o espectáculo seja mais bonito aos olhos. Este ano nas novilhadas da escola de toureio José falcão deslumbrámo-nos com a perfeição e colorido da ferragem utilizada e desde logo marcámos encontro para falar no defeso com o artista em causa e aqui está ele: António Pedro Santana, 60 anos e segurança de profissão nunca desistiu dos seus sonhos de menino e se em jovem ainda, como empregado de mesa num restaurante de Vila Franca, servia o Maestro José Júlio quase todos os dia ao jantar e pediu-lhe para aprender a tourear, mais tarde já com família formada perto dos 40 e depois de 15 anos como toureiro amador animando garraiadas para turistas numa adega típica no Carregado, veio a concretização como bandarilheiro profissional. Primeiro em Espanha e depois com a abertura da então C.E.E. com reconhecimento em Portugal, onde durante 10 anos esteve no topo 10 dos bandarilheiros com cerca de 50 actuações por ano. 20 anos de arenas,912 actuações repartidas por Portugal continental e Açores, Espanha, França e América (Califórnia), tendo-se despedido na praça de toiros Palha Blanco em Vila Franca de Xira pela mão da empresa Tauroleve e em que guarda em local especial no seu coração as palavras do empresário inscritas no troféu de final de carreira.

Foi no seu Rincón Taurino e atelier que conversámos com António Pedro, depois de desfrutar dos momentos e memórias guardadas em fotos e recuerdos desta vida de arenas, salientando-se por exemplo a ponta do piton do toiro Miura que recebeu na Palha Blanco na célebre corrida de 2011, um exemplar de 610 quilos.

Então uma vez, na feira de Vila Franca comprei uma bandarilha e em casa desenrolei-a até ao fim e voltei a enrola-la com o mesmo papel, e pensei, eu também sei fazer isto e comecei assim, sem ninguém me ensinar. Mais tarde tive a ajuda do saudoso embolador João do Sobral que me ensinou alguns truques e ao mesmo tempo tentei inovar, sendo o primeiro em Portugal a colocar por exemplo as flores que comprava nas lojas dos trezentos e davam uma beleza extraordinária à bandarilha, o que agora já muitos dos meus colegas utilizam especialmente nos ferros de palmo.

Hoje em dia Paulo, na maior parte dos espectáculos a maioria das bandarilhas que vão parar à mão do artista levam mistura de papel de seda e metalizado. Ora o metalizado escorrega e o bandarilheiro tem que vencer os medos e se ao vencer os medos não tiver um bom par de bandarilhas na mão, as coisas não correm bem. O papel de seda e cortado com a tesoura triângulo faz a união perfeita e ajuda o artista a juntar o par com perfeição e coloca-lo em todo o alto.

Outra particularidade que eu também tenho e os fotógrafos já comentaram comigo é o colorido da ferragem. As cores têm que ser do mais garrido. Não se pode juntar duas cores mortas numa bandarilha, não se destaca nem na foto, nem na elegância do bandarilheiro. Deve-se conjugar bem as cores e eu tenho sempre primado por isso e as minhas bandarilhas têm que ter obrigatoriamente a madeira leve e calibrada quando par, bicos bem afiados e cores garridas e bem conjugadas em papel de seda.

E o que não fizeram por mim, o que não aconteceu no meu tempo, em que não havia bandarilhas enfeitadas para treinar, eu agora sou apologista para que as levem para os treinos e sintam-se muito mais em toureiros e deixo-lhes um repto… Quando não tiverem dinheiro para as comprar eu ofereço1 para os treinos eu ofereço e depois tenham na consciência de me dar algum a ganhar nos espectáculos que realizarem! A minha luta é essa e contem sempre comigo!

Quanto a si amigo leitor, a partir de 2014 pode contar com o António Pedro e sua equipa do lado de dentro da teia a primar para que os que actuam possam brilhar alto com o brilho das suas bandarilhas. Desde o corte do papel, ao enfeite do pau e verificação do bico, a segurança e acondicionamento no transporte até à praça e já na teia, o estar ao quite do cavaleiro, bandarilheiro ou espada para lhe fazer chegar às mãos, o mais rápido possível o ferro comprido, curto, de palmo ou o par, que irá utilizar no decurso da lide. Um homem com brio profissional, entrega total, humildade e dignidade para com todos os intervenientes da festa.

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