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Em Carta aberta António Menezes revela desagrado com a ANGF

Na sequência do abandono de João Machacaz do comando dos Amadores do Ribatejo, António Luís Menezes enviou uma carta aberta À ANGF, em que aponta diferenciação de tratamento dado pela ANGF aos diversos grupos associados.
03 de Dezembro de 2014 - 10:53h Notícia por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 1703
Em Carta aberta António Menezes revela desagrado com a ANGF

Carta Aberta

Exmo.

Presidente da direção da Associação Nacional de Grupos de Forcados (ANGF),

 

Venho por este meio, enquanto espectador ativo na festa, enquanto aficionado, enquanto defensor da Festa e, sobretudo, enquanto português, solicitar a vossa respostas às questões que lhes colocarei, face aos acontecimentos que têm tido lugar nos últimos anos.

Tudo rebenta agora, com o abandono prematuro do forcado e cabo João Machacaz, cortesia de vossas excelências desde o primeiro instante!

 

Facto 1

“A dignificação do ambiente taurino, em especial dos Grupos de Forcados Amadores, fomentando o espírito de entreajuda nas associações tauromáquicas existentes, com vista ao seu desenvolvimento e através delas, à defesa e representação do público aficionado.”

Claro, principalmente quando vemos grupos como Amareleja, Am. Da Moita, Azambuja, Salvaterra, entre outros, deixarem toiros recolher vivos, alguns deles ainda depois de 2 (e duas apenas!) tentativas!

Pergunta 1

Isso “dignifica o ambiente taurino, em especial dos Grupos de Forcados Amadores”?

Não que devessem retirar-se os grupos a quem estes infortúnios sucedem, mas nunca esta questão foi levantada, pelo que para a mesma medida, temo que haja duas bitolas.

 

Facto 2

Entradas para a ANGF 

Está à vista de todos um caso a exemplo de outros demais: GFA Alenquer. É por supostamente permanecer associado um GFA Clube Taurino Alenquerense?

Não, claro que não é! Esse grupo são dois ou três embirrantes que nem andam nem deixam andar. E pior, é que toda a gente já viu isso, incluindo a ANGF, desde o primeiro ano do GFA Alenquer. E ainda assim, se de um grupo novo se tratasse, que prova maior de dignidade requereriam vossas excelências do que pegar oito corridas de seis toiros cada, com galhardia e de forma digna?!

Pergunta 2

Para quando uma explicação aos aficionados (sim, é vosso dever dá-la!) sobre este tema que a todos escandaliza?!

A resposta provavelmente vai assentar na votação para a entrada deste grupo. Mas que votação?! Somos homens (e alguns justos, até!), era preciso alguma votação?! O grupo era o mesmo, os elementos também, o cabo também. Que votação?! Onde está a transparência e o bom senso?!

 

Facto 3

Caso João Machacaz

O Forcado e Cabo João Machacaz, como recente chegada a público através da associação do grupo a que pertence, retira-se da forcadagem e consequentemente das funções de cabo, por alegadas pressões sobre o mesmo para que este caso se desse. Como se toda a gente não soubesse que, desde há três anos (curiosamente [ou não!] desde que o grupo assume o lugar puntero no escalafón da forcadagem) que existem tentativas ano após ano por parte da ANGF para expulsar da mesma o referido grupo. Sem provas, sem fundamentos, e sem verdade. Apenas porque o mesmo faz “corridas a mais” para o gosto dos grupos que outrora as fizeram a agora não fazem.

Pergunta 3

Defendem-se os valores intrínsecos à nobre arte de pegar toiros e toda a sua história, ao acabar prematuramente a carreira de uma lenda viva como o João Machacaz?

Qual o real contributo para a tauromaquia nacional deste afastamento de um dos mais puros exemplos da essência do forcado amador?

 

Facto 4

Contribuições à ANGF

Poderia enumera-los, mas não querendo expor o foro intimo de cada grupo (se é que algum ainda o faz!), provavelmente mais de 80% dos grupos associados, não faz aquele (ridículo) ritual de enviar o cheque, e voltar a receber com 5% descontado a título de contribuição para a ANGF. Uns desde 2003, outros desde 2006, outros nunca fizeram. O que dá para concluir que, não tornando publico este facto, mantendo-o intocável, a ANGF não conta com esta contribuição. O que me diz ainda mais que, sendo que esta não conta, para que serve? Não servirá apenas para quando por embirração decidirem expulsar algum grupo, terem mais esta pedra para atirar?!

Pergunta 4

Para quando uma publicação sobre a regularização deste ponto? Ou não é do vosso interesse?

 

Conclusões

Até prova em contrário, tenho por direito tirar para mim as seguintes conclusões:

 

Facto 1 – Nunca esses grupos poderiam ser chamados a dizer algo sobre isso à ANGF, pois são esses que dão sustento à existência do elitismo existente na mesma. Sem estes que falham, não teriam esses elitistas termo de comparação, e passariam nesse campo a ser igual aos outros.

Facto 2 – Não convém aos mesmos elitistas a entrada de um grupo que (independentemente do seu valor) tem um empresário a ele ligado, e que consequentemente teria já corridas garantidas. E não tendo esse empresário nenhum sonante apelido (como Vacas, Gomes, Sepúlveda, Dotti, entre outros), não tem bilhete de ingresso na elite da forcadagem. Pelo que, não entra porque certamente faria mossa a alguns grupos ditos maiores. Da mesma maneira que, ainda este ano haverá um grupo novo a tentar entrar (GFA Cartaxo), ao qual acontecerá a mesma recusa (tenho a certeza disso!), pelo facto de este ter asseguradas em principio as corridas da castiça praça do Cartaxo, e sentindo-se lesados por isso os ditos elitistas.

Facto 3 – A principal questão prende-se por ser uma vergonha um dos melhores forcados e líderes de homens de todos os tempos, e consequentemente o melhor dos dias de hoje, não pertencer ao GFA Santarém, Évora, Vila Franca, Ap. Moita, Montemor, ou outros, nem tão pouco ter um sonante apelido como suprarreferido. Aliado à inveja deste facto, a dita pessoa comandava o grupo que mais corridas faz em Portugal à algum tempo, o que faz ainda mais comichão aos grupos ditos grandes. Aliado a tudo isto, está o GFA Santarém a comemorar 100 anos na próxima época, pelo que seria vergonhoso num ano como este tornar a fazer 13 ou 14 corridas, ou ainda o GFAAp. Moita fazer novamente 4 ou 5 corridas em 2015. Ou seja, é mais fácil acabar a qualquer custo com a presença do GFA Ribatejo, do que passar essa vergonha. E, consequentemente se resume tudo à falta deste elemento nas suas vidas: a vergonha! Que é que interessa o valor do grupo puntero de Portugal? Que interessa se o seu cabo é um dos melhores forcados e líderes da história? Interessa pois, interessa acabar com isso, para benefício desses grupos ditos grandes.

Facto 4 – A conclusão retirada deste ponto é que, só algumas regras interessam aos senhores que (des)governam os Grupos de Forcados. E porque não vem a público esta questão? Porque explicitava-se quantas corridas é que os grupos fazem sem receber, quantas recebem abaixo do preço, e quantas (poucas) recebem na íntegra e nem um chavo dão à ANGF. Isso não era bom principalmente para os ditos grandes, pois estariam a dar pedras aos pequenos para lhas atirarem! Mas a verdade é que também ninguém precisa de saber se alguém pegou de borla quando é público que se podem comprar sectores do Campo Pequeno, e isso é bem mais grave! (“Grave? Não foram Silvas?”)

E em suma...

Se o país e a tauromaquia nacional precisam de uma Associação ou Federação, ou semelhante que agrupe os grupos de forcados e defenda os seus interesses?

Sim, precisa. Por diversos motivos, como por exemplo se não houvesse uma associação, realizava-se uma corrida em Freixo de Espada a Cinta e criava-se na hora o GFA Freixo de Espada a Cinta para pegar. Entre 1.001 outros motivos.

Mas nos moldes atuais, penso que não. Precisávamos sim de uma associação onde todos fossem iguais, sem lobby’s ou vícios, e principalmente onde imperasse o bom senso.

Principalmente onde quem quisesse fazer parte, fazia, sujeitando-se às suas regras e beneficiando da sua proteção, e quem não quisesse, não fazia, seguindo o seu caminho cultivando a essência do forcado amador. Sem vetações, sem castigos por pegar com este ou aquele, sem veto por contratar este ou aquele! Porque as regras de indumentária, atuações dentro de praça, ordens, antiguidades, estão salvaguardadas no regulamento taurino! 

Uma associação onde cada associado estivesse por ter vontade de estar e se identificar com a mesma, onde ninguém se associava apenas para não ser discriminado ou vetado, o que não existe atualmente!

Se perguntarmos qual o motivo de estar associado aos mais de 30 cabos, seguramente 20 dirão que “Porque se não estiver não posso pegar com ninguém, nem para empresa nenhuma, e o grupo provavelmente acaba”... Tenho a certeza disso!

Como tenho a certeza de que, desta Associação, Portugal e a Tauromaquia não precisam!

Basta, basta de deitar abaixo o que é nosso por direito, que é a forcadagem lusa!

Basta de os prejudicar!

Basta de Grupos ditos grandes!

Se vos resta alguma afición, dignidade e algum gosto ou paixão pelo forcado amador, sabem o que têm de fazer, deixar o panorama.

António Luís de Menezes.

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