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Mestre Baptista... Já passaram 29 anos...

29 anos a recordar Mestre Batista... o tributo de Paulo Beja.
20 de Fevereiro de 2014 - 09:25h Notícia por: - Fonte: Taurodromo.com - Visto: 857
Mestre Baptista... Já passaram 29 anos...

A partir de uma certa idade os anos passam mesmo a correr! Há 40 anos o saudoso cavaleiro José Mestre Baptista foi convidado pelo Ginásio do Juventude de Castanheira para dar uma pequena palestra sobre a sua actividade aos alunos das escolas locais. Recordo como se fosse hoje, aquela figura com calça justa e bota de montar, blusão de cabedal e cabelo à beatles que nos recebeu com um sorriso aberto e perguntou-nos se gostávamos de touradas... Ao longo de uma hora e pouco com passagens de slides falou-nos da sua paixão e incutiu-me uma afición tal que dois dias depois no recreio da Casa de São José fez-se uma tourada em que eu a cavalo de uma vassoura fui o Mestre Baptista e pela forma como entrei a citar de frente quase fui colhido pelo meu colega valdemar, que investiu como um Miura nessa tarde...

Pois é, recordações de um senhor cavaleiro que acompanhei depois em muitas tardes de glória nas principais praças do país e que anos depois fez-me chorar quando recebi a notícia nessa tarde de 17 de Fevereiro de 1985. Um dia tristemente recordado por toda a afición, pois chegava até aos orgão de comunicação social a notícia do falecimento deste toureiro revolucionário, vitimado por paragem cardíaca, em consequencia de problemas bronco-pulmonares enquanto passava uns dias de descanso em Zafra.

José Mestre Baptista, alentejano de nascimento mas vilafranquense de coração nasceu em São Marcos do Campo em Maio de 1940 e marcou para sempre a verdade do bom toureio a cavalo. No início da sua carreira surgiu a pisar terrenos que até aí eram considerados impossíveis para os seus pares. Não imitou nenhuum dos cavaleiros que actuavam até essa altura nas arenas portuguesas e dificilmente será imitado embora haja alguns que o tentem fazer esporadicamente. Com o seu toureio frontal e o ir ao piton contrário, originou o aparecimento de uma nova vaga de cavaleiros, que com ele e ao longo dos anos  levaram para o topo da fama o toureio equestre em Portugal, deixando os aficionados do toureio a pé para segundo plano. Cavaleiros como: José Núncio, Samuel Lupi, José Maldonado Cortes, Luis Miguel da Veiga e o rejoneador Àlvaro Domecq disputavam fortemente com Mestre Baptista o lugar cimeiro do toureio a cavalo.

José Mestre Baptista tomou a alternativa na praça de toiros da Moita em 15 de Setembro de 1958. Os toiros pertenciam à divisa do ganadeiro João Gregório e teve como padrinho D. Francisco de mascarenhas. Pegaram estes toiros os forcados amadores da Moita e no toureio a pé actuaram também os matadores Amadeu dos Anjos e Manuel Rodrigues. Nota inédita a realçar e insólita na nossa história da arte de Marialva, Mestre Baptista tinha sido reprovado na sua alternativa meses antes no Campo Pequeno, a 19 de Junho, num cartaz com Pedro Louceiro e os matadores Armando soares, José Júlio e Curro Romero, toiros de Pinto Barreiros e forcados profissionais do Vale de Santarém..

Mestre Baptista actuou durante 27 temporadas, sempre em plano de figura. A sua última actuação foi na praça de toiros de Évora a 16 de Outubro de 1984. Lidaram-se toiros de Ernesto de Castro e tourearam também Paulo Caetano e Rui Salvador com os forcados amadores de Montemor e Moita do Ribatejo. Ao longo da sua vida artistica concedeu cinco alternativas: o rejoneador mexicano Jorge Hernandez, o cavaleiro francês Luc Jalabert(pai do matador Juan Bautista) e os cavaleiros portugueses Vitorino Marques, Joaquim Bastinhas e Rui 

O toureio que caracterizava Mestre Baptista tinha muitos riscos e as colhidas aconteceram ao longo da sua carreira, umas mais graves e outras nem tanto. Recordamos por exemplo: Praça de toiros de Espinho, durante a temporada de 1973 em que montando o cavalo "Vidal" foi colhido por um toiro de Dª Maria Ana Passanha, ficando cerca de 24 horas inconsciente sendo das colhidas mais graves que 

No mesmo ano, pela feira da Piedade em Santarém, montando uma vez maias o "Vidal", quando toureava a dúo com Gustav Zenkl, fracturou um pulso ao cair derrubado pelo toiro. Destacar que Mestre Baptista tinha casado uma semana antes com Emeletina Baptista e interrompera a lua de mel para tourear nessa importante feira 

Numa nocturna em Vila Franca, toureando no "Concorde" a dúo com manuel Jorge de Oliveira, foi violentamente colhido, tendo fracturado uma perna e em Évora, também no "Concorde" sofreu aparatosa queda sem consequencia de maior. A última colhida sofreu em Almeirim montando o "Dragão" diante de um toiro 

José Mestre Baptista, um nome que ficou gravado em letras douradas na história do toureio a cavalo e que fez história com os seus ferros arrepiantes ainda hoje denominados "À Baptista"! O seu corpo descansa num mausoléu  visitado regularmente no cemitério de Vila Franca por inúmeros aficionados e seu toureio de verdade continua a ser actual pela forma como arrepia o público conhecedor! Obrigado Mestre Baptista, por o ter conhecido à 40 anos e ter-me feito apaixonar pelo verdadeiro toureio a cavalo. Que o Céu dos toureiros o tenha em honra e glória!

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