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Corrida de Toiros em Honra de Nossa Senhora do Castelo

Corrida de Toiros em Honra de Nossa Senhora do Castelo
20 de Agosto de 2014 - 08:41h Notícia por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1240
Corrida de Toiros em Honra de Nossa Senhora do Castelo

Coruche, 17 de agosto de 2014, 18horas em ponto, deu-se início à tradicional corrida de toiros em honra de Nossa Senhora do Castelo, tarde quente, tarde de verão. Anunciava-se um cartel de muita expectativa, com o que de mais genuíno há na Arte Marialva portuguesa. António, Manuel e João Ribeiro Telles, tio e sobrinhos, eram os cavaleiros que compunham cartel para lidar um curro da emblemática ganadaria de Pinto Barreiros, ganadaria mãe do campo bravo português. Perfilaram-se perante este curro da prestigiada ganadaria os forcados da terra, os Amadores de Coruche, esperava-se casa cheia, e esteve praticamente cheia. Mais um cartel muito bem montado pela empresa Tauroleve, que parece ter a receita certa para encher praças. Ainda que tenha sido uma boa corrida não atingiu o nível esperado mas muito por causa do peso dos nomes deste cartel, as expetativas estavam muito altas, mas a festa dos toiros é mesmo assim, nunca nada é um dado adquirido.

O curro de Pinto Barreiros, no que respeita à apresentação, que está dependente da ação do ganadero foi irrepreensível, toiros muito em tipo do encaste, puro parladé e Gamero Civico. No que respeita à bravura não houve nenhum manso, e dois deles foram mesmo bravos, mas ainda muito aquém de outros curros que já vimos em praça, provenientes do Monte Branco em Vimieiro.

O 1º toiro a sair à praça tinha na espádua o número nº11, castanho mulato com 490 kg, teve saída alegre, que pôs o peão de brega fora do ruedo, este toiro foi lidado pelo mais antigo da terna de cavaleiros, António Ribeiro Telles que nos compridos optou por sortes à tira, com o primeiro a ser cravado em terrenos de dentro. O toiro tinha pouca força, e cedo deu indícios de manso, berrava, e era parco de forças. No primeiro curto podia ter sido um grande ferro, com o toiro a arrancar-se de largo de praça à praça, mas o ambiente ainda estava frio e o António não foi para o ferro. Nos dois primeiros curtos não esteve ao nivel que lhe conhecemos, andou um nada aliviado, e só ao 3º curto, entendeu a investida do toiro, os restantes 3 ferros curtos já estiveram ao nível que este cavaleiro nos habituou.

No segundo de seu lote, saiu à praça um bravo de nobre investida, castanho com o número nº359 e com 495 kg. Na ferragem comprida, o cavaleiro esteve mal, e nem parecia o António dos compridos à tira com as sortes geometricamente desenhadas como lhe conhecemos, no capitulo dos curtos, a história foi outra, entrou em praça o cavalo estrela da sua quadra, o Alcochete, e a lide foi em crescente de menos a mais, terminando com o António a cravar mais ferros do que lhe é habitual, 6 curtos a pedido do público, com o toiro sempre a crescer, com uma mangada alta que dava brilhantismo e emoção às sortes, e quando a lide terminou estava dono senhor da praça, característica que viria a revelar na pega.

Na primeira lide, o António Telles ouviu música ao primeiro curto e na segunda lide foi-lhe concedida música ao segundo ferro curto, deu volta nas duas lides.

O segundo ginete da Torrinha, foi o Manuel Telles Bastos, foi o menos bafejado pela sorte, ainda que os seus toiros não tenham sido maus, foram de certeza os menos bons da tarde, o seu primeiro, o único preto do lote era o mais pesado da corrida, tinha o número 8 e pesava 565kg. O cavaleiro que vinha com ganas de triunfo, recebeu-o com uma enorme sorte gaiola muitíssimo bem executada e com muita emoção, com o toiro a sair à praça cheio de raiva, de rabo no ar, como se de uma escultura se tratasse. Arriscamos considerá-lo sem dúvida o momento da tarde e com certeza um dos melhores momentos da época. O segundo comprido foi também um grande ferro, com o cavaleiro a dar a iniciativa de investida ao toiro. Nos curtos, e já em praça com a égua Rosa, o cavaleiro andou correto, com acerto em todos os tempos do ferro, procurou a investida do toiro, e quando ao 4º ferro o toiro começou a vir a menos o cavaleiro saiu no momento certo.

O seu segundo foi o pior toiro da tarde, apesar da emotiva saída, o castanho, de 480 kg , ao último comprido já procurava o conforto das tábuas, por estas características, resultaram nalgumas passagens em falso, e os últimos curtos, já foram cravados a sesgo, da única forma possível. O cavaleiro ouviu música nas duas lides ao primeiro ferro curto, consequência do muito acerto que demonstrou na cravagem dos ferros compridos, e deu volta nas duas lides. O Manuel Telles Bastos é o mais clássico, a par do seu tio, dos cavaleiros de alternativa portugueses, faz toda a lide com o tricórnio e com a elegância que arte equestre portuguesa manda, sem falsos números que apenas visam o aplauso inócuo de conteúdo, e que através de um toureio de verdade demonstra respeito pelo principal protagonista da festa brava, o toiro.

O terceiro cavaleiro da dinastia a atuar foi o João Telles . Calhou-lhe um bom toiro de Abertura uma castanho mulato, nº 340 com 480kg de peso, bonito e muito em tipo do encaste . Nos compridos os João Telles esteve irrepreensível, cravou dois bons ferros compridos que só pecaram pela colocação, muito traseiros. Nos curtos também teve uma boa prestação e esteve ao nível que lhe conhecemos, se bem que com um toureio de ataque, o 4º curto foi mesmo muito bom.

Na sua segunda lide teve a sorte de lhe calhar o melhor toiro da corrida, um castanho de 460 kg de nobreza e bravura, o cavaleiro esperou o oponente à porta dos sustos, e a saída destemperada do astado deu emoção ao ato, nos compridos tornou a ser desembaraçado e cravou com prontidão, o segundo foi mesmo um grande ferro. Nos curtos o primeiro foi cravado nos tércios e de muito boa nota, o toiro era bom tinha som na investida, mas o toureiro teve uma segunda parte da lide com excesso de confiança e começou a efetuar uma lide descuidada, onde acabou por ser colhido e levou fortes empurrões nos ferros de violino que cravou. Cravou oito ferros num toiro que dava tudo, e que por esta razão chegou à pega completamente esgotado, a lide pecou assim pelo excesso, O João Telles ouviu música no primeiro toiro ao segundo ferro, e na segunda lide ouviu música ao primeiro ferro curto, deu volta nas duas lides.

No capítulo das pegas, a tarde foi rija e exigiu empenho e valor à forcagem de Coruche que pegava em solitário os 6 Pinto Barreiros. Para o primeiro da tarde foi escolhido o forcado Miguel Lopes, que esteve muito bem em todos os momentos da pega, mandou vir o toiro quando quis, e como o toiro não complicou, resultou uma pega limpa à 1ª tentativa. O segundo foi pegado pelo forcado Pedro Galamba, um bom forcado que esteve calmo e sereno nos momentos da pega, o toiro adivinha-se que não aguentaria muito o cite, mas foi bonito ver o forcado, com muita calma, ganhar o sito ao toiro, e quando se viu nos terrenos que pretendia, mandou vir quando quis e concretizou uma boa pega, com uma reunião perfeita, muito por mérito do forcado, consumou à primeira tentativa. O 3º toiro da tarde foi pegado pelo Miguel Raposo, o forcado fez tudo bem e aguentou bem a investida do toiro que depois da reunião deu um violentíssimo derrote que o forcado aguentou, e que infelizmente o grupo tardou em chegar e perdeu-se por esta razão uma grande pega. Pegou à segunda tentativa numa pega correta. O quarto foi o mais sério e difícil da corrida, depois de sentir o forcado na cara brigava e derrotava com quanta força tinha, e tinha muita, houve colhidas impressionantes com forcados pelos ares, mas o forcado da cara, estoico, e com uma vontade e uma força indescritíveis que vêm sabe-se lá de onde, concretizou à 4ª tentativa com as ajudas carregadas, recolheu à enfermaria e não pode estar com o grupo no resto da corrida. O 5º toiro da tarde foi pegado pelo forcado veterano Pedro Crispim, que efetuou uma boa pega à primeira tentativa, o toiro meteu a cara por baixo e o forcado agarrou-se como pode, numa reunião bem difícil. Fechou a tarde o forcado José Marques num toiro esgotadíssimo, à primeira saiu completamente descomposto depois de lhe terem mudado os terrenos, e à segunda demorou a arrancar-se, mas o forcado que está num bom momento de forma consumou sem grandes dificuldades.

Esta corrida, para além de contar com o que de melhor temos na nossa tauromaquia, a família Ribeiro Telles, deu-nos ainda o privilégio de ver em praça, recreando as lides do toureio a campo, com certeza com dois dos melhores campinos do Ribatejo, o Janica e o Café, que no acosso aos toiros demonstraram em praça o que de mais bonito se pode fazer no maneio do gado bravo a campo aberto. Ficou na expressão dos aficionadas a vontade de tornar a vê-los recolher mais reses bravas nas arenas portuguesas, com essa tão nobre arte da figura bucólica que é o campino do Ribatejo.

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